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Thelema e Religião: as Visões de Aleister Crowley

por Jonatas Lacerda em Lei de Thelema, Religião

Thelema e Religião: as Visões de Aleister Crowley
Filosofia

Thelema e Religião: as Visões de Aleister Crowley

por Jonatas Lacerda

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Thelema é uma nova religião? ou Thelema não tem nada com religião? ou Thelema pode ser aplicada à religião? Estas são três perguntas difíceis e tanto para uma resposta positiva, quanto para uma negativa normalmente vemos referências (sem informações cronológicas) a textos de Mestre Therion (Aleister Crowley). A visão de Mestre Therion passou por evoluções durante sua vida e suas declarações mudaram substancialmente e ao citar sem referenciar o período ou mesmo sem expor essa evolução, muitas vezes é possível criar certo mal entendido… Se a visão de Crowley evoluiu com o passar do tempo, como podemos chegar à conclusão de quais foram suas considerações finais? Simples, avaliando essas declarações cronologicamente, dessa forma poderemos entender como ocorreu a evolução do pensamento de Crowley neste assunto.

Mas mesmo entendendo a evolução cronológica de Crowley, devemos também avaliar as pequenas relações e quando possível evoluir a tese se pautando nos termos do Iluminismo Científico, procurando sempre expandir e não restringir o pensamento e a expressão de cada Estrela.

É possível que você também se interesse pela leitura dos ensaios Seria Thelema a Religião do Novo Æon? e Um tipo Estúpido de Injúria. Thelema é uma Religião?, assim como aquilo que Marcelo Ramos Motta apresentou sobre a Santa Igreja Católica Gnóstica, um texto que de forma bem simples e clara explica o que realmente pensamos sobre o assunto:

“Talvez você queira saber alguma coisa sobre a Santa Igreja Católica Gnóstica. Que é ela? Como é que ela funciona?

Novamente, este é um assunto complicado para a gente explicar intelectualmente, embora seja fácil de sentir. A maneira mais simples de explicar é mostrando a diferença entre a versão católica romana do Cristianismo e a nossa (nós chamamos a versão deles de “Cristianismo”, para assegurar que todos percebam a diferença).

O Cristianismo começou há muitos milhares de anos na Ásia, com um grande homem hindu chamado Krishna que foi assassinado por um rei malvado. Quando Krishna morreu, alguma coisa sobreviveu à sua morte. Agora, ninguém sabe ao certo o que sobreviveu e é mentira dizer que Krishna “ressuscitou”; mas os amigos e discípulos de Krishna sentiram, em seus corações e em suas mentes, que alguma coisa essencial da individualidade de Krishna ainda vivia dentro deles e tentava ser tão amiga deles (e tão crítica dos defeitos deles) quando Krishna tinha sido enquanto vivo. Esses amigos e discípulos de Krishna concluíram, dessa experiência, que a morte não é o fim da vida, mas uma mudança de forma de vida – pelo menos, para gente como Krishna. Portanto, eles tentaram explicar para todo mundo que esta verdade que eles tinham descoberto a respeito de Krishna talvez fosse verdade a respeito de todo mundo e que uma mulher ou homem que quisesse poderia cultivar em sua alma o tipo de qualidades que talvez sobrevivam à nossa morte e sejam úteis aos nossos amigos.

Você precisa compreender que isso não era apenas “filosofia” ou “teologia”: isso era um fato, experimentado pelos amigos de Krishna em seus próprios seres interiores. Eles saíram pelo mundo conhecido espalhando esta, que eles consideraram uma boa nova, a qualquer pessoa disposta a ouví-los; e se surpreenderam ao descobrir que muitas outras nações tinham tido a mesma experiência: algum grande homem ou mulher morrera e no entanto, alguma coisa da individualidade deles parecera sobreviver em algum lugar (uma quarta dimensão, se você quiser), e inspirar seus amigos quando necessário. Portanto a experiência não era incomum! Nesse caso, ela podia ser estudada cientificamente.

O pessoal conferiu e resolveu tentar achar um método geral através do qual se poderia cultivar em nós mesmos essas qualidades que sobreviviam à morte física e podiam ainda ser úteis aos amigos. Eles raciocinaram então que é mais fácil fazer alguma coisa com uma ajudazinha dos amigos, como diz uma velha canção (claro, você tem que prestar atenção no que os amigos lhe dizem, senão não adianta!). Eles também decidiram dar um nome genérico à qualidade, ou qualidades, que sobreviviam à morte física. Os egípcios chamavam essa qualidade de “Osíres” (Asar + Isis), os chineses a chamavam de “Dao-De”, os gregos a chamavam de “Chrestos” e os judeus a chamavam de “Jeheshuah” (que foi traduzido em latim como “Jesus”). E assim por diante. Se você quiser saber mais sobre os nomes que eram usados (alguns ainda são usados), você pode consultar os livros mencionados em Carta a um Maçom. O que você precisa manter em mente agora é que eles todos deram, ao método geral que eles estabeleceram para cultivar as qualidades cristãs em suas almas e para entrar em contato com essas eternas (se é que são eternas! – nós não sabemos realmente ainda) qualidades após a morte de grandes mulheres e grandes homens, o nome de Gnose, da palavra grega Gnôsis, que significa Conhecimento. Isto queria dizer que eles não tinham apenas “fé” no Cristo, você entende? Eles tinham experimentado o Cristo. E se bem que alguns deles tinham experimentado essa “Consciência do Cristo” sob o nome de “Jeheshuah”, e outros sob o nome de “Krishna”, e outros sob o nome de “Chrestos”, e outros sob o nome de “Meithras”, e outros sob o nome de “Asarisis” (Osíres), e outros sob o nome de “Dao-De”, e assim por diante (haviam – e ainda – muitos outros nomes!), eles concordavam que haviam todos tido a mesma experiência, e se chamavam mutuamente de Gnósticos, isto é, nós que sabemos. E eles eram sempre muito amigáveis uns com os outros, quando se encontravam.”

Após essa proveitosa leitura, vamos em frente com as visões de Aleister Crowley sobre Thelema & Religião.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Thelema e Religião: as visões de Aleister Crowley

Sendo, uma coleção de citações de Mestre Therion – Aleister Crowley –
que focam em Thelema ser ou não uma “Nova Religião”

1945 e.v. – Magia(k) Sem Lágrimas

Carta 31, Religião – ΘΕΛΗΜΑ é uma “Nova Religião”?

Chame-a de uma nova religião, então, se isto assim agrada a Sua Graciosa Majestade; mas eu confesso que não consigo entender o que você terá ganhado fazendo assim, e me sinto obrigado a adicionar que você poderia facilmente provocar um grande mal entendido, e criar um tipo bem estúpido de maldade.

A palavra não ocorre em O Livro da Lei.

1929 e.v. – Liber ABA – Livro 4 – Parte 3

Parte 3 – Capítulo V – A Fórmula de I.A.O.:

O Professor William James, na sua obra Variações da Experiência Religiosa, classificou muito bem a religião como o ‘nascido uma vez’ e o ‘nascido duas vezes’; porém a religião assim proclamada no Liber Legis as harmoniza ao transcendê-las.

1925 e.v. – O Início do Novo Mundo

As muitas religiões do mundo perderam todo o seu poder de guiar principalmente por causa do desenvolvimento dos meios de transporte e do comércio internacional que convenceram os instruídos que qualquer religião é quase tão boa ou tão ruim como qualquer outra quanto aos propósitos de disciplina social, e que nenhuma possui qualquer valor desde o ponto de vista do fato real, ou da verdade histórica ou filosófica.

A solução, evidentemente deverá ser encontrada de uma única maneira. Deverá ser encontrada uma fórmula baseada no senso comum absoluto, sem um único fio de teoria ou dogma teológico, uma fórmula à qual nenhum homem de inteligência poderá recusar aprovação, e que ao mesmo tempo proporcione uma sanção absoluta para todas as leis de conduta, social e política não menos que individual, de modo que o certo ou errado de qualquer ação isolada ou conjunta possa ser determinado com precisão matemática por qualquer observador treinado, de modo inteiramente independente das suas idiossincrasias pessoais.

Esta fórmula é: Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

1923-1924 e.v. – As Confissões de Aleister Crowley

Parte III - O Advento do Æon de Hórus – Capítulo 49

A Reivindicação d’O Livro da Lei a Respeito de Religião

A importância da religião para a humanidade é proeminente. O motivo é que todos os homens percebem mais ou menos a ‘Primeira Nobre Verdade’ – que tudo é dor; e a religião arroga-se de consolá-los através de uma negação impositiva desta verdade ou ao prometer compensações em outros estados de existência. Esta pretensão implica na possibilidade de conhecimento originada de outras fontes diferentes da investigação solitária da natureza através dos sentidos e do intelecto. Portanto, isso exige a existência de uma ou mais inteligências præter-humanas, capazes e intencionadas de comunicar, por intermédio de certo homem escolhido, para a humanidade uma verdade ou verdades que não poderiam de outra forma serem conhecidas. A religião é justificada ao impor a fé, uma vez que a evidencia dos sentidos e da mente não conseguem confirmar as suas declarações. A evidência de profecia e milagre é válida apenas na medida em que seja creditada ao homem através de quem a comunicação é realizada. Ela estabelece que ele esta de posse de conhecimento e poder diferentes, não apenas em grau, mas em gênero, daqueles desfrutados pelo resto da humanidade.

A história da humanidade está repleta de instrutores religiosos. Estes podem ser divididos em três categorias.

  1. Homens tais como Moisés e Maomé declaram simplesmente que eles receberam uma comunicação direta de Deus. Eles apoiam sua autoridade por diversos métodos, principalmente ameaças e promessas garantidas pela taumaturgia; eles se ressentem com a crítica da razão.
  2. Homens tais como Blake e Boehme afirmaram ter entrado em comunicação direta com uma inteligência desencarnada que pode ser considerada como pessoal, criativa, onipotente, única, idêntica a eles mesmos ou diferente. Sua autoridade depende da ‘certeza interior’ do vedor.
  3. Instrutores tais como Lao-Tzu, o Buda e os mais elevados Gnana-yogis anunciam que eles alcançaram a sabedoria, compreensão, conhecimento e poder superiores, porém não tem pretensão de impor os seus pontos de vista à humanidade. Eles continuam essencialmente céticos. Eles baseiam seus preceitos na sua própria experiência pessoal, dizendo, na verdade, que eles descobriram que a realização de certas ações a abstenção de outras criou condições favoráveis para a obtenção do estado que os emancipou. Quanto mais sábios, menos dogmáticos eles são. Tais homens de fato formulam o seu conceito transcendental do cosmos mais ou menos claramente; eles podem explicar o mal como ilusão, etc., mas o coração da sua teoria é que o problema do sofrimento tem sido exposto de modo errado, devido aos dados superficiais ou incompletos apresentados pela experiência humana normal através dos sentidos, e que é possível para os homens, em virtude de algum treinamento especial (de Asana até a Magia(k) Cerimonial), desenvolver em si mesmos uma faculdade superior à razão e imune da crítica intelectual, e através de cujo exercício o problema original do sofrimento é resolvido satisfatoriamente.

O Livro da Lei afirma cumprir com as condições necessárias para satisfazer todos os três tipos de buscadores.

Primeiramente, ele afirma ser um documento não apenas verbalmente, mas literalmente inspirado. Não altere nem ao menos o estilo de uma letra; pois vede! tu, ó profeta, não vereis todos estes mistérios aqui ocultados … Este livro será traduzido em todas as línguas: mas sempre com o original na escrita da Besta; pois há o risco de alterar as letras e suas posições uma em relação com a outra: nestas existem mistérios que nenhuma Besta profetizará. Que ele não procure tentar: mas virá alguém após ele, de onde Eu não digo, que descobrirá a Chave de tudo isso.

O autor afirma ser um mensageiro do Senhor do Universo e, portanto fala com absoluta autoridade.

Segundo, ele afirma ser a declaração de uma verdade transcendental, e ter vencido a dificuldade de expressar tal verdade na linguagem humana naquilo que realmente corresponde à invenção de um novo método de comunicação pelo pensamento, não meramente uma nova linguagem, mas um novo tipo de linguagem; um código literal e numérico envolvendo as Cabalas Grega e Hebraica, a mais alta forma de matemática etc. Ele também afirma ser a expressão de uma mente iluminada que coincide com as ideias definitivas das quais o universo é composto.

Terceiro, ele afirma que oferece um método pelo qual os homens podem chegar independentemente à consciência direta da verdade sobre o conteúdo do Livro; entrar diretamente em comunicação, por sua própria iniciativa e responsabilidade, com o tipo de inteligência que o instrui, e resolver todos os seus problemas religiosos pessoais.

Em geral, O Livro da Lei afirma responder a todos os problemas religiosos possíveis. Fica-se impressionado pelo fato de que tantos deles são expostos e resolvidos separadamente num espaço tão curto.

Voltemos à questão geral da religião. O problema fundamental jamais foi explicitamente declarado. Nós sabemos que todas as religiões, sem exceção, foram demolidas no primeiro teste. A reivindicação da religião é completar, e (incidentalmente) reverter, as conclusões da razão por meio de uma comunicação direta de alguma inteligência superior em gênero àquela de qualquer ser humano encarnado. Eu perguntei a Maomé, ‘Como eu posso saber que o Corão não é a sua própria compilação?’.

É inoportuno responder que o Corão é tão sublime, tão musical, tão verdadeiro, tão cheio de profecias que o tempo cumpriu e confirmou através de tantos eventos miraculosos que Maomé não poderia tê-lo escrito por si mesmo.

O autor d’O Livro da Lei previu e procurou evitar todas estas dificuldades ao inserir no texto descobertas que eu meramente não veria durante muitos anos por vir, mas nem ao menos teria o maquinário para produzir. Algumas, de fato, dependem de eventos em cuja manifestação eu não tomei parte.

Pode ser dito que não obstante pode ter existido alguém em algum lugar do mundo que possuía as qualidades necessárias. Isso é novamente refutado pelo fato de que algumas das alusões se referem a fatos conhecidos apenas por mim. Somos forçados a concluir que o autor d’O Livro da Lei é uma inteligência tanto alheia quanto superior à mim mesmo, e ainda assim familiarizado com os meus segredos mais íntimos; e, o ponto mais importante de todos, que esta inteligência é desencarnada.

A existência da religião verdadeira pressupõe aquela de alguma inteligência desencarnada, quer a chamemos de Deus ou de qualquer outra coisa. E é isso exatamente o que nenhuma religião jamais provou cientificamente. E isso é o que O Livro da Lei realmente prova por evidência interna, totalmente independente de qualquer declaração minha. Esta prova é evidentemente o passo mais importante que a ciência já possa ter dado: pois ela nos abre um caminho inteiramente novo para o conhecimento. A imensa superioridade desta inteligência particular, AIWASS, comparada com qualquer outra com quem a humanidade já tenha estado em comunicação consciente é demonstrada não meramente pelo caráter do próprio livro, mas pelo fato dele abranger perfeitamente a natureza da prova necessária para demonstrar o fato da sua própria existência e as condições daquela existência. E, além do mais, por ter fornecido a prova requerida.

Thelema implica não meramente numa nova religião, mas numa nova cosmologia, uma nova filosofia, uma nova ética. Ela coordena as descobertas desconexas da ciência, da física à psicologia, em um sistema coerente e consistente.

Parte V – O Magus – Capítulo 72

Eu afirmo quanto ao meu sistema que ele satisfaz a todas as exigências possíveis da verdadeira maçonaria. Ele oferece uma base racional para a fraternidade universal e para a religião universal.

Parte V – O Magus – Capítulo 73

A natureza humana exige (no caso da maioria das pessoas) a satisfação do instinto religioso e, para muitos, isso pode ser feito da melhor maneira através dos meios cerimoniais. Eu desejei, portanto construir um ritual através do qual as pessoas pudessem entrar em êxtase como elas sempre fizeram sob a influência do ritual apropriado. Em anos recentes, tem havido um fracasso crescente no sentido de alcançar este objetivo, porque os cultos estabelecidos abalam as suas convicções intelectuais e ultrajam seu senso comum. Assim as suas mentes criticam o seu entusiasmo; eles são incapazes de consumar a união das suas almas individuais com a alma universal tal como seria com um noivo a fim de consumar seu casamento se o seu amor fosse constantemente recordado que suas pretensões eram intelectualmente absurdas.

Eu decidi que o meu Ritual deve celebrar a sublimidade da operação das forças universais sem apresentar teorias metafísicas duvidosas. Eu não faria, nem sugeriria, qualquer declaração sobre a natureza que não fosse aprovada pelo homem de ciência mais materialista.

1922 e.v. (?) – Constituição da Ordem dos Thelemitas

12. A Ordem dos Thelemitas se opõe categoricamente a: (a) Todas as religiões supersticiosas, como sendo obstáculos ao estabelecimento da religião científica;…

1920 e.v. – Diário Mágico (24 de maio)

Mas em algum lugar aqui parece ter surgido a resposta de Aiwaz, com uma profunda impressão, de que o meu Caminho é o de promulgar a ‘Nova Religião’ propagando a Palavra de Thelema daquela forma política prática adotada para o [2º Grau da] O.T.O.

1920 e.v. – Comentários do AL

I:52

Portanto nós consideramos o Amor sagrado, religião do nosso coração, ciência da nossa mente.

I:63

Eu desejo enfatizar aqui que a Lei de Thelema definitivamente nos impõe, como um ato necessário de religião, beber vinhos doces e vinhos que espumam.’ Qualquer homem ou mulher livre que resida em qualquer comunidade onde isto seja proibido tem uma opção entre dois deveres: revolta ou imigração.

O êxtase Religioso é necessário para a alma do homem.

III:22

Logo a nossa religião, para o Povo, é o Culto do Sol, que é a nossa estrela particular do Corpo de Nuit, de quem, no mais estrito sentido científico, surgiu esta terra, uma fria faísca d’Ele, e toda a nossa Luz e Vida.

1919 e.v. – O Equinócio vol. III nº 1 – O Equinócio Azul

Editorial:

O MUNDO PRECISA DE RELIGIÃO. Religião deve representar a Verdade e, celebrá-la. Essa verdade é de duas ordens: a primeira, relativa à Natureza externa do Homem; a segunda, relativa à natureza interna do Homem. Existem religiões, especialmente o Cristianismo, que são baseadas na primitiva ignorância dos fatos, particularmente de natureza externa.

Celebrações devem ser conforme o costume e a natureza do povo. O Cristianismo destruiu as alegres festividades, caracterizadas pela música, dança, festas e o ato de fazer amor, e apenas manteve a melancolia.

A Lei de Thelema oferece uma religião que agrupa todas as condições necessárias. A filosofia e metafisica de Thelema é o som, e oferece solução para os mais profundos problemas da humanidade. A ciência de Thelema é ortodoxa; não existem falsas teorias da Natureza, não existem fábulas sobre a origem das coisas. A psicologia e ética de Thelema são perfeitas. Destroem a condenável ilusão do Pecado Original, fazendo com que cada um seja único, independente, supremo e suficiente.

A Lei de Thelema é dada no Livro da Lei.

A O.T.O. é a primeira das grandes Sociedades religiosas a aceitar a Lei. Ela treina grupos no caminho da iniciação progressiva.

Revisão da obra de Craddock, Noivos Celeste:

Quando você provou que Deus é meramente um nome para o instinto sexual, isso não me parece muito longe da percepção de que o instinto sexual é Deus.

1919 e.v. – Liber DCCCXXXVII – A Lei de Liberdade, Um Tratado de TO MEGA ΘΗΡΙΟΝ 666, Que é um Magus 9=2 A∴A∴., publicado originalmente em O Equinócio vol. III nº 1 – O Equinócio Azul

“Este é o único ponto a ser lembrado, que todo ato deve ser um ritual, um ato de adoração, um sacramento. Viva como os reis e as princesas, coroados e não coroados deste mundo sempre viveram, como os mestres sempre vivem; mas que isso não seja autossatisfação; transforme a sua autossatisfação na sua religião.”

“Quando você bebe e dança e se delicia, você não está sendo “imoral”, você não está “arriscando a sua alma imortal”; você está cumprindo os preceitos da nossa santa religião – desde que você se recorde de considerar as suas ações sob esta luz. Não se rebaixe nem destrua ou desvalorize o seu prazer abrindo mão do prazer supremo, a consciência da Paz que ultrapassa a compreensão. Não abrace meras Mariana ou Melusina; ela é a Própria Nuit, especialmente concentrada e encarnada em uma forma humana para lhe conceder amor infinito, para lhe oferecer o sabor, mesmo na terra, do Elixir da Imortalidade. “Mas êxtase seja teu e alegria da terra: sempre A mim! A mim!”.”

1915 e.v. (?) – Os Evangelhos segundo o Santo Bernard Shaw

“…Eu concordo com praticamente todas as palavras relatadas do Yogi Jesus, e quase todas as palavras dos Essênios. Verdade, eu rejeito o Salvacionismo, e o elemento Judaico de profecias realizadas, e o louvor à Lei de Moisés; porém confio humildemente que qualquer deficiência a estas considerações possa ser mais por reparação em umas do que por excesso em outras. Pois eu não apenas considero o culto de John Barleycorn como sendo a única religião verdadeira, mas estabeleci novamente a sua adoração; nos últimos três anos, surgiram novos ramos da minha organização por todo o mundo para celebrar o antigo rito. Que assim seja.

1913 e.v.– Entusiasmo Energizado

Existem algumas pessoas tão simplórias a ponto de achar que, quando elas provaram que o instinto religioso era um mero florescimento do instinto sexual, elas destruíram a religião…. Consciência, diz o materialista, com o machado na mão, é uma função do cérebro. Ele meramente reformulou o velho provérbio, Vossos corpos são os templos do Espírito Santo’!

1911 e.v. – Liber ABA – Livro 4 – Parte 1

Capítulo VI – Dhyana:

…Que maldição existe na religião, para que os seus dogmas sempre tenham que estar relacionados com todo tipo de extravagância e falsidade?

Existe uma exceção; esta é a AA, cujos membros são extremamente cautelosos em não fazer qualquer declaração que não possa ser comprovada da maneira usual; ou caso isto não seja fácil de realizar, ao menos evitar qualquer coisa parecida com uma declaração dogmática.

© 2016 e.v. - Espaço Novo Æon





Thelema e Religião: as Visões de Aleister Crowley

Tradução: Arnaldo Lucchesi Cardoso
Revisão: Jonatas Lacerda
Edição: Jonatas Lacerda
Versão: 3.1 – 01/07/2012 e.v.

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Jonatas Lacerda

Jonatas Lacerda é Thelemita e programador de sistemas para Internet, com ênfase no setor bancário. Fundou o Blog Thelemitas e o Espaço Novo Æon (do qual é o seu o atual editor). Há mais de 13 anos estuda e procura aplicar os princípios da Lei de Thelema em sua vida. Após um encontro com o irmão Euclydes Lacerda de Almeida, focou seu trabalho pessoal na difusão da Lei de Luz, Vida, Amor e de Liberdade: Thelema. A base desse trabalho é o estudo dos princípios filosóficos e da aplicabilidade da Lei de Thelema no contexto individual e na vida em sociedade.

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