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Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ

por Aleister Crowley em Moralidade Thelêmica, Sexualidade

Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ

Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ

Sigillum Sanctum Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴
Publicação em Classe B.

Metodologia

Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ

por Aleister Crowley

Dianae sumus in fide
Puellæ et pueri integri
Dianam pueri integri
Puellaque canamus
- Catullus[1]

A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuseis tua esposa, se ela o quiser! Ó amante, se quereis, ide embora! Não há vínculo que possa unir o dividido senão o amor: tudo o mais é uma maldição. Maldito! Maldito seja pelos aeons! (AL, I:41)[2]

Consentimento ou recusa devem ser determinados pelo próprio impulso, sem referência a quaisquer outros motivos tais como a ação comumente influenciada.[3]

Assim com todos vós; tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade. (AL, I:42)

Todo pensamento, palavra ou ato, sem exceção, está sujeito a esta Lei. “Faze o que tu queres” não permite fazer qualquer outra coisa; a menos que não seja compreendida, a doutrina é explícita aqui: “Tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade”.[4]

Toda partícula de energia deve ser construída dentro deste veículo unidirecional da vontade; direta ou indiretamente, ela deve servir a um propósito. Um buraco muito pequeno no casco pode afundar um navio muito grande.

Todo ato, portanto, junto com os pensamentos e palavras que determinam sua realização, é um sacramento.[5]

Então, dentre todos os atos o mais intrinsecamente importante é o ato de amor. Primeiramente, porque o êxtase que acompanha sua própria execução é uma imagem física, ou uma alusão, do estado de Samadhi, desde que a consciência do Ego esteja temporariamente inativa; segundo, porque o seu efeito normal sobre o plano material é, ou pode ser, incalculavelmente vasto (a ênfase sobre a palavra ‘própria’ é absoluta.). Justamente por ele ser uma arma tão ponderosa, seu uso é coberto de múltiplas precauções, e seu abuso desaprovado em injunções pesadamente carregadas com ameaças:

Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes! Mas sempre a mim. (AL, I:51)[6]

Se isto não estiver correto; se vós confundires as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre para mim: então esperai pelos terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit! (AL, I:52)

Isto regenerará o mundo, o pequeno mundo minha irmã, meu coração e minha língua, a quem Eu envio este beijo[7]… Porém que êxtase seja teu e alegria da terra: sempre Para mim! Para mim! (AL, I:53)[8]

Vós devereis reunir bens e fartura de mulheres e especiarias; vós vestireis ricas jóias; vós excedereis as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre no amor de mim e então vós vireis ao meu prazer. (AL, I:61)

Existe um véu: esse véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu de tristeza e a mortalha da morte: isto não é de mim. Rasgai aquele falso espectro dos séculos: não veleis os vossos vícios em palavras virtuosas: esses vícios são meu serviço; faze-os bem, e Eu vos recompensarei agora e no futuro. (AL, II:52)[9]

Há ajuda e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu poderás suportar mais prazer. Não sejas animal; refina o teu êxtase! Se beberes, bebe pelas oito e noventa regras da arte: se tu amas, excede por delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa prazerosa, que haja sutileza ali! (AL, II:70)

Mas excede! excede! (AL, II:71)

Esforça-te cada vez mais! e se tu és verdadeiramente meu – e não duvides disto, e se tu és sempre jubiloso! – morte é a coroa de tudo. (AL, II:72)

Aqui há confirmação do detalhe do AL I, 41. Este ato é um fenômeno elétrico ou magnético definitivo. Não existem outras considerações necessárias (Portanto, às vezes ele parecerá ser, para um observador externo, irracional).[10] A única exceção – apenas aparentemente – é quando a satisfação do impulso se opusesse manifestamente à Verdadeira Vontade mais do que se ajudasse a realizá-la; qualquer caso deste tipo deveria ser julgado quanto aos seus méritos.

“Mas sempre a mim”. A palavra sempre não admite nenhuma exceção; “Para Mim” pode ser parafraseado como a “realização de uma possibilidade necessária ao cumprimento da Grande Obra”.[11] Todo ato é um sacramento, mas, contudo com qualidade particular. O texto continua com uma ameaça direta: “ se o ritual não for sempre para mim: então esperai pelos terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!”. Para o profano este sacramento dos sacramentos é o mais fatal dos erros e ofensas, por este ser uma alta traição à própria Grande Obra.

O próximo verso repete: “Se o ritual não for sempre para mim;” e isso é enfatizado e fortalecido com uma ameaça. O ofensor não está mais no livre prazer das carícias da Deusa do Amor; ele é lançado à restrição penal do impiedoso e terrível Deus do Capítulo III.[12]

…Sejais graciosos portanto: vesti-vos todos em finos trajes; comeis ricas comidas e bebeis vinhos doces e vinhos que espumam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde…”. Isto se refere à técnica da arte; isto será explicado mais adiante neste ensaio.

..e com quem quiserdes!”. Isto repete o que já foi dito acima nas notas ao AL, I:41.

O verso 53 afirma a importância deste dogma. A negligência quanto a estas prescrições tem sido responsável pelas agonias intermináveis e insuportáveis, os desastres hediondos e implacáveis do passado.

O Qabalista pode notar que “Para mim!” ao fim deste verso não apenas repete a determinação, mas é um Selo Mágico afixado sobre o dogma. (O verso 54 é uma sugestão para se buscar o segredo).

Nas letras gregas, TO MH somam 418; isto é idêntico a Abrahadabra, a chave da Grande Obra. A meditação deve levar o estudante a considerações ainda mais profundas e mais produtivas.

Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Nem permitis que os tolos confundam o amor; pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus. (AL, I:57)

Beleza e força, gargalhada vibrante e leveza deliciosa, força e fogo, são de nós. (AL, II:20)

22. Eu sou a Cobra que concede Conhecimento e Deleite e glória brilhante, e agito os corações dos homens com embriaguês. Para me adorar tomai vinho e drogas estranhas sobre as quais direi ao meu profeta e com estas embriagai-vos! Elas não vos causarão dano de forma alguma. É uma mentira, esta tolice contra o ser. A exposição da inocência é uma mentira. Sê forte, ó homem! desejai, desfrutai de todas as coisas de sentido e êxtase: não temais que qualquer Deus te negue por isto. (AL, II:22)[13]

Vede! estes são graves mistérios; pois também existem meus amigos que são eremitas. Agora não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas mulheres selvagens com grandes membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelo flamejante ao seu redor; lá vós os encontrareis… (AL, II:24)

Porém vós, ó meu povo, erguei-vos e despertai!
Que os rituais sejam corretamente conduzidos com prazer e beleza!
Há rituais dos elementos e festas das estações.
Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!
Uma festa para os três dias da escrita do Livro da Lei.
Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta – secreta, Ó Profeta!
Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses.
Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa ainda maior para a morte!
Uma festa todo dia em vossos corações no prazer do meu êxtase!
Uma festa toda noite para Nu, e o prazer de extremo deleite!
Sim! festejai! alegrai-vos! não há pavor no porvir. Existe a dissolução, e o eterno êxtase nos beijos de Nu.
(AL, II:34-44)

Estes versos se referem mais uma vez aos resultados do ato; eles indicam os auxiliares da técnica; e eles indicam o estado de espírito no qual eles devem ser abordados. A atitude científica separada de investigação e preparação é preliminar; o objetivo é prever obstáculos, facilitar e direcionar a corrente; porém o próprio impulso é o Entusiasmo.[14]

Existe um véu: esse véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu de tristeza e a mortalha da morte: isto não é de mim. Rasgai aquele falso espectro dos séculos: não veleis os vossos vícios em palavras virtuosas: esses vícios são meu serviço; faze-os bem, e Eu vos recompensarei agora e no futuro. (AL, II:52)

Que Maria inviolada seja dilacerada sobre rodas: por sua causa que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!
Também pela causa da beleza e do amor!
(AL, III:55-56)

O estudante deve assimilar a doutrina dos “Irmãos Negros”[15]. A recusa em satisfazer quaisquer das possibilidades de alguém é uma negação direta da Grande Obra.[16]

Há ajuda e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu poderás suportar mais prazer. Não sejas animal; refina o teu êxtase! Se beberes, bebe pelas oito e noventa regras da arte: se tu amas, excede por delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa prazerosa, que haja sutileza ali!
Mas excede! excede!
Esforça-te cada vez mais! e se tu és verdadeiramente meu – e não duvides disto, e se tu és sempre jubiloso! – morte é a coroa de tudo.
(AL, II:70-72)

Aqui está, em frases simples, um guia completo — em forma estrutural — para a Arte do Amor.

Talento sem técnica é muitas vezes tosco e ininteligível; mas a técnica sem o talento é um esqueleto seco. O talento está lá, ou não está lá; nem bom senso e nem proveito se estiver ausente. Ainda assim alguém pode afirmar que ele sempre está lá, já que “Todo homem e toda mulher é uma estrela”. Em qualquer caso, apenas a técnica responde ao estudo e ao exercício; está escrito que ele “exige tanto estudo quanto a teologia, e tanta prática quanto o bilhar.” Tudo o que alguém pode fazer é (a) se soltar, (b) direcionar o talento latente. Em países hostis à civilização, (horribilesque ultimosque Brittanos), e suas colônias[17], passado e presente[18], a técnica é quase inexistente; indivíduos que a dominam em qualquer grau de perfeição o devem à sua superioridade, em quase todo caso, à instrução e ao treinamento por parte dos nativos de partes do mundo mais felizes e menos bárbaras. Cada tipo de raça ou cultura tem as suas próprias virtudes especiais.

A. Estudo: O estudante deverá pesquisar, ter em mente, e memorizar, clássicos tais como o Ananga-Ranga, o Bagh-i-Muattar de Abdullah el Haji[19], o Kama Shastra, o Kama Sutra, o Jardim Perfumado do Sheik Nefzawi, e certos tratados científicos ou pseudocientíficos (geralmente sobre as deformidades da natureza, ou os abusos da ignorância) de inúmeros autores, em sua maioria, Franceses, Alemães, Austríacos ou Italianos. Entusiasmo Energizado (O Equinócio, V. I, nº 9), é de uma virtude excelente (Liber LXVI, Liber CCCLXX, Liber DCCCXXXI, Liber CLXXV, Liber LCVI e outros, também em O Equinócio, são publicações oficiais da A∴A∴). Também existem vários clássicos sobre o tema, úteis para assimilar a atmosfera romântica e entusiasta adequada para a prática da Arte; podem ser citados por exemplo Catullus, Juvenal (especialmente o Sexto Sátiro), Martial, Petronius Arbiter, Apuleius, Bocaccio, Masucci, François Rabelais, de Balzac (Contes Drolatiques), de Sade (Justine, Juliette, et al.), Andre de Nerciat, Alfred de Musset e Georges Sand (Gamiani; ou Deux nuits d’exces), Sacher Masoch (Venus in Furs), com os ingleses e americanos muito numerosos para listar, mas notavelmente os poetas nas Santas Ordens: Swift, Sterne, Herrick, Donne, e Herbert.

Existe também uma literatura completa sobre misticismo que aborda ou se refere a este assunto; mas este tipo de trabalho é, para o jovem estudante, tão perigoso quanto superficialmente atraente. Ele encoraja o sentimento de culpa, ensina a arte venenosa da auto justificação, e exalta aquela verdadeira hipocrisia que a Liberdade particularmente condena. “Rasgai aquele falso espectro dos séculos.” (AL, II:52).

B. Prática: Nenhum professor, por mais dotado que seja, pode vir a cobrir uma centésima parte do fundamento desta Arte. A melhor instrução é aquela por parte dos peritos, treinados e consagrados; e em seguida, por homens e mulheres com talento natural.

C. Pesquisa Original: Esta deverá ser baseada no conhecimento mais amplo possível, e na mais profunda compreensão do mesmo; e nos resultados do alcance e da intensidade da prática pessoal.

Mas excede! excede!
(AL, II:71)

Mas sempre a mim.
(AL, I:51)

Notas de Rodapé    (↵ voltar)
  1. Os versos citados poderiam ser traduzidos para o português desta maneira: “Nós, meninos e meninas castos, estamos sob a proteção de Diana; nós, meninos e meninas castos, juntos louvamos Diana.”.

    Por favor, observe que o negrito é de Crowley, e ele deve ser significativo para o leitor. Ele considerava este tratado sobre moralidade sexual extremamente importante para as mulheres; ainda demasiado dependentes da conduta correta dos homens. Diana é a forma Romana da Deusa Artemis, a Deusa da Castidade. O tratado, dessa forma, lida com a Castidade Iniciática, que nada tem a ver em absoluto com os conceitos Cristitas, Judaicos, Brâhmanes, Muçulmanos, Budistas ou até mesmo Marxistas sobre este tema. Observe a diferença entre a palavra para “castidade” no Latim Clássico, cujo radical é integer – com seu sentido de inteiro, de integridade – e a palavra para “castidade” no Latim Cristita (que tem sido o padrão imposto pela tortura e genocídio por mil e quinhentos anos), deriva de “castus”, que significa emparedado, fechado, restrito. “Integri” significa integral, completo, sem a falta de parte, função ou membro por natureza: funcionando como um todo harmônico. Um psicossoma integrado poderia ser uma tradução muito precisa dentro do jargão psicanalítico moderno.

    Artemis Iota é leitura obrigatória para os Eremitas de Θελημα de ambos os sexos; para os Iniciados dos Círculos Internos Secretos da O.T.O.; para os Aspirantes da A∴A∴; e para qualquer ser humano interessado em viver uma vida sã e civilizada. Talvez algum dia ela seja leitura obrigatória nos currículos escolares neste mundo; se chegar a ser, este mundo estará muito mais próximo do “Paraíso” do que agora.

    Tente compreender que se espera que você não apenas leia e estude isto, mas que você venha a praticá-lo. Coragem moral, integridade pessoal e — acredite se quiser — autonegação rigorosa são condições sine qua non para a sua prática. Você descobrirá que os princípios aqui expressados são essenciais à saúde física e emocional, para não dizer da moral; e você também descobrirá que estes princípios são ferozmente odiados e combatidos em todos os códigos do Æon passado. As leis do país onde você pode estar vivendo, leitor— e o seu país pode estar em qualquer lugar deste mundo, e seguir qualquer regime político que seja — foram elaboradas para cercear as atividades que aqui você encontra declaradas como sendo não apenas o direito mas também o dever de todo ser vivo, incluindo os humanos. Aqueles regimes são mortais para a alma humana: eles devem ser combatidos e alterados a qualquer custo se for para a nossa espécie progredir para o próximo giro da espiral evolutiva. E uma vez que muito do que você deverá fazer será doloroso para o seu ego, aqueles regimes vão tirar vantagem de seus apegos egoístas e tentarão mantê-lo do lado deles. Você deverá estar sempre em guarda para não cair nesta armadilha. O Sr. Regardie caiu, miserável infeliz!

    Leia! Pense! Seja corajoso! E aja! Pois as intenções que não são confirmadas pelos atos são inúteis. E nocivas para você e a espécie. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar

  2. As referências, a menos que de outra forma declarada, pertencem ao Liber AL vel Legis, a Tábua dos Mandamentos deste Æon. Nota de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  3. Isto simplesmente significa o que é dito. Se você é casado, você não deve ir para a cama com sua esposa ou marido a menos que aprecie isso. Se você é casado, e quiser ir para a cama com um homem ou mulher que não seja o seu cônjuge, deverá fazê-lo sem deixar que o fato de você ser casado interfira na questão. Não há motivo razoável para que deva ser assim. O casamento é um contrato social, não um par de algemas. Acabaram os cintos de castidade. Naturalmente, isso parecerá muito agradável para você enquanto for você quem está “satisfazendo seus instintos naturais”, mas quando for sua esposa, ou marido, ou namorado(a), provavelmente você será tentado a expressar desaprovação. Não o faça. E se você se sentir amuado, tente não fazê-lo na presença da(s) outra(s) pessoa(s). A princípio será muito difícil agir humanamente, mas por fim você será capaz de se erguer acima do nível dos quadrúpedes Cristitas. E, finalmente, você sentirá a diferença. Se você sobreviver. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  4. Gritos de ciúme não manifestam a sua vontade: mas pelo contrário, a falta desta. Lástimas de ciúme não são melhores do que aqueles. Cresça! – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  5. Um sacramento é algo que o marca, e o cria. Assim, se você for um Regardie cuidadosamente censurando Crowley, assim isso o criará. Se você agir como mártir ou tirano para restringir o desejo sexual do seu parceiro por outro alguém, assim isso o criará. Você cria a si mesmo diariamente através dos seus atos. Tente se criar como um ser humano, ao invés de um troglodita! E tenha cautela, pois um humano que nega a sua própria alma, ou restringe a alma dos outros, torna-se algo menor e mais perigoso do que as feras. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  6. Como o escorpião, o ferrão está na cauda: “Mas sempre a mim” significa, sem restringir a vontade de ninguém, ou mesmo de qualquer ser vivente, em absoluto. Se, por exemplo, você decidir trepar com um cachorro — um cachorro de verdade, você sabe, com quatro patas, não um político ou o líder da Maioria Moral de um “evangélico” da TV — seria melhor você se assegurar que o animal não tenha reações negativas na ocasião. (Se você ama os cães, será capaz de perceber se ele quer trepar em você, ou levar uma trepada de você, ou não; e se você não ama os cães, para que você está trepando com um, afinal? Tente lembrar que violar um animal é até mesmo pior do que estuprar um ser humano. O humano pode reagir, pode até mesmo matá-lo; o animal é indefeso nas mãos de um ser mais inteligente – supostamente evoluído em um nível maior). – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  7. O “pequeno mundo minha irmã” é o Planeta Terra – o nosso planeta, caso você ainda não tenha notado; e se você praticar Artemis Iota ao pé da letra, você contribuirá para a regeneração da Mãe Terra, a Mãe de todos nós que vivemos nela, mas apenas uma “pequena irmã” para o Ser que está falando. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  8. Por favor, observe cuidadosamente a justaposição dos versos citados. Nós voltaremos a isso depois de citá-los tal como o foram por Crowley, e na ordem em que foram colocados por Crowley. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  9. Este parágrafo é dirigido tanto aos homens heterossexuais quanto às mulheres homossexuais com uma inclinação para o “papel ativo”; o parágrafo logo acima desta nota é dirigido às mulheres de qualquer que seja sua orientação sexual. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  10. Lembre-se que o observador externo pode ser você! O controle do próprio ego é vital; também, o controle sobre a própria dor ao ver o objeto de amor encontrar prazer no abraço de algum outro ser, pois temos sido ensinados por gerações que a ‘infidelidade’ do nosso amante é pecaminosa’ e, o que é pior, diminui a nossa autoestima. Todo aquele que seguir os preceitos de Artemis Iota estará nadando contra a corrente de centenas de milhares de anos de condicionamento, pois aqueles “códigos morais” não são realmente morais em absoluto: eles são expressões sociais de animais instintivos fingindo serem humanos sob o disfarce de “autoridade divina”. ‘Tu não cobiçarás a mulher do teu próximo’, por exemplo, soa muito educado; mas alguém pediu a opinião da mulher? Eles costumavam apedrejar as “adúlteras” até a morte, você pode recordar. Toda essa hipocrisia e as duas-medidas têm que desaparecer. Você deve fazer um esforço consciente para destruí-las, não importa o quão doloroso isto possa ser para você. Ou para os outros! – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  11. Esta é uma interpretação especializada, para aqueles que se submetem ao treinamento em uma Ordem Iniciática. Uma paráfrase útil para o humano mediano seria “mas sempre de acordo com a vontade de todas as partes envolvidas no ato;” ou, “mas sem prejuízo ao Ecossistema”. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  12. Ele quer dizer capítulo III do Livro da Lei. – Nota de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  13. Direto ao ponto. Este verso citado está em parte avisando de novo, em parte advertindo, e deveria ser uma ampla explicação do porque este tratado é leitura obrigatória para Eremitas de Θελημα. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  14. Os próximos versos citados estão juntos especialmente para a leitora mulher. Um deles já foi citado; mas ele o repete, devido à sua importância. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  15. Aqui, o Sr. Germer adicionou uma nota à edição original: “Vide a Carta 12 deste livro”. – Nota de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  16. Deve-se notar de passagem, para o benefício da leitora mulher mediana, que o movimento feminista está sob constante e insidioso ataque da síndrome de “Maria”. Nós encontramos grupos supostamente feministas tentando banir a pornografia e até mesmo fotos de modelos nas revistas, sem se preocupar em saber se a mulher que participou daqueles empreendimentos obteve satisfação nos mesmos, e expressa sua vontade em participar destes, ou se foram forçadas a fazê-lo, o que parece improvável. Antes da I Guerra Mundial as mulheres que trabalhavam dentro de qualquer outra ocupação que não fosse a de dona de casa eram consideradas suspeitas de serem “imorais,” “promíscuas,” ou “perdidas.” Segundo a definição dos cultos dos Deuses escravos, naturalmente que elas eram. A liberdade sexual não é apenas o direito de qualquer mulher, é também um prazer. O feminismo não odeia os homens, mas um infeliz subproduto deste está sendo usado para influenciar as feministas como um todo para evitar o masculino, ou a atividade sexual com o masculino, exceto nos termos em que, se você observá-los atentamente, diferem dos antigos padrões apenas devido a uma inversão de papéis. Em resumo, as feministas deveriam ser “castas,” e os homens não deveriam desejar uma mulher como um objeto sexual.” Mas o que está errado em desejar alguém como um objeto sexual? Várias vezes eu tenho sido visto como um objeto sexual, algumas vezes felizmente por mulheres, e eu me deliciei o suficiente os procedimentos na cama, sem amarras. A ênfase em não ser considerado como um “objeto sexual” é meramente outra tentativa do inimigo para conduzir as mulheres de volta para a servidão. É muito natural que uma mulher não deva querer ser considerada apenas como um objeto sexual; mas se isso acontecesse com um homem, você acharia sexy o suficiente por uma noite, mas não com um homem com quem você compartilharia toda a sua vida, e então? Infelizmente, este assunto é muito complexo para se prolongar aqui. As feministas deveriam ter cautela quanto a quaisquer tendências que restrinjam sua vida sexual pelo “respeito” aos padrões artificiais de “dignidade,” ou conceitos abstratos sobre o que é ser uma feminista. Uma feminista certamente quer fazer muito mais coisas do que trepar; mas, a menos que trepar esteja incluído no seu programa, irmãs, e ainda mais trepar com homens, serei levado a suspeitar dos seus propósitos. Crowley repete a seguir vários outros versos, desta vez para enfatizar a técnica sexual. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  17. A frase em Latim significa aqui: “Bretanha, o mais horrível de todos”. Entretanto, do que pode ser lido, mesmo dentro de sua própria propaganda, parece que a Rússia Soviética e a China Vermelha não estão muito atrás. – Nota de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar
  18. Isto envolve o bom e velho E.U.A., meninos e meninas. E a Austrália. E o Canadá. E a Nova Zelândia. E a Irlanda. E… – Comentário de Marcelo Ramos Motta ↵ voltar
  19. Veja O Equinócio V. 4, subtítulo Sexo e Religião, para isso. – Comentário de Marcelo Ramos Motta. ↵ voltar

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Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ

Título Técnico: Liber DCLXVI - Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ
Comentários: Marcelo Ramos Motta
Tradução: Arnaldo Lucchesi Cardoso
Revisão: Nina Castro
Edição: Jonatas Lacerda
Versão: 1.0 – 04/09/2011 e.v.
Nota:

Liber 666, Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ é uma instrução em ética sexual originalmente direcionada aos membros da Loja Agape da O.T.O. e foi incluído como anexo da 15ª carta publicada no livro Magia Sem Lágrimas (Magick Without Tears) de Aleister Crowley. De acordo com Gerald Yorke (arquivista proeminente dos materiais Aleister Crowley), o manuscrito deste livro o colocava em Classe B. A presente versão utilizou como base diversas edições do Magick Without Tears e traz alguns comentários de Marcelo Ramos Motta (realizados em sua edição, Magick Without Tears Unexpurgated Commented), não foram adicionados comentários em que Motta fazia referência à edição de Israel Regardie. Regardie suprimiu diversas partes do texto original (o que é extremamente condenável), mas não vemos motivos para continuar dando demasiada ênfase ao fato, o importante é o esforço para levar o texto completo ao leitor.


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Aleister Crowley

Aleister Crowley, nascido Edward Alexander Crowley (12/10/1875, Royal Leamington Spa, Warwickshire, Inglaterra - 01/12/1947, Hastings, East Sussex, Inglaterra), ocultista britânico e Profeta do Novo Æon de Hórus.

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