Ensaios

Uma Carta para Henry Ford

por Aleister Crowley em Lei de Thelema

Uma Carta para Henry Ford
Metodologia

Uma Carta para Henry Ford

por Aleister Crowley

Senhor,

A maioria dos homens se sensibiliza e se preocupa com o bem estar e o progresso deles mesmos, de suas famílias, suas cidades ou seus países; e eles devotam suas energias ao avanço desses interesses as custas daqueles que consideram como desconhecidos.

Mas em todo tempo e lugar sempre tem havido aqueles poucos que sentiram no seu coração as tristezas da humanidade como um todo, sem distinção de pessoas ou classes; e se devem aos maiores entre tais homens, sem exceção, todos os verdadeiros benefícios que a raça ganhou da Natureza.

Nós podemos confrontar as vantagens com as perdas que se acumularam nas atividades de um homem ambicioso, como Napoleão, um herói cívico, como Péricles ou um patriota, como Washington; porém os reais benfeitores da humanidade são homens como Aristóteles e Newton, Gautama Buddha e Pasteur, os inventores da imprensa e do automóvel, cujo objetivo de sua obra é tão universal quanto os seus motivos, nos melhores casos, impessoais[1].

Durante muitos séculos, homens capazes deste grau de grandiosidade, que foram capazes de considerar os problemas de sofrimento e realização da humanidade com o desapego benevolente de uma divindade, tem se mantido secretamente organizados para vigiar o bem estar dos seus companheiros e para prestar auxílio mútuo na Grande Obra de dirigir e assistir a Humanidade para que possa alcançar o seu Destino sagrado. Silenciosa e informalmente, ainda assim firmemente e com a força da sua nobre paixão, eles lutaram contra a tirania e o obscurantismo, eles trouxeram luz aos recantos escuros da terra, eles garantiram o caminho da genialidade e eles conservaram aquele silêncio que é ao mesmo tempo sua garantia contra a opressão e a primeira condição da sua vigilância.

Estes homens, possuidores de uma força moral que os outorga poderes que para a mente comum muitas vezes parecem miraculosos, empregam as suas faculdades independentemente e sem ostentação sempre que tal atitude é possível. Porém de tempos em tempos ocorrem certas crises nas atividades dos homens que os obrigam a agir de acordo com a necessidade e a selecionar e enviar um dos seus para exercer publicamente partes da sua doutrina secreta a fim de capacitar os homens para resolver os problemas que atualmente os restringe e triunfar sobre os perigos que os cercam.

Há vinte e dois anos atrás, tal situação chegou ao seu auge. Já era evidente para os Vigilantes que todas as sanções que tinham servido como guia para a humanidade tinham perdido a sua força de convencimento. O medo do inferno já não restringia ninguém a não ser aos servos mais ignorantes; a tentativa de trocar as ameaças e promessas religiosas por obrigações morais tomou conta de umas poucas mentes da classe mais alta, e mesmo assim as suas pretensões se mostraram arbitrárias e absurdas segundo Ibsen e Nietzche[2].  Almas fatigadas pela busca da Verdade estavam regredindo exauridas para as afirmações categóricas de fé fixadas como o Romanismo, ou então estavam abandonando a si mesmas para o cínico materialismo dos judeus não religiosos.

A humanidade foi confrontada com a escolha, muitas vezes subconsciente porém não menos crítica, entre repudiar a submissão mental e moral a um sistema de falsidades despóticas, e uma anarquia desprovida tanto de propósito quanto de princípio, apenas oscilando por causa de vantagem imediata e superficial. A verdade mais profunda da alma é a Nobreza; seus instintos mais profundos se revoltam contra a desonra de se render seja para a superstição ou para o ceticismo. As melhores mentes de cada país estavam unidas pelos laços do desespero.

Os Vigilantes em Silêncio compreenderam que havia chegado o momento para que eles entrassem em ação. Eles previram que os homens, abandonados sem guia e incapacitados para a sabedoria, mergulhariam na loucura da Guerra Mundial, e todas as suas consequências e agitações sem sentido. Eles perceberam que o único jeito de salvar a raça de tal ruína vermelha, assim como esta havia subjugado as civilizações do passado, era enviar um Homem com uma Mensagem. Ele deve proclamar uma Lei positiva através da qual se possa medir a conduta humana; e a autoridade desta Lei não deve depender de teorias abstratas, de lendas duvidosas, ou de qualquer fundamento externo seja qual for: ela deve provar o seu próprio direito de impor a obediência através da sua própria correção e inevitabilidade inerentes, e ela deve ser igualmente persuasiva para cada individuo, homem e mulher, do mundo.

Tal Lei evidentemente deverá ser a mais simples e universal, e ainda assim ser capaz de ser aplicada em detalhes a todos os problemas possíveis através do critério normal da razão.

Pareceria ter sido desejável que esta Lei devesse ser proclamada por um homem livre das imperfeições da humanidade; mas os Vigilantes não pensavam assim. Para eles pareceria mais sábio que o seu Mensageiro fosse, não importa o quão grandes as suas qualificações em alguns aspectos, dentre os outros o mais comum dos seres humanos, um partidário de todo defeito de seus companheiros. Então um Homem desqualificado em quase todos os modos possíveis seria um líder a quem eles escolheriam para portar a Mensagem. Que o Mestre Therion[3], como ele é chamado, nada deveria ser em si mesmo, não é crítica à perfeição de sua Lei, porém muito mais a garantia da sua virtude, que ela é a Lei para todos e não para a rara inteligência superior.

E da perfeição desta Lei, da sua suprema eficácia em formar uma fundação inabalável para toda a moralidade futura, só poderão duvidar aqueles que fracassaram em examiná-la com a profundidade paciente e imparcial que a Natureza exige de cada homem que venha a explorar os seus segredos e extrair dos seus tesouros a pérola da Verdade.

Pois esta Lei é, essencialmente:

Faze o que tu queres.[4]

Existem sobre esta terra corações ignóbeis. Escravos que exigem ser controlados e tiranos que desejam dominar; estes temem esta Lei e se opõe a ela com falsidades malignas. Sua arma mais imediata é fingir tê-la compreendido errado: citá-la erroneamente como “Faze o que te agrada”.

Nenhuma mentira poderia ser mais estúpida ou mais sinistra. Pois a Lei

Faze o que tu queres

é uma Lei austera além de qualquer outra já outorgada ao Homem. Ela não deixa espaço para a conduta ociosa ou libertina; ela não tem clemência para negligência ou capricho.

Nós lemos em O Livro da Lei, outorgado ao Mestre Therion para instruí-lo:

Não existe lei além de Faze o que tu queres. [...] tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade. Faze isso, e nenhum outro dirá não.[5]

Existe uma categoria de críticos sinceros e inteligentes, homens que aceitam a Lei

Faze o que tu queres

como sendo correta por auto evidência, como sendo justa para todos e de obrigação para todos. Ela é, como eles dizem corretamente, a Lei da Aptidão. Pois a Verdadeira Vontade de um Homem é o Resultado de todas as Forças que compõe a sua Natureza; e ela é tão clara quanto qualquer outro teorema simples da Dinâmica, onde um homem que se desvia do seu verdadeiro Caminho negligencia certos elementos na sua Equação, deixa insatisfeitas algumas das Energias que impingem sobre ele e então induzir o Erro em seus Caminhos; pois aquilo que ele buscou ignorar o pressionará secretamente, o forçará a hesitar, restaurará o equilíbrio através de violências insuspeitas.

Esta Lei

Faze o que tu queres

está portanto, como dizem eles ao Mestre Therion, em perfeita teoria; contradizê-la é ser absurdo. Mas a sua verdade muito axiomática, sua extrema universalidade e poder de convencimento, são apenas os pretextos da nossa desconfiança sobre seu valor na prática. Pois se os homens devem sempre ter assumido subconscientemente esta Lei; como então ela deveria servi-los nesta crise?

Para esta ressalva a resposta salta da História. Os Erros da Humanidade tem se originado quase uniformemente da busca por falsos Ideais, oriundos de crenças irracionais, e criadas pela Ignorância da Autodesconfiança. Conscientes do seu próprio estado lamentável, os homens se agarraram desesperadamente a qualquer palha de filosofia, engoliram toda isca brilhante de falsidade. Eles buscaram não ser aquilo que eram, mas aquilo a que foram convencidos que deveriam ser ou o que eles acharam que seria aprazível ser; como na fábula onde o Sapo, ao ouvir o Boi, soprou tão forte imitando-o até finalmente explodir.

Ai! exclama o crítico, existe verdade naquilo, na medida em que procede; mas isso não vai tão longe. Reconheceu que o homem deve buscar a perfeição na sua própria verdadeira Natureza, que “Conhece-te a Ti mesmo” é de fato o primeiro dos seus deveres, que a sua Verdadeira Vontade é a expressão em ação da Palavra do propósito que Deus, ou Natureza, o construiu exatamente como ele é e não de qualquer outro modo, de modo a cumprir – confirmando tudo isso – a sua Lei

Faze o que tu queres

sinceramente aceita como o critério da mais alta Sabedoria e como a Regra da Vida, ainda assim resta uma questão prática urgente “Como ele conhecerá a sua Vontade? E, mesmo ele a tendo conhecido, como cumpri-la?”

O Mestre Therion reconhece essa dificuldade – aliás, muito bem! O que há de mais comum na raça do Homem do que Ignorância e Impotência? Ele, conhecendo a sua Verdadeira Vontade também sabe com que choque de lutas através de muitos anos de pesquisa, conquistou aquele conhecimento. E mais ainda, ele conhece com intensa amargura o quão impotente ele tem sido para conduzir a Obra, menos ainda para trazê-la ao sucesso.

Então, para esta questão final destas críticas amigáveis, ele toma a liberdade de se dirigir a vós, senhor, na esperança de que possa descobrir a sua Verdadeira Vontade para ajudá-lo na resposta – pela causa daquele Espírito imanente do Homem, muito santo, muito oculto, que aguarda até que o Salvador rompa os grilhões dos seus membros, que os raios do Sol dispersem as nuvens que surgem, negras e carregadas de trovões, sobre sua mente.

O Mestre Therion, enquanto homem, nada mais é do que um poeta, um sonhador; ele pode projetar, mas não pode executar. Ele faz o seu apelo a vós, como para um líder dos homens, um organizador enérgico e preciso, um empregador capacitado e humano, um perito da eficiência e um gênio em traduzir Ideia na linguagem da Realidade.

Vós, senhor, quer esteja consciente disto ou não, possui mui notavelmente a faculdade da verdadeira imaginação no sentido científico da palavra. O senhor enxergou as possibilidades de desenvolvimento social que devem seguir àquelas das viagens rápidas das pessoas e do transporte das suas mercadorias, independentemente da rotina estabelecida. O senhor viu as condições que tornariam este sonho economicamente possível e se pôs a trabalhar para realizá-las.

Senhor, tu conseguiste; eu lhe ofereço um sonho ainda maior.

Veja, o senhor tornou os homens livres para viajar rapidamente e com segurança para onde quisessem. O senhor fez isso diminuindo o conflito entre vontades rivais desnecessárias. O senhor trouxe paz a muitos milhões ao tornar cada homem independente de tempo e espaço, em uma pequena esfera das suas muitas atividades, e na situação das atuais possibilidades da ciência.

Eu lhe peço agora para fazer para o seu espírito o que o senhor fez para o seu corpo.

A maior maldição do seu grande país é a obsessão do desejo por riquezas. Riqueza é mui comumente considerada como um objetivo, não como um meio; ou se como um meio, então apenas para alcovitar prazer, vaidade ou poder injusto. É como se um homem devesse gastar a sua força, desperdiçar a sua vida, para comprar um veículo automotor; e possuindo-o, nada mais fazer além de devorar com os olhos a sua posse, insistir para que o mundo todo o admire por causa disso, usá-lo para atropelar pedestres e coisas semelhantes ao invés de usá-lo para fins espirituais, de se deliciar com a beleza da Natureza, se alegrar com o ar fresco penetrante, viajar para os novos campos do conhecimento, para escalar novas alturas de Sabedoria.

Qual é a causa da profunda insatisfação espiritual que frustra o maravilhoso bem estar do seu povo, do grandioso Estados Unidos?  Mas por que, tendo obtido os meios de prazer e progresso, eles não conhecem nenhum propósito que mereça o seu empenho?

Eles não conhecem as suas Verdadeiras Vontades.

Volte os seus olhos para a Idade Média! Ignorância, pobreza, sujeira, doença, opressão, superstição e desordem. Ainda assim, nas suas miríades de males, que beleza, que capacidade! Cada trabalhador era um orgulhoso artesão; no seu lazer, extasiado pela música; sua fé era uma luz viva, seu amor um eterno romance. Sua mente não era pervertida pelos jornais com as suas incessantes glorificações das riquezas, crime e moda, o seu clamor macabro pela guerra, seu tráfico de escândalo como o das bruxas estéreis e o seu vasculhar de sujeira como os de garotos de escola sem higiene.  Qual era o segredo da sua felicidade essencial? Este, o de que cada homem respeitava a si mesmo, acreditava em si mesmo, buscava descobrir e desenvolver em si mesmo as mais profundas e as maiores qualidades da sua própria natureza. Ele não desejava ser tão rico quanto este duque ou mais rico do que aquele bispo; mas apenas, ser rico o suficiente para levar adiante o propósito de vida para o qual ele se acreditava destinado.

Atualmente tais almas são de fato raras; os homens perseguem fantasmas imundos vestidos com ornamentos brilhantes pelos feitiços da alucinação popular. Quão sórdida é a disputa, até mesmo do trabalhador honesto! Ainda assim, odiosa consequência, a sua prosperidade alimenta parasitas. Nós temos duas classes cuja existência ameaça a verdadeira estrutura da sociedade: o trapaceiro cujo único evangelho é “Fique rico rápido”, e o ladrão e assassino cuja mente mórbida encontra romance, negado a ele em toda parte, na violência criminosa. Tão poderosos se tornaram estes vermes nos últimos anos, tão atrevidos a impunidade os fez, que eles ousam desafiar abertamente as leis da república, corromper a própria Legislação e atacar a sociedade pela força das armas em plena luz do dia. Mais outro passo e eles ameaçarão com guerra civil.

A pressão econômica está destruindo o ideal da família; e a loucura pelo prazer está tanto consumindo a saúde do indivíduo quanto está comprometendo o futuro do estado.

Qual seria outro remédio além deste, a Lei de Thelema?

Faze o que tu queres

é a única resposta possível para estas aberrações suicidas do senso moral, a única política construtiva que pode unificar o auto interesse com a integridade. O tédio universal desta geração é devido principalmente à padronização simplesmente daquelas coisas cujo uso e deleite se assentam na variedade: construir, cozinhar, se vestir, os costumes, as opiniões, e coisas afins; de modo que as mulas carregadas de riquezas das assim chamadas classes prósperas, com seus olhos vidrados a começar pelos arreios ornamentados[6], viajam freneticamente até os confins da terra em busca do mais pitoresco, que lhes escapa como se puxados para dar mais espaço para o Pullman convencional, a monotonia mecânica da banda de Jazz e a espantosa banalidade do Hotel Cosmopolitan; enquanto que o indigente busca excitação na sucessão de imagens do Jornal de Domingo e do cinema ou o risco da penitenciária ou a forca na louca tentativa de estimular o sistema nervoso que foi embotado pela rotina doméstica de respeitabilidade dos abrigos para desamparados.

Privado, incapacitado ou ignorante sobre a verdadeira natureza da verdadeira aspiração, a alma faminta se volta para as coisas proibidas; livros e jogos nocivos, bebidas venenosas, cultos a shows de variedades, drogas que embrutecem – vem a morte, vem a loucura, vem a desgraça, mas vamos sair da vida diária e da perseguição forçada de objetivos que não são os nossos!

Então, ó espíritos tão embotados, tão prudentes, ou tão covardes para saber o que lhes falta, ou para tentar escapar das suas prisões invisíveis! O funcionário de gravata que seria feliz como um cowboy, o açougueiro cujas qualidades o fazem mais adequado a ser um alfaiate, a estenografa que poderia simplesmente se descobrir como uma modista, o atleta aprisionado num escritório contábil, ou o engenheiro nato sufocando em um uniforme de garçom simulando gentilezas – quão profundamente todos estes sofrem em silêncio pela sua doença muitas vezes insuspeitada, em um silêncio quebrado apenas pelo gemido sufocado que, multiplicado por inúmeros milhões, é debilmente ouvido como a profunda insatisfação da república!

Todos estes, não menos do que os seus colegas mais articulados, aguardam a palavra da libertação, a palavra da Lei

Faze o que tu queres.

O senhor trará liberdade para suas almas, restaurará para elas o significado da Vida que elas perderam?

Que cada homem e cada mulher aprenda a encarar a vida como um dever sagrado, uma máquina bem projetada para um propósito particular independentemente de todo elogio ou crítica, cuja realização é a simples, assim como a mais admirável recompensa, com abundância de prazer!

Quanto ao modo pelo qual esta nobre revolução pode ser trazida a termo? Os detalhes eu devo deixar a cargo da sua experiência, da sua genialidade. Porém o plano principal é evidente o suficiente. Nós devemos aplicar a nossa ciência moderna ao problema. Nós precisamos primeiro de tudo reunir um conselho com as mentes mais perspicazes do mundo, de biólogos, historiadores, psicólogos, economistas…

Eles devem elaborar um esquema para medir um homem, para penetrar a sua natureza mais íntima não menos do que para estimar o efeito do seu meio ambiente.

Eles devem ser capazes de ajudá-lo a descobrir o trabalho para o qual ele melhor se adequa, o trabalho que satisfará tanto as suas necessidades espirituais quanto materiais.

Eles devem ser capazes de aconselhá-lo sobre como desenvolver os seus poderes neste sentido, como se disciplinar e como se escudar contra forças hostis de modo a defender a sua Vontade de impedimentos internos e externos.

Eles devem treinar peritos para serem capazes de julgar os homens rapidamente e na certeza, de modo a lhes designar seu lugar dentro da organização social.

Eles devem ajudar todo homem a descobrir em si mesmo aquele Espírito insaciável, independente de Espaço, Tempo, e dos preconceitos dos outros homens, que é a distinção da genialidade; de modo que o seu propósito seja uma chama imortal para consumir nele todas as ambições perecíveis.

Eles devem mostrar a ele aquela verdadeira liberdade que não tolera nem o domínio de ideais alheios, nem tenta impor as predileções arbitrárias do indivíduo sobre a comunidade.

Pouco a pouco, enquanto adquirem experiência, eles serão capazes de estabelecer distritos experimentais onde a Lei

Faze o que tu queres

será a garantia única e suficiente da retidão e da prosperidade – espiritual, moral e física – dos habitantes. O sucesso de tais experimentos criará uma demanda mundial pelo estabelecimento da Lei.

A forma final da obra será um sistema de Educação no qual cada criança receberá a atenção individual necessária ao pleno desenvolvimento da sua genialidade peculiar ao invés de consistir como agora, de uma tentativa de esmagar cada lampejo de personalidade e fabricar um produto padronizado dentro de um padrão tão impossível quanto extremamente indesejável.

Mas é inútil delinear até mesmo o esboço de um plano tão fértil de surpreendentes possibilidades. Eu escrevi o suficiente – no meu entusiasmo, talvez muito – para mostrar igualmente a necessidade desesperada de tomar resolutamente em mãos a enfermidade da sociedade e as soberbas perspectivas de realização latentes no estudo e aplicação da Lei

Faze o que tu queres.

Será o senhor o homem que outorgará a verdadeira liberdade a todo espírito que respira, a fim de criar em cada coração humano o paraíso da sua Vontade mais íntima e declarar para toda mente o único meio de alcançá-lo?

Notas de Rodapé    (↵ voltar)
  1. Péricles (495? – 429 AC) foi um estadista ateniense. George Washington (1732 – 1799) foi um general revolucionário e o primeiro presidente dos Estados Unidos. Aristóteles (384 – 322 AC) foi um filósofo grego. Sobre Newton vide a pág. 44, nota 5. O bacteriologista francês Louis Pasteur (1822 – 1895) provou a teoria da transmissão de doenças pelos germes. Henry Ford (1863 – 1947) fundou a Ford Motor Company; ele não inventou o automóvel, mas introduziu as peças padronizadas e o processo de produção em massa. ↵ voltar
  2. Crowley discute as obras do poeta e dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) em “Boa Caça!”, p. 111 infra. As obras do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzche (1844-1900) foram uma grande influência ao pensamento de Crowley. ↵ voltar
  3. Mote mágico de Crowley como um Magus 9º = 2 A∴A∴. ↵ voltar
  4. Liber AL I:40, III:60. ↵ voltar
  5. Liber AL III:60, I:42-43. ↵ voltar
  6. Uma palavra arcaica para “arrumado, calculado, ornamentado”. ↵ voltar

© 2017 e.v. - O.T.O. - Ordo Templi Orientis





Uma Carta para Henry Ford

Tradução: Arnaldo Lucchesi Cardoso
Revisão: Nina Castro
Edição: Jonatas Lacerda
Versão: 1.1 – 03/07/2011 e.v.

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Aleister Crowley

Aleister Crowley, nascido Edward Alexander Crowley (12/10/1875, Royal Leamington Spa, Warwickshire, Inglaterra - 01/12/1947, Hastings, East Sussex, Inglaterra), ocultista britânico e Profeta do Novo Æon de Hórus.

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