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Liber CLXI – Com Relação à Lei de Thelema

por J. B. Mason em Lei de Thelema, Novo Æon, Organizações

Liber CLXI – Com Relação à Lei de Thelema
Metodologia

Liber CLXI – Com Relação à Lei de Thelema

por J. B. Mason

 

O.T.O.

EMITIDO POR ORDEM DE

Assinatura, Baphomet XIº O.T.O.

XI° O.T.O.
HIBERNIÆ IONÆ ET
OMNIUM BRITANNIARUM
REX SUMMUS SANCTISSIMUS

 

UMA EPÍSTOLA ESCRITA AO PROFESSOR L— B— K— que também aguardou pelo Novo Æon, com relação à O.T.O. e sua solução de diversos problemas da Sociedade Humana, particularmente aqueles relacionados à Propriedade, e agora reimpressa para Circulação Geral.

 

Meu Caro Senhor,

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Eu fiquei feliz em receber sua carta de consulta a respeito da Mensagem do Mestre Therion.

Deve ter lhe chocado, naturalmente, o fato de que na superfície há pouca distinção entre a Nova Lei e os princípios da Anarquia; e você pergunta, “Como a Lei deverá ser cumprida no caso de dois garotos que querem comer a mesma laranja?” Contudo, uma vez que apenas um garoto (em geral) pode comer a laranja, é evidente que um deles está errado ao supor que é essencial à sua Vontade comê-la. A questão será decidida pelo bom e velho método de lutar por ela. Tudo o que pedimos é que a luta seja conduzida de maneira cavalheiresca, com respeito à coragem do vencido. “Como irmãos lutai!” Em outras palavras, existe apenas esta diferença no nosso estado atual de sociedade, que as maneiras foram aprimoradas. Existem muitas pessoas que são escravas naturalmente, que não tem estômago para lutar, que docilmente entrega tudo a qualquer um forte o suficiente para tomá-lo. Estas pessoas não conseguem aceitar a Lei. Também isso é entendido e previsto em O Livro da Lei: “Os escravos servirão”. Contudo é possível para qualquer escravo aparente provar sua autoridade combatendo os seus opressores, mesmo como agora; mas ele tem esta chance adicional no nosso sistema, que a sua conduta será observada com um olhar favorável pelas nossas autoridades, e a sua valentia recompensada com a admissão às fileiras de categoria superior. Também, serão aplicadas regras honestas com ele.

Você poderá agora perguntar como tais arranjos são possíveis. Existe apenas uma solução para este grande problema. Sempre tem sido aceito que a forma ideal de governo é aquela do “déspota benevolente”, e os despotismos falharam somente porque é impossível na prática garantir a boa vontade daqueles no poder. As regras cavalheirescas, e aquelas do Bushido no Oriente, ofereceram a melhor chance para desenvolver governantes do tipo desejado. A regra de Cavalaria falhou principalmente porque foi confrontada com novos problemas; hoje em dia sabemos perfeitamente quais eram aqueles problemas, e somos capazes de resolvê-los. É geralmente compreendido por todos os homens de educação que o bem estar geral é necessário para o mais alto desenvolvimento do particular; e que os problemas da América são em grande parte devido ao fato de que os homens no poder são muitas vezes totalmente desprovidos de toda educação geral.

Eu chamaria a sua atenção para o fato de que muitas ordens monásticas, tanto na Ásia quanto na Europa, conseguiram sobreviver a todas as mudanças de governo, e assegurar vidas agradáveis e úteis para os seus membros. Mas isso tem sido possível apenas porque a vida restrita era exigida. Contudo, havia ordens de monges militares, como os Templários, que cresceram e prosperaram extremamente. Você se recorda que a Ordem do Templo somente foi derrubada devido a um coup d’état[1] traiçoeiro por parte de um Rei e de um Papa que viram seu programa reacionário, obscurantista e tirânico ser ameaçado por aqueles cavaleiros que não hesitaram em adicionar a sabedoria do Oriente à sua própria ampla interpretação do Cristianismo, e que representavam naquele tempo um movimento em direção à luz do aprendizado e da ciência, que foi trazido à realização no nosso próprio tempo pelos trabalhos dos Orientalistas de Von Hammer-Purgstall e Sir William Jones até o Professor Rhys Davids e Madame Blavatsky, para não citar filósofos tais como Schopenhauer, por um lado; e pelos esforços heroicos de Darwin, Huxley, Tyndall, e Spencer, por outro.

Eu não tenho compaixão por aqueles que clamam contra a prosperidade, como se o que todos os homens desejam fosse necessariamente mal; o instinto natural de todo homem é possuir, e enquanto o homem permanecer neste estado de espírito, as tentativas de destruir a propriedade deverão ser não apenas inúteis, mas perniciosas para a comunidade. Não há clamor contra os direitos de propriedade onde a sabedoria e a afabilidade a governam. O homem mediano não é tão irracional quanto o demagogo, pelos seus fins egoístas, fingimentos. Os grandes nobres de todos os tempos em geral foram capazes de criar uma família feliz de seus dependentes, e lealdade inequívoca e devoção tem sido a sua recompensa. O segredo tem sido principalmente este, que eles se consideravam nobres tanto por natureza quanto pelo nome, e achavam que seria uma vergonha inaceitável para eles mesmos se qualquer detentor deste título enfrentasse uma desgraça desnecessária. Falta este sentimento ao novo-rico dos nossos dias; ele deve tentar provar constantemente a sua superioridade exibindo o seu poder; e a aspereza é a sua única arma. Em qualquer sociedade onde cada pessoa tem o seu lugar atribuído, e ocupa aquele lugar com sua própria honra especial, nascem o respeito mútuo e o autorrespeito. Todo homem é um rei ao seu próprio modo, ou pelo menos herdeiro de algum reinado. Nós temos muitos exemplos de tal sociedade hoje em dia, notavelmente universidades e todas as associações desportivas. A equipe N° 5 de Harvard não olha para trás no meio da corrida para repreender a equipe N° 4 meramente por ela estar na posição N° 4; nem o arremessador e o apanhador insultam um ao outro porque suas tarefas são diferentes. Deve-se notar que, onde quer que o trabalho em equipe seja necessário, a tolerância social é essencial. O soldado comum está usando um uniforme tanto quanto o seu oficial, e em qualquer exército adequadamente treinado ele é instruído sobre suas próprias normas de honra e autorrespeito. Este sentimento, mais do que a mera disciplina ou a posse de armas, torna o soldado mais do que um equivalente moral para um homem que não está assim investido de reverência adequada por si mesmo e a sua profissão.

Universitários que passaram por algum tipo de crise de privações ou tentação muitas vezes me contaram que o sustento para a sua resistência foi a “velha loja”. Muito disso é evidentemente sentido por aqueles que falam de restabelecer as velhas corporações comerciais. Porém temo estar divagando.

Entretanto, agora eu coloquei diante de você os pontos principais da minha tese. Precisamos ampliar para toda a sociedade o sentimento peculiar que se obtém nas nossas instituições mais bem sucedidas, tais como os serviços, as universidades, os clubes. Céu e inferno são estados da mente; e se o demônio for realmente soberbo, seu inferno poderá machucá-lo um pouco.

É isso, então, que eu desejo enfatizar: aqueles que aceitam a Nova Lei, a Lei do Æon de Hórus, a criança coroada e conquistadora que substitui na nossa teogonia a vítima do destino sofredora e desesperada, a Lei de Thelema, que é Faze o Que Tu Queres, aqueles que a aceitam (eu digo) sentem-se imediatamente sendo reis e rainhas. “Todo homem e toda mulher é uma estrela” é a primeira declaração de O Livro da Lei. No panfleto A Lei de Liberdade, este tema é ornamentado com um cuidado considerável, e eu não o incomodarei com mais citações.

Você logo dirá que o estado de mente celestial assim induzido dificilmente poderá resistir à fome e ao frio. Este pensamento também ocorreu ao nosso fundador, e eu me empenharei para colocar à sua frente a estrutura do seu plano para impedir tal desgraça (ou pelo menos tal ordálio) de seus adeptos.

Em primeiro lugar ele se valeu de certa organização da qual lhe foi oferecido o controle, a saber, a O.T.O.. Esta grande Ordem aceitou a Lei imediatamente, o que foi justificado pela súbita e grande renovação das suas atividades. A Lei foi outorgada ao nosso fundador há doze anos; a O.T.O. foi entregue às suas mãos oito anos depois, no ano de 1912, era vulgar. Não se deve supor que ele estava inativo durante o período anterior; mas ele era muito jovem, e não tinha ideia de como tomar medidas práticas para estender o Domínio da Lei: ele continuou nos seus estudos.

Entretanto, com o súbito crescimento da O.T.O. de 1912 e.v. em diante, ele começou a perceber um método para por a Lei na prática em geral, de tornar possível a homens e mulheres viver de acordo com os preceitos estabelecidos em O Livro da Lei, e para realizar as suas vontades; eu não quero dizer para satisfazer as suas fantasias passageiras, mas para fazer aquilo para o que eles foram designados pelo seu próprio destino maior. Pois neste universo, desde que esteja em equilíbrio e a soma total das suas energias seja, portanto zero, toda força ali é igual e oposta ao resultado de todas as outras forças combinadas. Portanto, o Ego sempre é exatamente igual ao Não-Ego, e a destruição de um átomo de hélio seria tão catastrófica para a conservação da matéria e energia como se um milhão de esferas fossem aniquiladas pela vontade de Deus. Estou bem consciente que a partir deste ponto você poderá me fazer superar sutilmente a armadilha da Controvérsia sobre o Livre Arbítrio; você poderá tornar difícil para mim até mesmo dizer que é melhor satisfazer o destino de alguém conscientemente e alegremente como uma pedra; mas eu sou cauteloso. Eu voltarei à simples política e ao senso comum.

O nosso Fundador, então, quando pensou sobre este assunto a partir de um ponto de vista puramente prático, se lembrou daquelas instituições com as quais estava familiarizado, que prosperaram. Ele se lembrou de monastérios como Monsalvat, de universidades como Cambridge, de clubes de golfe como o Hoylake, de clubes sociais como o Cocoa-Tree, de sociedades cooperativas e, tendo residido temporariamente na América, dos grupos de Empresas Comerciais. Na sua mente ele expandiu cada um destes até a sua enésima potência, ele as combinou como hábil químico que era, ele considerou suas perfeições e suas limitações; em uma palavra, ele meditou profundamente sobre todo o assunto, e  ele concluiu com a visão de uma sociedade perfeita.

Ele vislumbrou todos os homens livres, todos os homens prósperos, todos os homens respeitados; e ele plantou a semente da sua Utopia ao ceder a sua própria casa para a O.T.O., a organização que viria a operar o seu plano, sob certas condições. O que ele havia previsto aconteceu; ele era proprietário de uma casa; ao entregá-la ele se tornou proprietário de mil casas. Ele entregou o mundo, e o encontrou aos seus pés.

Eliphas Lévi, o grande mago da metade do século passado, cuja filosofia tornou possível o extraordinário florescimento da literatura na França nos anos 50 e 60 através da sua doutrina de autossuficiência da Arte (“Um estilo excelente é uma aura de santidade” é uma frase sua), profecias do Messias numa passagem notável. Será percebido que o nosso fundador, nascido como foi para a nobreza, cumpriu a profecia.

Eu não tenho o volume ao meu lado, vivendo como estou essa vida de ermitão em New Hampshire, mas o seu ponto fundamental é que Reis e Papas não têm poder para redimir o mundo porque eles vivem cercados de esplendor e dignidade. Eles possuem tudo o que os outros homens desejam e, portanto as suas motivações são suspeitas. Se qualquer pessoa de posição, diz Lévi, insistir em viver uma vida de privações e contratempos quando esta poderia fazer o contrário, então os homens confiarão nela, e ela será capaz de executar seus projetos para o bem geral da comunidade. Mas este deverá ser naturalmente cauteloso para não relaxar nas suas austeridades enquanto seu poder aumenta. Torne poder e esplendor incompatíveis, e o problema social estará resolvido.

“Quem é aquele homem em farrapos roendo uma casca seca lá naquela cabana?” “Ele é o Presidente da República”. Fosse honra o único bem possível a ser recebido pelo exercício do poder, o homem no poder lutaria apenas pela honra.

Temos acima um caso extremo; ninguém precisa ir tão longe hoje em dia; e é importante que o Presidente esteja acostumado com tartaruga marinha e galinhola assada antes de entrar na política.

Você perguntará como isso foi estruturado, e como funciona o sistema inaugurado por ele. É simples. Autoridade e prestígio são absolutos na Ordem, porém enquanto os graus inferiores oferecem aumento de privilégio, os superiores oferecem aumento de serviço. O poder na Ordem depende, portanto, diretamente na boa vontade de ajudar os outros. Tolerância também é ensinada nos graus superiores; de forma que ninguém pode ser até mesmo um Inspetor da Ordem a menos que ele esteja igualmente bem receptivo a todos os tipos de opinião. Você pode ter seis esposas ou nenhuma; mas se tiver seis, você é solicitado a não deixá-las falar todas de uma vez, e se não tiver nenhuma, você é solicitado a evitar aborrecer as outras pessoas com discursos inflamados sobre a sua própria virtude. Esta tolerância é ensinada através de um curso peculiar de instrução cuja natureza seria imprudente tanto quanto impertinente revelar; eu lhe peço para aceitar a minha palavra de que ele é eficiente.

Com esta preparação, é fácil perceber que a intolerância e a pretensão são impossíveis; pois o exemplo praticado pelos membros dos graus superiores universalmente respeitados é contra isso. Eu posso adicionar que os membros estão unidos pela participação em certos mistérios, que conduz a um clímax sintético no qual um único segredo é comunicado, cuja natureza é tal que tornará inerte para sempre toda divisão naquelas causas férteis de disputa, sexo e religião. A posse deste segredo confere aos membros qualificados a ele a calma da autoridade que o perfeito respeito, que é seu dever, jamais os deixará fracassar.

Logo, você observa a irmandade convivendo unida; e você quer saber se o desejo de posse não poderia provocar a divisão. Pelo contrário, esta questão tem sido uma excelente causa de prosperidade geral.

Na maioria dos casos a propriedade é desperdiçada. Uma pessoa tem seis casas; três continuam sem alugar. Uma pessoa possui 20 por cento das ações de certa empresa; e é excluída pela pessoa com 51 por cento.

Existem mil perigos e desvantagens na posse dos bens deste mundo, que devastam os cabelos daquele que se apega a eles.

Na O.T.O. todo este problema é evitado. Tal propriedade, como qualquer membro da Ordem venha a desejar, é transferida para os Grandes Oficiais seja como um presente ou em custódia. No último caso ela é administrada em favor do interesse do doador. Estando assim a propriedade em um fundo comunitário, imensas economias são obtidas. Um advogado faz o trabalho de cinquenta; os agentes imobiliários alugam as casas ao invés de apenas fazer lançamentos enganosos nos livros de registro; a O.T.O. controla a empresa ao invés de uma meia dúzia de acionistas isolados e impotentes. Qualquer coisa que a O.T.O. determine que deva fazer, ela o fará com todo o seu poder; ninguém ousará se opor ao poder de uma corporação assim centralizada, assim ramificada. Tornar-se um membro da O.T.O. é atrelar o seu vagão a uma estrela.

Mas, e se você for pobre? Se você não tiver propriedade? Ainda assim a O.T.O. lhe ajudará. Sempre haverá casas desocupadas que você poderá tomar conta isento de aluguel; existe a certeza de emprego, se você o desejar, por parte de outros membros. Se você mantém uma loja, pode estar certo que os membros da O.T.O. serão seus clientes; se você é um médico ou um advogado, eles serão seus clientes. Você está doente? Os outros membros correrão para o seu leito para perguntar quais são as suas necessidades. Você necessita de companhia? Uma Casa de Acompanhantes da O.T.O. estará aberta para você. Você precisa de um empréstimo? O Tesoureiro-Geral da O.T.O. está autorizado a lhe oferecer, sem juros, um valor até o total do seu salário e subscrições. Você está viajando? Você tem direito à hospedagem do Mestre de uma Loja da O.T.O. por três dias em qualquer localidade. Você está ansioso quanto à educação dos seus filhos? A O.T.O. os preparará para a batalha. Você está em disputa com um irmão? O Grande Tribunal da O.T.O. conduzirá a arbitragem, isento de cobrança, entre vocês. Você tem pouco tempo de vida? Você tem o poder de deixar a quantia total que pagou à Tesouraria da O.T.O. para quem quiser. Seus filhos ficarão órfãos? Não; pois eles serão adotados se você desejar pelo Mestre da sua Loja, ou pelo Grande Mestre da O.T.O..[2]

Em resumo, não existe circunstância na vida em que a O.T.O. não seja a espada e o escudo.

Você ficou surpreso? Você responderia que isso só seria possível pela generosidade, por caridade divina do superior em relação ao inferior, do rico em relação ao pobre, do grande em relação ao pequeno? Você está mil vezes certo; você compreendeu o segredo da O.T.O..

O fato de que tais qualidades possam florescer numa comunidade ampliada pode surpreender tão eminentemente e profundamente um estudante da natureza humana como você; ainda assim proliferam exemplos de práticas dentre as mais antinaturais e repugnantes para a humanidade que tem se prolongado através dos séculos. Eu não necessito lhe lembrar de Jaganath e dos sacerdotes de Attis, como casos extremos.

A fortiori[3], então, deve ser possível treinar homens para a independência, a tolerância, a nobreza de caráter e para boas maneiras, e tudo isso é feito na O.T.O. por meio de certos métodos muito eficazes que (pois eu não arriscarei cansá-lo mais) eu não descreverei. Além do mais, eles são secretos. Mas acima deles está o incentivo supremo; o progresso na Ordem depende quase totalmente da posse de tais qualidades, e sem isso é impossível. Sendo o Poder o principal desejo do homem, é necessário apenas para tal condição que a sua posse não sofra abuso. Riqueza não importa para a O.T.O.. Além de certo grau toda propriedade convertível em espécie, com certas exceções óbvias – coisas de uso diário e similares – deve ser transferida para a O.T.O.[4]. A propriedade pode ser desfrutada de acordo com a dignidade do adepto de tal grau, porém ele não pode deixá-la inativa ou sequestrá-la do bem comum. Ele pode viajar, por exemplo, como viaja um magnata das ferrovias; mas ele não pode prejudicar a comunidade estacionando seu carro particular ocupando as quatro linhas principais.

Mesmo a superioridade intelectual e a capacidade executiva são um tanto irrelevantes na Ordem. Invariavelmente se encontra trabalho para pessoas de posse destas qualificações, e elas alcançam uma alta posição e reconhecimento pelo seu mérito; mas não progresso na Ordem, a menos que elas mostrem talento para governar, e isso será demonstrado muito mais pela nobreza de caráter, firmeza e suavidade, tato e dignidade, honra elevada e boas maneiras, aquelas qualidades (em resumo) que são, nas melhores mentes, predicados naturais da palavra ‘cavalheiro’. O conhecimento deste fato não apenas inspira confiança nos membros mais jovens, mas os induz a imitar os seus irmãos mais velhos.

A fim de apreciar o funcionamento real do sistema, é necessário visitar as nossas Casas de Acompanhantes. (Espera-se que alguma seja estabelecida em breve nos Estados Unidos da América.) Algumas são como os castelos dos barões medievais, algumas são simples cabanas; o mesmo clima governa todas. É o da perfeita hospitalidade. Cada um é livre para fazer o que quiser; e a magnificência deste prazer é tal que o hóspede será cauteloso para evitar perturbar o igual direito dos outros. Ainda assim, sendo suprema a autoridade do Abade da Casa, qualquer falha na observância desta regra é tratada com o rigor apropriado. Tal caso não pode surgir realmente, a menos que as circunstâncias estejam demasiadamente fora do comum; pois o período de hospitalidade é estritamente limitado, e as prorrogações dependem da boa vontade do Abade. Naturalmente, como são necessários todos os tipos para se criar um mundo – e nós nos regozijamos naquela diversidade que torna a nossa unidade um milagre tão raro – algumas Casas de Acompanhantes satisfarão a um tipo de pessoa, e outras a outro tipo. Os semelhantes aprenderão a conviver entre si. Contudo, se o bem estar da Ordem e o estudo dos seus mistérios estiver no coração de cada membro da Ordem, inevitavelmente há um solo comum, no qual todos podem se reunir.

Temo que eu tenha exaurido a sua paciência com esta carta e lhe peço para me desculpar. Mas como você sabe, a boca fala inspirada pela abundância do coração… você está perfeitamente certo de replicar que não é necessário falar muito!

Sem mais a acrescentar, além da nossa feliz saudação a todos os homens:

Amor é a lei, amor sob vontade.

Eu sou, caro senhor,

Seu nos Laços da Ordem,

J. B. MASON

Notas de Rodapé    (↵ voltar)
  1. Coup d’état: do francês, “Golpe de Estado”. – Nota do Tradutor. ↵ voltar
  2. Muitos desses pontos não são simples de ser praticados e é difícil dizer que qualquer organização que tenha como fito a divulgação da Lei de Thelema, tenha este modelo de atuação, pois a maior parte está na esfera do idealismo. Nota do Editor. ↵ voltar
  3. A Fortiori, do francês: “tanto mais”. – Nota do Tradutor. ↵ voltar
  4. Mesmo que esta aplicação fosse totalmente possível em uma organização Thelêmica, ela jamais poderia obrigar esta regra a quaisquer membros. No Æon Hórus é esperado que cada ser humano tome total responsabilidade por cada um de seus atos e que ele seja o Rei (ou Rainha) de sua própria vida e portanto, a decisão de colocar ou não seus bens sob os cuidados de uma organização (Thelêmica ou não) cabe somente a ele, sem quaisquer interferências. “Toda cosmografia implica em algum tipo de teoria ética. O Æon de Osíris foi sucedido pelo de Hórus. Uma vez que a Fórmula Mágica do Æon não é mais a do Deus Moribundo, mas a da Criança Coroada e Conquistadora, consequentemente a humanidade deverá governar a si mesma.” – Aleister Crowley em suas Confissões. Nota do Editor. ↵ voltar

© 2017 e.v. - O.T.O. - Ordo Templi Orientis





Liber CLXI – Com Relação à Lei de Thelema

Tradução: Arnaldo Lucchesi Cardoso
Revisão: Nina Castro
Edição: Jonatas Lacerda
Versão: 1.0 – 28/08/2011 e.v.

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J. B. Mason

J. B. Mason escreveu o "Livro 161, Com Relação à Lei de Thelema" e algumas autoridades, da própria O.T.O. afirmam que na verdade este era um pseudônimo adotado por Baphomet XIº, Aleister Crowley.

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