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O Comentário de Djeridensis

por Aleister Crowley em Comentários do Livro da Lei

O Comentário de Djeridensis

O Comentário de Djeridensis

Sigillum Sanctum Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴

Metodologia

O Comentário de Djeridensis

por Aleister Crowley

Capítulo I

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.
Oásis de Nefta—Tunísia—Hotel du Djérid.
Ano Xix Sol em 26.5° Libra, Lua em conjunção com Urano em 14° de Peixes.

1. Had! A manifestação de Nuit.
Nuit definida
Nuit é tudo o que pode existir, e é mostrada através de qualquer coisa que exista.

2. O desvelar da companhia do céu.
Panteísmo de AL.
O Livro da Lei apresenta todas as coisas como Deus.

3. Todo homem e toda mulher é uma estrela.

4. Todo número é infinito; não há diferença.
Virtudes da Alma.
Todas as coisas são capazes de conhecer tudo; todos são iguais nisso, no final de tudo.

5. Ajuda-me, ó senhor guerreiro de Tebas, no meu desvelar perante os Filhos dos homens!
Missão de Aleister Crowley, a Besta 666.
Eu, a Besta, o Homem Aleister Crowley cujo número é 666, ajuda a mostrar esta verdade aos homens.

6. Sede tu Hadit, meu centro secreto, meu coração e língua!
666 como Artista.
Eu sou o Ponto de Vista (como o do artista) pelo qual Nuit pode ser vista por todos; pois eu sou o Seu pensamento mais íntimo, seu sentido e sua Voz.

7. Vede! isto é revelado por Aiwass o ministro de Hoor-paar-kraat.
Meu Santo Anjo Guardião Aiwass: Sua Natureza e Ofício, AL sua Palavra.
Meu Anjo disse a Sua canção no meu ouvido. Ele é Aiwass, que é a Palavra da Lei e também o seu modo de ação. Ele serviu ao Silêncio através da sua fala, que silenciou os sons perversos, não conhecidos nem misturados em uma melodia.

8. O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.

9. Adorai então o Khabs, e contemplai minha luz derramada sobre vós!
A Natureza da Humanidade.
A essência do Homem e da Mulher – cada um sendo uma Estrela ou Deus soberano sustentado no Espaço por seu próprio ato – é revestida por pensamentos e ações conforme a sua Natureza, e ocultada por estes.Esta essência é totalmente respeitável; adore-a, e a luz de tudo o que possa ser será derramada sobre você.

10. Que os meus servidores sejam poucos e secretos: eles governarão os muitos e os conhecidos.
Os Mestres da Humanidade definidos.
Aqueles que adoram e amam todas as coisas igualmente, por aquilo que elas são em Verdade, ainda são muito poucos, e não são conhecidos pelos homens. Além de ser livres do medo e do desejo, o seu poder controla os muitos [originalmente “multidão”] cujas almas estão sujeitas ao limite, o limite do conhecimento, que é sempre dois, e que pode ser contado.

11. São tolos esses aos quais os homens adoram; tanto os seus Deuses quanto os seus homens são tolos.
O Segredo do Governo.
Os homens adoram Nada, embora eles julguem Nada como Deus e Homem; logo o Tolo Puro os rege, e os salva do conhecimento ordinário, que é falso.

12. Avançai, ó crianças, sob as estrelas, e tomai a vossa plenitude de amor.
A Natureza de um Ato: sua virtude.
Todos os atos são na verdade atos de Amor. Realize todos os Amores que possam existir, ao máximo. Que isto seja na Luz, perante todas as Estrelas, que todas possam ver e regozijar.

13. Eu estou sobre vós e em vós. O meu êxtase está no vosso. O meu prazer é ver o vosso prazer.
Nuit expressada em um Eidolon.
Nuit é concebida na Imagem de uma Mulher, para que Ela possa ser o símbolo de todas as maneiras de tomar parte no Amor.

Sua relação com a Humanidade.
Ela é o nosso Objetivo e a essência de Vontade do nosso próprio coração.

Seu Prazer Materno como Natureza.
Ela é a Natureza, que é feliz com o nascimento de tudo o que surge.

14. Acima, o adornado azul-celeste é
O esplendor nu de Nuit;
Ela se curva em êxtase para beijar
Os ardores secretos de Hadit.
O globo alado, o azul estrelado,
São meus, Ó Ankh-af-na-khonsu!

O Segredo do Prazer.
A Ama do Homem se inflama em Amor até os Espaços mais remotos das Estrelas, e tem o seu prazer de todas elas.

Todos os eventos são filhos de Nuit.
Todo evento de fato completa algum Amor, e cada um é a partir de então do Corpo de Nuit, que é evento como a Sua Alma é Desejo de gerar, e a chance de fazê-lo.

15. Agora vós sabereis que o sacerdote e apóstolo escolhido do espaço infinito é o príncipe-sacerdote a Besta; e na sua mulher chamada a Mulher Escarlate todo o poder é concedido. Eles deverão reunir minhas crianças em sua congregação: eles deverão trazer a glória das estrelas para os corações dos homens.
A Missão de 666 e sua mulher. Sua Natureza & Função. Ela é a Mulher Escarlate, Η ΚΟΚΚΙΝΑ ΓΥΝΗ, 667, assim como ele é ΤΟ ΜΕΓΑ ΘΗΡΙΟΝ, A Grande Besta Selvagem 666.
Eu, A Besta 666, sou chamado para mostrar esta adoração e enviá-la para o mundo; por minha Mulher chamada de Mulher Escarlate, que é qualquer mulher que receba e transmita a minha Palavra e meu Ser Solar, esta é a Minha Obra realizada; pois sem a Mulher o homem não tem qualquer poder. Por Nós que todos os homens aprendam que tudo o que pode ser é o seu Caminho de Prazer para que prossigam; e que todas as almas são da Alma de Luz Verdadeira.

16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas é para ele a chama alada secreta, e para ela a luz estelar arqueada.
A Nossa Função mostrada em uma Imagem.
Eu sou um Sol, propagando Luz e Vida; mas ela é o seu guia na escuridão, tornando-os puros, simples de coração, despertos para o Altíssimo.

Os Nossos Poderes.
Eu tenho o poder de acender na minha mente a Essência da Alma Abstrata; ela tem o poder de levar tudo o que possa ser estimado e próximo e claro aos homens e mulheres, de modo que todos possam encontrar o seu prazer em tudo.

17. Porém vós não sois assim escolhidos.
666 e 667 separados para esta Obra.
Apenas eu e a minha mulher somos escolhidos para esta obra; todos os outros são mais eficientes e verdadeiros enquanto buscam Nuit no seu próprio Caminho.

18. Arde sobre suas sobrancelhas, ó serpente esplendorosa!
As Ideias Divinas reveladas neste Livro. AL invocado sobre 666 e 667.
A Serpente Real de Sabedoria tendo o poder e o direito sobre a Vida e a Morte, a energia infinita da Mágica, arde sobre nossas sobrancelhas.

19. Ó mulher coberta de azul, curva-te sobre eles!
A Alma do Espaço está curvada sobre nós, de modo que possamos mostrar todas as coisas igualmente para todos como o Caminho do Prazer.

20. A chave dos rituais está na palavra secreta que Eu dei a ele.
A Chave da Mágica do Novo Æon de Heru-Ra-Ha.
O Método da Magia é explicado na Palavra Abrahadabra, cujo poder eu declaro e cujo segredo eu exponho em outros escritos.

21. Com o Deus e o Adorador Eu nada sou; eles não me veem. Eles estão assim sobre a terra; Eu sou Céu, e não há outro Deus além de mim e de meu senhor Hadit.
Nuit, além disso, definiu a Sua relação com os Deuses, Homens, Céu, Terra, e com o Seu Senhor Hadit.
Nuit não é percebida por qualquer Deus ou Homem; pois eles são Eventos fixos, eles são Fatos, enquanto que Ela é o eterno vir a ser. Portanto Ela deve ser considerada com dignidade, ela e aquele Ser que possa desfrutar do seu Amor; não busque aqueles prazeres que, sendo momentâneos, cessam de exalar êxtase.

22. Agora, portanto, Eu sou conhecida entre vós pelo meu nome Nuit, e por ele através de um nome secreto que Eu lhe darei quando finalmente me conhecer. Uma vez que Eu sou o Espaço Infinito e as Infinitas Estrelas deste, fazei vós também assim. Nada ateis! Que não se faça diferença entre vós e uma coisa e qualquer outra coisa; pois disto resulta dor.
Seu Nome: 666 é ensinado como um nome ainda mais sagrado.
Nuit é o nome pelo qual esta Ânsia pela Luz Estelar deverá ser conhecida pelos homens; para mim a Besta ela deu um Nome secreto naquela Grande Noite na qual eu vim aperfeiçoar a Unidade [originalmente “União”] com Todas as coisas que possam ter existência.

Nuit definiu mais. Realidade e ilusão: o Ninguém, o Um, os Muitos & o Todo, identificados através Dela.
Nuit é Espaço além da ideia de Limite ou Medida; Ela é também Todos os Pontos de Vista não menos que Todas as Perspectivas vistas dali. Não vincule nada, pois todas as coisas pertencem igualmente a ela, e a sua Natureza é compor Tudo em Um e Nada. Uma coisa está no fim como todo o resto; o fato de não parecer igualmente vem como um sonho de escolher imagens conforme pede o coração a fim de adorá-las; então cada uma, embora verdadeira como sendo uma parte do Todo, é falsa se considerada como estando separada do resto.

23. Mas todo aquele que se beneficie nisto, que seja o mestre de todos!
A compreensão deste Mistério é a Chave para a Liderança.
Ele é o chefe de todos que não é iludido nesta armadilha de estabelecer limites para as coisas, pela qual ele blasfema contra cada um, e torna todos falsos.

24. Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinquenta.
Nuit: em Seu Nome estão ocultos segredos da Verdade.
Nuit é conhecida pela Palavra de um Enigma de Letra e Número: isso eu também esclarecerei em outros escritos.

25. Dividi, somai, multiplicai e compreendei.

26. Então disse o profeta e escravo da bela: Quem sou Eu, e qual deverá ser o sinal? Então ela respondeu a ele, curvando-se, uma suave chama azul, toda tocante, toda penetrante, suas amáveis mãos sobre a terra negra, e seu corpo gracioso arqueado para o amor, e seus pés macios não machucando as pequeninas flores: Tu sabes! E o sinal será o meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença do meu corpo.
Nuit prova a Aleister Crowley que ele é na verdade 666 através de um enigma e um Sinal.
Eu, perguntando a Nuit: Quem sou Eu, e qual será o sinal? (de que eu sou quem sou) fui respondido através de um Enigma, de modo que eu pudesse ter certeza de que a resposta veio Dela e não da minha própria mente, de que eu era 666. O sinal também foi mostrado a mim em um Enigma, tanto quanto no Inglês do Texto. Eu abordarei estes assuntos em outra parte.

27. Então o sacerdote respondeu e disse à Rainha do Espaço, beijando as suas amáveis sobrancelhas, e o orvalho da sua luz banhando todo o seu corpo com um perfume adocicado de suor: Ó Nuit, contínua do Céu, que seja sempre assim; que os homens não falem de Ti como Uma, mas como Nenhuma; e que eles não falem de ti de modo algum, posto que tu és contínua!
666 pede a Nuit para que Ela Se revele aos Homens.
Eu a chamei “Ó Nuit, contínua do Céu” – o que é um prodígio da Natureza Mais Íntima do Número como eu mostrei em outro Comento – e supliquei para que os homens pudessem vir a pensar Nela não como Uma, o que implica a ideia de Limite, mas como Nenhuma, que está além do limite.

28. Nenhum, sussurrou a luz, exausta e encantadora, das estrelas, e dois.

29. Pois Eu estou dividida pela causa do amor, pela chance de união.
Nuit é aquilo que é igualmente 0 & 2. Esta Equação 0=2 é a Chave Mestra da Compreensão da Natureza do Universo.
Ela respondeu: Nada e Dois. Isso é também um prodígio do número, e é a Verdade sobre a Essência da Natureza de todas as Coisas, a Raiz da Árvore do Pensamento, tal como eu mostrarei em outra parte.

30. Esta é a criação do mundo, que a dor da divisão é como nada e o prazer da dissolução, tudo.
Nuit mostra o objetivo de criar a Ilusão de Dualidade.
Ela disse: O mundo existe como dois, pois somente assim o Prazer do Amor pode ser conhecido, através do qual o Dois é tornado Um. Qualquer coisa que seja Um está só, e sente uma pequena dor em se tornar dois, para que ela possa se conhecer, e se amar, e ali regozijar.

31. Não vos preocupeis em absoluto com estes homens tolos e suas aflições! Eles sentem pouco; o que há, é compensado por débeis prazeres; mas vós sois os meus escolhidos.
A humanidade em geral não merece atenção.
Não dê atenção às aflições insignificantes dos homens, ninharias que junto aos pequenos prazeres fecham a conta. Estes são nada mais que sonhos dentro de sonhos, e aqueles a quem eu falo a Palavra de Nuit são escolhidos por Ela para passar através destes fantasmas para dentro do mundo do real Prazer e Tristeza – que também é Prazer, e a Chave e a Força dali.

32. Obedeceis ao meu profeta! segui os ordálios do meu conhecimento! buscai somente a mim! Então os prazeres do meu amor vos redimirão de toda dor. Isto é assim: Eu juro pela abóbada do meu corpo; pelo meu coração e língua sagrados; por tudo o que posso dar, por tudo que Eu desejo de todos vós!
A humanidade deve obedecer 666, seguir seu método de realização do conhecimento de Nuit e os Benefícios dali resultantes. A verdadeira natureza de 666.
Que todos os homens me obedeçam, A Besta, o Profeta de Nuit! Pois o meu número é 666, o Número do Sol. Ou seja, eu sou a Luz e o Centro do seu sistema de Estrelas; e minha Palavra é como um raio para aqueles que são da Terra. Que eles obedeçam a luz, e  o Impulso daquilo que eu sou em Verdade, embora eu me encontre profundamente oculto em um corpo de carne. Buscai conhecer Nuit! Buscai desfrutar de tudo o que possa existir, embora vós reluteis contra em vossas almas. Este é o vosso ordálio, pelo qual devereis passar de modo a serdes livres e completos; conhecer todas as coisas igualmente, experimentar, fazer, amar e regozijar em tudo.

33. Então o sacerdote caiu em um profundo transe ou desmaio, e disse à Rainha do Céu; Escrevei para nós os ordálios; escrevei para nós os rituais; escrevei para nós a lei!
Nuit é solicitada por 666 a dar instruções completas por escrito.
Eu pedi a Nuit para escrever os rituais, os ordálios e a lei.

34. Mas ela disse: os ordálios Eu não escrevo, os rituais serão metade conhecidos e metade ocultados: a Lei é para todos.

35. Isto que tu escreves é o tríplice livro da Lei.
Ela responde.
Ela me fez saber que os ordálios não podem ser escritos, uma vez que cada homem deve passar por um forno aceso com seus próprios gravetos. Os Rituais: alguns foram adequados para todos os homens: alguns são adequados para uma pessoa, cada uma fazendo o seu próprio; e também existem aqueles cuja virtude repousa no silêncio pelo qual estão cingidos.

O Livro AL é a Lei para Toda a Humanidade.
O Livro AL, Liber AL vel Legis, que eu anotei tal como ouvi a Voz de Aiwass meu Santo Anjo Guardião, na Cidade do Cairo na Primavera (8, 9, e 10 de Abril) do ano de 1904 da Era Vulgar, é a Lei. Esta Lei é a Lei para todos os homens igualmente.

36. O meu escriba Ankh-af-na-khonsu, o sacerdote dos príncipes, não deverá modificar em uma só letra este livro; mas para que não haja tolice, ele comentará sobre este através da sabedoria de Ra-Hoor-Khu-it.
666 identificado com Ankh-f-n-Khonsu.
Eu sou de alguma forma, Um e o mesmo Homem e Ankh-f-n-Khonsu, cuja Estela me ajudou a trazer os escritos daquele Livro.

AL: O Manuscrito. O único texto autêntico: 666 se abstém de editá-lo.
Eu não devo alterá-lo em uma única letra; pois não apenas o meu ouvido estava a serviço de Aiwass, mas também a minha mão. O efeito disso é esclarecido em outra parte.

666 comenta sobre o AL para protegê-lo contra falsas interpretações.
Eu comento sobre este Livro, a fim de que não haja tolice; pois muitas são as Declarações Secretas [Originalmente “mistérios”] e obscuras no texto ali. Seria fácil para o esperto e o astuto distorcer o verdadeiro pensamento de Aiwass de modo a adequar aos seus próprios conceitos, como tem sido visto nos tempos antigos nos casos das Palavras dos Mestres, o Corão, e as assim chamadas Escrituras dos Cristãos.

666: Sua Maldição sobre qualquer um que busque distorcer o Livro, ou o Seu comento.
Então como uma garantia contra tal coisa, eu, pela sabedoria de Ra-Hoor-Khuit, agora antecipo e protejo contra todas as fraudes e falsos meios de leitura do Livro em linguagem simples e direta. E eu ergo a minha voz e maldição com a Grande Maldição de um Mago de Poder contra todo aquele que venha tentar desviar a minha Palavra da sua Verdade.

37. Assim como os mantras e encantamentos, o obeah e wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada; estes ele deverá aprender e ensinar.
666: Sua tarefa como Instrutor.
Também sou ordenado a aprender e ensinar o método de fazer Magia declarando [originalmente “repetindo”] muitas vezes certos textos Sagrados, escrevendo palavras, símbolos, figuras, números e nomes de Poder; – Magia pela Fala, pela secreta Luz da Escuridão, por Feitos, por Atos que criam Coisas ou as destroem, [originalmente “atos de criação e destruição”] e assim por diante, como eu defino e exponho em outros escritos.

38. Ele deve ensinar, mas ele pode tornar severos os ordálios.
666: Seu dever como Instrutor.
Eu estou obrigado pelo meu Juramento de serviço à Humanidade – pois não sou eu próprio um Homem, mas também o Sol, e o Filho do Sol? – para aceitar a todos que possam vir a mim pela Sabedoria. Porém é meu direito testar a sua aptidão de todas estas maneiras, por mais severo que seja, tal como julgue adequado.

39. A palavra da Lei é θελημα.
θελημα a Palavra da Lei.
A palavra da Lei é θελημα. Isto é, esta palavra é definida nos mínimos detalhes através do valor secreto das letras, números, sons, virtudes na Natureza, e todas as outras funções [originalmente “qualidades”] deste nome grego para Vontade.

40. Quem nos chama Thelemitas não cometerá erro, se ele apenas observar bem de perto a palavra. Pois dentro dela existem Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.
Os Thelemitas definidos: os três Graus de Realização.
Nós que aceitamos esta Lei podemos corretamente ser chamados Thelemitas, se esta palavra for definida em termos dos seus valores secretos, como no caso da própria palavra Thelema. Existem três Graus reais na Ordem, sendo distintos dos Graus formais da A∴A∴, e estes Três Graus são descritos no meu Livro chamado A Visão e a Voz, e em outras partes.

A Lei declarada e explicada.
Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei – Ou seja: a Lei da Natureza de um Homem é realizar o propósito para o qual ele está verdadeiramente capacitado.

41. A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuseis tua esposa, se ela o quiser! Ó amante, se quereis, ide embora! Não há vínculo que possa unir o dividido senão o amor: tudo o mais é uma maldição. Maldito! Maldito seja pelos aeons! Inferno!
O Pecado definido. A Natureza da Liberdade.
O Pecado é definido como Restrição: isto é; o estabelecimento de limites, ou o desejo de estabelecer limites, a qualquer coisa que exista, visto que como acima declarado a verdadeira Natureza de todas as coisas é se completarem a si mesmas por todos os Meios. Muito embora todas as coisas sejam dessa forma legítimas em si mesmas, há muita Restrição para agir, e Liberdade para restringir. Pois aquela Liberdade é digna da outra, e cada caso deve ser julgado pela sua própria Natureza.

O Dever de um Thelemita perante os outros.
Não procure controlar a vontade de qualquer outro no assunto de Amor, fixando Limites seja para a Vontade de Amar ou a Vontade de buscar em outro lugar o Objetivo da Vontade. Pois o próprio Amor é o único vínculo; todos os outros estabelecem tensões contra a Natureza das Coisas: por meio de que chega por fim a ruína de tudo.

42. Que aquele estado de multiplicidade, seja confinado e repugnado. Assim com todos vós; tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.

43. Faze isso, e nenhum outro te dirá não.
O Direito do Homem.
Este caso pode ser considerado como um guia para outros problemas de ética. A regra é na verdade única, a mesma em essência para todos os assuntos de conduta. Cada um tem o perfeito direito de fazer a sua Vontade, aquela para a qual ele é adequado; todo outro uso de poder é um abuso.

44. Pois pura vontade, desaliviada de propósito, livre da ânsia de resultado, é todo caminho perfeito.
A Vontade: seus possíveis defeitos.
Propósito diminui o efeito da vontade pura; pois implica em pensamento consciente, o qual não deveria substituir o que a Natureza tenciona [originalmente “tendência da Natureza”]. A obra é realizada melhor quando a mente não sabe sobre ela, seja para induzir ou restringir o seu curso. A ânsia de resultado também corrompe a obra; a pessoa não deve desviar as suas forças da sua tarefa através de pensamentos sobre o benefício do sucesso.

45. O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!

46. Nada é uma chave secreta desta lei. Sessenta e um os Judeus a chamam; Eu a chamo oito, oitenta, quatrocentos e dezoito.

47. Mas eles possuem a metade; uni pela tua arte de modo que tudo desapareça.

48. Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi, e nenhum pelo Livro?
Um Enigma sobre “O Perfeito”.
Nuit é movida pela palavra “perfeito” para anunciar um Enigma no qual o Mistério “Nada é Perfeito” é provado por meio da Sabedoria Secreta das Letras e Números: tal Enigma eu exporei em outros escritos.

49. Estão abolidos todos os rituais, todos os ordálios, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou o seu assento ao Leste no Equinócio dos Deuses; e que Asar esteja com Isa, que também são um. Mas eles não são de mim. Que Asar seja o adorador, Isa o sofredor; Hoor em seu secreto nome e esplendor é o Senhor iniciado.
O Novo Æon: Todas as fórmulas anteriores são agora obsoletas. O Novo Ritual de Iniciação indicado.
Todas as chaves secretas da Magia anterior do Æon do Deus Moribundo são inúteis agora, uma vez que o Senhor deste Novo Æon do qual eu sou o profeta é a Criança Coroada e Conquistadora. Asar, o Homem que sofre, [originalmente “Asar, o Homem Sofredor”] não é mais o tipo de Divindade à qual o Homem deve aspirar. Ele não necessita mais morrer e ressuscitar novamente: Sua grande Obra agora é vir a conhecer a Si Mesmo como a Criança sempre vivente, sem pecado, perfeita, o Sol sempre brilhante.

50. Há uma palavra a dizer sobre a tarefa Sacerdotal. Vede! há três ordálios em um, e este pode ser dado de três maneiras. O grosseiro deve passar pelo fogo, que o sutil seja experimentado pelo intelecto, e os sublimes escolhidos no mais alto. Portanto vós tendes estrela e estrela, sistema e sistema; que um não conheça bem o outro!
Nuit instrui 666 nos seus deveres como Hierofante.
Nuit me instrui agora na minha Obra de treinar os homens para se tornarem Mestres e Adeptos ao fazê-los passar pelos ordálios. Eu devo purificar as suas almas brutas [originalmente “almas animais”] pelo fogo – para queimar a sua crueza ao excitar o Entusiasmo do Espírito dentro deles. Suas mentes devem ser testadas através de provações da mente; e aquelas almas raras que foram marcadas desde a hora do seu nascimento para alcançar os altivos píncaros rumo à Montanha da Magia devem ser tornadas perfeitas através de ordálios adequados às suas naturezas. Ainda assim eu sou obrigado, por meio da minha perspicácia, a idealizar meios pelos quais seja possível alcançar todos os três objetivos em um único Teste, de um modo explicado em outra parte.

Três tipos de Ordálio para três partes da Alma. Regulamentações da Ordem da A∴A∴.
Estrelas – isto é, homens cujas almas projetam Luz – não podem ser agrupados aleatoriamente na Ordem, mas cada um deve ter o seu lugar e órbita apropriados. Algumas vezes pode ser sensato formar um sistema de estrelas tais como sejam aptas por Natureza para trabalhar em grupos [originalmente “trabalhar juntos”]: porém mesmo assim, mantenha o objetivo de cada unidade dentro da sua própria atividade, que ela não saiba, mais do que necessita, sobre o Caminho de outras Estrelas e Sistemas, para evitar que se desviem do seu próprio Caminho, ela segue os outros, ou os atropela, e assim confunde a Ordem do Céu.

51. Há quatro portões para um palácio; o piso daquele palácio é de prata e ouro; lápis lazuli e jaspe estão lá; e todas as raras fragrâncias; jasmim e rosa, e os emblemas da morte. Que ele entre na sequência ou simultaneamente pelos quatro portões; que ele fique em pé sobre o piso do palácio. Ele não afundará? Amn. Ho! guerreiro, se o teu servidor afundar? Porém existem meios e meios. Sejais graciosos portanto: vesti-vos todos em finos trajes; comeis ricas comidas e bebeis vinhos doces e vinhos que espumam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes! Mas sempre a mim.
O Santuário descrito em uma Figura: também a sua introdução.
O Palácio da Sabedoria tem quatro portões, pelos quais o homem a quem me comprometi treinar para a realeza [originalmente “o Aspirante”] possa entrar um a um ou todos de uma vez. Ou seja, existem quatro meios de realização; alguns podem achar melhor trabalhá-los um de cada vez, outros preferem todos de uma vez [originalmente “juntos”]. Os portões ou caminhos estão descritos em símbolos secretos; estes eu explicarei em outra parte.

Adeptos: eles ainda estão em perigo de se perderem?
Isso é então perguntado: pode alguém que chegou à Sabedoria se perder dali?

Muitos modos de Graça. Os Thelemitas devem viver em beleza e prazerosamente.
A resposta é que existem muitos meios de segurança. Eu advirto você contra o medo. Uma vez sendo livre, recuse-se a admitir que qualquer conduta possa destruí-lo. Eu insisto para que você tome cuidado com o orgulho de espírito, do pensamento a respeito de qualquer coisa como sendo pecaminosa ou impura. Faça com que todas as coisas lhe sirvam na sua Magia como armas. Então, seja agradável, não submisso, inferior, tímido ou frágil. Se vista como um cavalheiro elegante: se alimente como um gourmet: beba vinho do Porto e champanhe como fazem os fidalgos caçadores e os jovens em torno da Cidade.

Amor: sua lei é a completa Liberdade.
Também com relação ao Amor: seja totalmente livre para fazer o melhor com os seus dons em todos os aspectos, sem temor e sem vergonha.

Todos os atos devem ser compreendidos como Atos de Adoração a Nuit.
Ainda assim todos estes atos não podem ser realizados pelos seus resultados no sucesso ou prazer, e assim por diante; pois eles são santos e devem ser realizados estritamente como atos [originalmente “para suas próprias finalidades, porém estritamente como Atos”] de Amor sob Vontade na adoração de Nuit; ou seja, para completar tudo o que possa ser e a sua própria Natureza integral ao fazê-lo.

52. Se isto não estiver correto; se vós confundires as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre para mim: então esperai pelos terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!
O perigo de erro neste assunto.
Esta ordem é executada, como aquela com relação à Restrição acima, com uma grande Maldição. A única coisa que pode causar danos é impor limites Àquilo que é Livre e sem Limites pela sua Natureza. Assim, encontrar em qualquer amor em especial um prazer distinto de outros amores, ou pensar que o evento de qualquer amor, uma cinza morta fixa do passado, é um prazer vivo, é cair no Poder dos Senhores da Matéria, ter que obedecer as Leis da Morte, perder toda Liberdade, e então sofrer o ônus da servidão.

53. Isto regenerará o mundo, o pequeno mundo minha irmã, meu coração e minha língua, a quem Eu envio este beijo. Também, ó escriba e profeta, embora tu sejas dos príncipes, isso não te aliviará nem te absolverá. Porém que êxtase seja teu e alegria da terra: sempre Para mim! Para mim!
A Terra entrará num estágio mais elevado pelo uso desta fórmula.
Este caminho de Liberdade – fazer todas as coisas e ainda assim não estar preso a nenhuma delas – trará nova vida á Terra.

Nuit: Sua palavra privativa a 666.
Segue uma mensagem para mim, que eu não preciso explicar aqui.

54. Não altere nem ao menos o estilo de uma letra; pois vede! tu, ó profeta, não vereis todos estes mistérios aqui ocultados.
Nuit repete que 666 deve respeitar o Manuscrito do AL.
Eu sou mais uma vez obrigado a não adulterar o texto do Manuscrito do Liber AL pelo motivo que ele contém segredos além do meu conhecimento.

55. O filho das tuas entranhas, ele os verá.

56. Não espere que ele venha do Leste, nem do Oeste; pois de nenhuma casa esperada virá esta criança. Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles compreendem um pouco, resolvem a primeira metade da equação, deixando a segunda intacta. Mas tu tens tudo na clara luz, e algumas, embora não todas, na escuridão.
Um “filho” de 666 contemplará no AL aqueles segredos que foram ocultados de 666. A Natureza e o Ofício deste Filho.
Foi prometido a mim: “o filho das tuas entranhas … os contemplará.” [originalmente “prometido que o filho das minhas entranhas os contemplará.”] Isto envolve o futuro, e exige um comento especial em outra parte. A vinda daquele filho é definida em termos tais que quando ele chegar certamente será conhecido.
Profetas e Escrituras do passado são parcialmente verdadeiros: AL contém toda a verdade sobre os Pensamentos Conscientes, e alguns Inconscientes.
Nuit admite que todos os profetas do Passado declararam, e as sagradas escrituras anteriormente concedidas pelos Mestres aos homens contém alguma verdade. Mas eles se aplicaram a condições locais, e àquelas de tempo; portanto todas são parcialmente falsas. O Liber AL não tem estas limitações, portanto ele é verdadeiro para todos. Eu aprendi todos os segredos de todos os cultos antigos, os purifiquei de tendências parciais e os equilibrei: o meu conhecimento sobre eles está completo tanto quanto concerne a Razão; eu também tenho, embora não todas, alguma Verdade de Ordem Mais Íntima.
(Através deste Livro, AL foi concedido a mim para aperfeiçoar quase totalmente esta Verdade Mais Elevada.)

57. Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Nem permitis que os tolos confundam o amor; pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.

Todas aquelas antigas letras do meu livro estão corretas; mas Tzaddinão é a Estrela. Isto também é secreto; meu profeta o revelará ao sábio.
Nuit: o dever da humanidade em invocá-La.
Nuit ordena à humanidade que A invoque, ou seja, para completar a sua máxima Individualidade, sob as Suas estrelas, quer dizer, pelo estudo de todos os outros Pontos de Vista além do seu próprio.

O método da Magia: Amor é o modo pelo qual a Vontade opera.
O método da Magia nesta – e em toda – Obra é: “amor sob vontade”. A palavra amor (Ágape em grego) possui o valor 93, como aquele de θελημα, vontade. Isso implica que, amor e vontade são na verdade um e o mesmo, duas fases de um tema. O amor é assim mostrado como o meio pelo qual se manifestará o sucesso da vontade.

Amor: seus dois tipos principais: seus possíveis defeitos.
Os homens são advertidos contra o erro neste assunto de amor. Existem dois modos principais de amor, sendo a pomba o símbolo de um, e o do outro sendo a serpente. Estes símbolos e os seus significados na ética, com sua atitude baseada em “a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus” são explicados por mim inteiramente em outra parte.

Aiwass: uma prova do Seu Conhecimento além daquele de qualquer homem: um problema que tem sempre confundido a sabedoria humana é resolvido corretamente em uma frase. A antiga sabedoria do Tarô está correta de outro modo em todos os pontos.
O Conhecimento sublime, mais do que aquele de qualquer homem vivente, possuído por Aiwass, não é mostrado ao dar o valor correto de um dos Trunfos do Tarô (desconhecido até aquele tempo) que aperfeiçoa seu equilíbrio [originalmente “por uma correção dos valores dos T[runfos] do T[arot] que aperfeiçoa a sua simetria”] como tem desorientado a perspicácia de todos os homens ao fazê-lo. Também somos advertidos contra qualquer “tolice” de tentar fazer melhorias sobre os valores antigos e comprovados e confiáveis – salvo neste ponto onde foi mostrada a sua debilidade.

58. Eu concedo prazeres inimagináveis sobre a terra: certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indescritível, repouso, êxtase; e Eu não exijo nada em sacrifício.

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59. Meu incenso é de madeiras resinosas e gomas; e não há sangue ali: por causa do meu cabelo as árvores da Eternidade.
Nuit: Seu culto.
Nuit declara a forma adequada para o Seu culto como sendo um Rito. Seu incenso é de “madeiras e gomas resinosas” – sagradas a Ela como perfumadas, fluidas, [“uniforme” anulado a este ponto] e vitais. Não há sangue ali; pois a Sua adoração não envolve nem vida nem morte; ela é um Crescimento de todos os modos, o modo original do Ser. Seu cabelo: esta frase deve ser estudada lado a lado com o relato sobre as minhas Visões Dela: isto será claro para aqueles que possam ali obter entendimento.

60. Meu número é 11, como todos os números daqueles que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, e o círculo é Vermelho. Minha cor é o preto para o cego, mas o azul e ouro são vistos pelos que enxergam. Também Eu tenho uma glória secreta para aqueles que me amam.
Nuit: Sua Figura simbólica.
Nuit declara a sua Natureza em um Enigma de Número, Cor e Forma: isto também é explicado em outra parte, sendo um assunto de Magia e Sabedoria, mais apropriados aos Estudantes comprometidos do que ao profano.

61. Porém me amar é melhor do que todas as coisas: se debaixo das estrelas noturnas no deserto tu presentemente queimas incenso perante mim, invocando-me com um coração puro e a chama da Serpente ali, tu virás a repousar um pouco em meu seio. Por um beijo tu estarás então disposto a dar tudo; mas todo aquele que der uma partícula de poeira perderá tudo naquela hora. Vós devereis reunir bens e fartura de mulheres e especiarias; vós vestireis ricas joias; vós excedereis as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre no amor de mim e então vós vireis ao meu prazer. Eu vos ordeno seriamente a vir perante mim em um robe único, e coberto com um rico ornamento na cabeça. Eu vos amo! Eu vos desejo! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, Eu que sou toda prazer e púrpura e embriaguez no sentido mais íntimo, vos desejo. Colocai as asas, e elevai o esplendor enrolado dentro de vós: vinde a mim!
Nuit: amá-La é a Suprema Sabedoria.
Sendo o Amor a lei de toda Vida, amar Nuit é amar a própria Essência da soma de todos os objetos de Amor na figura de uma única Imagem de Beleza isto é, portanto, a Concentração-em-um-Ponto da Vontade, a qual poderia de outra forma parecer diferente; então, isto é “melhor do que todas as coisas”.

Nuit: o Modo de União com Ela.
Segue um Método através do qual se pode unir a Alma com Ela; para mim Alastor o Espírito da Solidão, o mandamento é claro; e deverá ser levado ao pé da letra, como eu o fiz, e agora estou fazendo, exatamente neste instante, enquanto escrevo isto “sob as estrelas noturnas no deserto” no Oásis de Nefta, na Tunísia.

Ainda assim existe um significado oculto, de modo que aqueles que moram nas cidades possam invocar Nuit: e isso eu declararei, não apenas como no Liber XI mas em palavras simples e suaves; num tempo e lugar apropriados.

Nuit: meios de adoração.
Este verso contém muitas maravilhas também sobre outros assuntos: ele se relaciona ao Cruzamento do Abismo, como eu descrevi em A Visão e a Voz: também, tais meios de adoração são prescritos como definem Sua Natureza mais íntima: isto eu também escreverei em outra parte.

Observe, sobretudo que Ela, a Soma e Essência de Todas as Coisas que possam existir, Se completa assim que todas estas são completadas por cada Estrela em qualquer Evento. De fato, ela não é o todo enquanto qualquer partícula permanecer latente, um fantasma de desejo; portanto execute cada ato de Amor sob Vontade não apenas para aperfeiçoar aquele que o cumpre, mas também para Ela, de quem isto é uma joia.

62. Em todos os meus encontros convosco a sacerdotisa dirá – e seus olhos arderão de desejo assim que ela permanecer em pé despida e regozijando no meu templo secreto – A mim! A mim! invocando a chama dos corações de todos no seu canto de amor.
Nuit: Seu Culto público.
Agora por fim ela ordena o seu culto público. Sua imagem, sendo ela Toda-Desejada, será a de uma Mulher vivente, invocando para ela aquele Espírito que a tornará perfeita no Evento. Eu escrevi sobre todo este Rito em outra parte.

63. Cantai a extasiante canção de amor a mim! Queimai perfumes a mim! Vesti joias a mim! Bebei a mim, pois Eu vos amo! Eu vos amo!

64. Eu sou a filha de pálpebras azuis do pôr do sol; Eu sou o brilho nu do voluptuoso céu noturno.

65. A mim! A mim!
Nuit: Sua manifestação final de Si Mesma em uma Explosão de Êxtase lírico.
Agora em um lírico esplendor de música Nuit Se declara a filha do Poente e a Noite da Verdade Resplandecente, convocando todas as Almas para o seu supremo Objetivo de Prazer ao Se Realizarem n’Ela.

66. A Manifestação de Nuit está por um fim.
Nuit Seu véu novamente caído sobre Ela.
E assim ela termina em Silêncio.

Capítulo II

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.
Oásis de Nefta, al-Djérid. Tunísia. Hotel du Djérid.
Ano Xix Sol em 24° Escorpião, Lua em conjunção com Urano em 14° Peixes.

1. Nu! o esconder de Hadit.
Nu esconde Hadit, pois ela dá Forma para Aquilo que existe, manifestando Sua natureza em todas as Formas que possam existir.

2. Vinde! todos vós e conhecei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido, e Khabs é o nome de minha Casa.
Ele convoca a todos para conhecer a outra metade da Verdade Secreta da Natureza. Ela é um extremo sem limite, ele é o outro. Ele não possui a Sua própria Natureza, pois Ele é aquilo para o qual todos os Eventos ocorrerão. Sua Casa, isto é, a esfera de sua ação, é chamada de Khabs, uma Estrela. Esta é a Luz que Ele oculta com relação a Ele mesmo através dos Seus Atos de Amor para Ela, de modo que possam aparecer na glória do Registro daquelas Obras que pertencem a qualquer Ponto no Espaço.

3. Na esfera Eu sou em todo lugar o centro, como ela, a circunferência, não é encontrada em lugar algum.
Hadit é qualquer Ponto que possa ser escolhido; portanto Ele está em todos os lugares igualmente; enquanto que Ela, sendo tudo o que possa existir, não possui limite, e não pode ser enumerada.

4. Ainda assim ela será conhecida e Eu nunca.
Ela é conhecida, enquanto Ele prossegue no Seu Caminho, e realiza a Sua Vontade; cada Evento é adicionado ao Seu Conhecimento sobre a Natureza d’Ela. Ele não pode ser conhecido, pois Ele não tem partes através das quais se possa defini-Lo.

5. Vêde! os rituais do tempo antigo são negros. Que os maus sejam atirados longe; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá corretamente.
Eu, a Besta 666, estou então obrigado a purificar os antigos Modos de Magia, sendo que estes não são mais válidos neste novo ‘tempo’ ou Æon de Hórus. Eu tenho que rejeitar aqueles que se tornaram falsos, tenha sido através do lapso de tempo, ou pela tolice ou malícia dos homens; porém reter e purificar a tais como sendo De Toda Verdade, além da corrupção pelo Tempo. Ao fazer assim, a Verdade agora revelada a mim se propaga entre os homens a fim de torná-los livres, sem erro.

6. Eu sou a chama que arde em cada coração de homem, e o núcleo de cada estrela. Eu sou Vida, e o doador de Vida, ainda assim o conhecimento de mim é o conhecimento da morte.
Hadit retoma o Seu relato a respeito de Sua Natureza. Sendo esta Natureza o que ela é, ela deve ser expressada em muitos símbolos. Ele é o Fogo da vida por trás do movimento dos viventes, e o Ponto em torno do qual toda Estrela está centrada. Ele é, portanto, Qualquer Ponto-de-Vista, qualquer Centro ao qual todos os Eventos podem ser medidos. Ele é a própria vida em sua Essência, e Ele faz com que a Vida surja por si mesma. Por esta razão o conhecimento d’Ele é o conhecimento da Morte, já que o significado da Vida implica em morte. Hadit disse “o conhecimento de mim”: isto não está contra a Sua palavra anterior de que Ele nunca será conhecido. Isso significa apenas que a morte é um dos Eventos que tem que ser conhecido assim que a natureza da Vida é conhecida.

7. Eu sou o Magista e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda, e o cubo no círculo. “Vinde a mim” é uma palavra tola: pois sou Eu que vou.
Hadit é o Mago: ou seja, aquele que faz com que surjam os fantasmas: pois todas as Suas Obras com Nuit são nada mais que emblemas escolhidos para manifestar a Sua Natureza enquanto ela toma esta Forma ou aquela, ao seu prazer. Ele é o Exorcista: Seu juramento possui esta Virtude, de banir aqueles fantasmas assim que sua obra é realizada, a não ser que sejam considerados como coisas reais. Pois todos os eventos nada mais são do que símbolos do Seu Ser, tal como aparece em união com uma ou outra forma de Nuit, e em si mesmos nada mais são do que símbolos. Hadit é aquilo em torno do que todos os Eventos se movem. Ele é o Real, reto, quadrado, e sólido, no meio da Perfeição, que não obstante é curvada (isto é, de natureza feminina) e igual em todos os pontos a partir d’Ele, e real para o pensamento, não para os sentidos. Ele, sendo movido por cada Evento, segue sempre, e não diz ‘Vinde a mim,’ aquela Palavra de sua Noiva Nuit.

8. Quem adorou Heru-pa-kraath adorou a mim; mal, pois Eu sou o adorador.
Aqueles que dão valor ao Silêncio, e o buscam, se equivocam se pensam em lá encontrar a Verdade dos seus Seres; pois Hadit valorizou, e buscou, Nuit: e embora Ele seja Silêncio, não deve ser buscado. O Verdadeiro Ser é Silêncio, e busque a Verdade em todas as Formas de Evento.

9. Lembrai todos vós que a existência é puro prazer; que todas as tristezas são nada mais que sombras; elas passam e pronto; mas existe aquilo que permanece.
Hadit agora diz para todos que devem estar atentos sobre a Natureza daquilo existe; esta é puro prazer, uma vez que todos os Eventos são Atos de Amor sob Vontade. A Sombra chamada Tristeza é causada pelo erro de pensar sobre dois Eventos quaisquer como sendo opostos ou até mesmo distintos; cujo erro estava assim condenado no primeiro capítulo deste Livro: “através disto vem o sofrimento”. (Hurt, em francês, é heurter, atropelar, acotovelar.). As tristezas, sendo, portanto erros de visão, e não reais em si mesmas, passam e terminam assim que a mente cessa de se fixar nelas; sendo falsos pensamentos sobre os Verdadeiros Eventos, o Evento ainda assim permanece, e o Ponto-de-Vista permanece; de modo que Hadit realizou a Sua Vontade não menos do que em todos os outros casos.

10. Ó profeta! tu tens má vontade para compreender esta escrita.

11. Eu te vejo odiar a mão e a pena; porém Eu sou mais forte.

12. Por causa de mim em Ti que tu não conheceste.
Meu Anjo, Aiwass, me observando enquanto eu anotei as Suas palavras, viu com que raiva eu me opus ao Seu Espírito. Pois na minha mente consciente mais profunda eu mantive muito firme a Primeira Nobre Verdade proclamada pelo Gautama Buddha “Tudo é Dor”; e sobre este pensamento eu sustentei todo o meu espírito e mente por muitos dias. Portanto, esta Palavra de Aiwass atingiu o cerne do meu pensamento mais sincero; e eu odiei a mão e a caneta que escreveram contra a minha vontade, no meu serviço a Ele. Pois Ele tinha força para me subjugar, para me fazer obedecê-Lo, para que Sua Palavra pudesse ser escrita e expressada aos homens para proclamar a Nova Lei.

13. por quê? Porque tu foste o conhecedor, e mim.
Aiwass então falou por um Enigma, provando para mim através de uma estranha gramática e truque de estilo e forma que Anos depois, quando eu alcançasse a posição de Mestre do Templo, eu viesse a perceber que a minha Verdadeira Vontade estava unificada com a Sua, e a minha revolta feroz e amarga era a insensatez e a falsidade da minha Vontade consciente, dominada pelo medo, pela vergonha e pelo senso de pecado.

14. Agora que haja um velar deste santuário: agora que a luz devore os homens e os consuma com cegueira!
Ele me preparou para receber uma doutrina de importância tão terrível, tão odiosa em todo ponto e em toda parte do meu espírito e alma (tal como me pareciam na minha cegueira e escravidão) que Ele considerou prudente me testar do princípio ao fim, para me advertir, e para me dar tempo de me fortalecer a fim de enfrentar a fúria da tempestade da Sua Palavra.

15. Pois Eu sou perfeito, Não sendo; e meu número é nove para os tolos; porém com o justo Eu sou oito, e um em oito. O que é vital, pois de fato Eu sou nenhum. A Imperatriz e o Rei não são de mim; pois existe um segredo mais além.

16. Eu sou a Imperatriz e o Hierofante. Portanto onze, como minha noiva é onze.
Também, para distrair e entreter a minha mente, para me fazer curioso o suficiente para estar disposto a proceder, Ele propôs um Enigma sobre a Natureza de Hadit, de modo que eu pudesse saber com toda certeza além da dúvida que Ele era hábil no Conhecimento de todas as maravilhas secretas das letras e números em línguas e escrituras sagradas, para evitar que eu me convencesse de que eu mesmo havia escrito este Livro a partir do meu próprio gesto. Portanto Ele me mostrou Sabedoria e Habilidade além do que a minha compreensão pudesse conceber, e maravilhas até agora jamais conhecidas por qualquer homem nascido de uma mulher. Eu mostrarei este Enigma, juntamente com seus pares, em outra parte, de forma que todos os homens possam saber a respeito de uma certeza que nem eu, nem qualquer homem, mas que um Grande Anjo falou com muita verdade, ao meu ouvido, as Palavras do Seu Livro.

17. Ouvi-me, vós povo de lamentação!
As tristezas da dor e do arrependimento
São deixadas para os mortos e os moribundos,
A gente que ainda não me conhece.

Tendo sido proposto o Enigma, Aiwass começa a declarar a doutrina como Ele havia me avisado. Mais ainda, para diminuir meu medo e aversão, Ele astuciosamente abriu o seu discurso com um verso tão fraco e estúpido que eu, sendo um grande poeta, deveria abrandar a minha ira e sorrir com um sereno desdém a respeito dos débeis esforços do Anjo em usar ritmo e rima. O truque serviu ao seu propósito: eu continuei escrevendo, bem disposto e com a minha mente tranquila, achando que agora eu tinha uma arma para me defender contra Aiwass, e que quanto mais ele falasse mais seguro eu deveria estar para rejeitar a Sua Palavra, mesmo que seja afirmado que todos os escritos tenham origem em fontes além daquelas humanas, o que eu sempre descobri com desdém tanto com relação à essência quanto à forma. Desde a rima mais miserável Aiwass opera astuciosamente por meio de declarações despreparadas e sarcásticas de Sua doutrina até as frases mais austeras e sublimes; vivas com paixão e poder, soberbas em estilo, severamente sucintas, e flamejantes com força terrível. Rápido, ardente, justo, para não ser repelido, Ele me atingiu, golpe a golpe, e não cedeu. Isto que agora segue é a essência da Sua doutrina. Que a “existência é puro prazer” é o Seu primeiro desafio direto à estrutura integral do melhor e mais profundo pensamento dos melhores e mais sábios homens desta Terra, desde o alvorecer dos Registros sobre o surgimento do homem até a hora desta Sua fala. Ela atravessa claramente toda a tendência das mentes dos homens com o corte fino do aço; sem trégua, sem esquartejar. Agora o Segundo Desafio: a um toque de corneta mais estridente e mais claro que o Primeiro. Tristeza, dor, arrependimento, são sintomas de pensamento doentio; apenas aqueles que deixaram de ser capazes de se ajustar corretamente e alegremente a todos os Desafios, e a crescer através destes, ou aqueles que ainda reagem, mas apenas debilmente e inutilmente, consideram a Tristeza, a dor e o arrependimento como sendo Reais. Aqueles (também) que ainda não conhecem Hadit (isto é, conhecem seus Seres Verdadeiros como sendo Hadit) estão igualmente enganados.

18. Estes estão mortos, estes homens; eles não sentem. Nós não somos para o pobre e o triste: os senhores da terra são nossos parentes.
Tais pessoas “não sentem”, muito embora suponham que elas mesmas sintam mais sutilmente do que aquelas que gozam a vida e a morte – aquelas a quem elas chamam de insensíveis. Mas a verdade é que uma vez que os Eventos compõem a Vida, e que cada Evento é um ato de Amor sob Vontade, todos os sentimentos exceto aqueles de alegria, conquista, triunfo e arrebatamento não são Eventos de modo algum e dessa forma não pertencem à Vida. Os pobres e tristes não são de Hadit;  pois o fato de saber que se é Ele confere plena riqueza e completa alegria: este é o título de Autoridade na Terra. Todos os líderes dos homens são ativos, descobrindo prazer até mesmo na fadiga, na dificuldade e na derrota: eles aceitam todo Evento como sendo apropriado ao seu curso de ação escolhido, e conquistam mesmo quando eles são derrotados por um momento. Eles morrem na crise da batalha, com a certeza da derrota; ainda assim regozijam, tendo vivido e amado e lutado e realizado a sua vontade; aqueles por cuja causa eles lutaram por fim receberão onde semearam.

19. Deve um Deus viver em um cão? Não! porém os mais elevados são de nós. Eles regozijarão, os nossos escolhidos: quem se lamenta não é de nós.
Um Deus não pode viver num cão; o sinal de Divindade é ser livre para agir, viver em uma morada, e trabalhar com ferramentas, adequadas à natureza da sua Vontade. Os Mais Elevados são apenas de Hadit; todo fracasso em realizar as marcas perfeitas se deve á alguma falta de conhecimento sobre a natureza de uma pessoa como um Símbolo d’Ele em uma ou outra Forma. Aiwass repete a sua doutrina sobre alegria e tristeza em termos mais solenes, levando assim até à Força total do Seu pensamento.

20. Beleza e força, gargalhada vibrante e leveza deliciosa, força e fogo, são de nós.
Beleza e força, o senso de adequação do objeto percebido como um símbolo do sucesso da vontade da pessoa, e o poder daquela própria vontade; gargalhada vibrante e delicioso langor, o arrebatamento da alegre irrupção em total liberdade de espírito e o deleite que segue ao sucesso dos seus esforços, seduzindo o vencedor a desfrutar o prazer de saber que se é merecedor; força e fogo, o ardor do movimento, realizando a sua vontade, e a luz e o calor expandidos pelo amor sob vontade do Ser seus desejos: estas são as marcas daqueles que conhecem que o seu Ser Verdadeiro é Hadit. (Observe que todas estas declarações estão veladas no complexo básico de pensamento que define Hadit.).

21. Nós não temos nada a ver com o proscrito e o incapaz: que eles morram na sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: dominai o miserável e o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não pensai, ó rei, sobre aquela mentira: Que Tu Deves Morrer: verdadeiramente tu não morrerás, mas viverás. Então que isto seja entendido: Se o corpo do Rei se dissolver, ele permanecerá em puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força e Visão, Luz; estes são para os servidores da Estrela e da Cobra.
Os proscritos: estes são passivos; eles não buscam e conquistam tudo o que possa ser, mas é o jogo de Eventos que não é de sua própria autoria, que os atropela e os atira para fora do caminho. Os desajustados: estes falham ao tentar se ajustar ao que está próximo a eles; eles não conseguem amar (o que implica na adequação de um com relação ao outro) sob vontade (que implica em adequação do agente com relação ao paciente).

Seria melhor que eles “morressem na sua miséria”; ou seja, cessar de uma vez por todas de reagir tão debilmente e erroneamente como fazem: pois tal Ponto de Vista que eles expressam não deve durar. Isto não é verdadeiramente Hadit em absoluto; em nenhum Ponto sequer, mas um ponto de apoio oscilante: que ele não seja mais contado entre as Coisas Verdadeiras. Novamente Aiwass repete que “eles não sentem.”.

Compaixão, a mais nobre virtude dos Budistas, abertamente amaldiçoada por Aiwass. “Sofrer com” algum outro ser é claramente cessar de ser si mesmo, se desviar do próprio Caminho. Isto sempre implica em erro, sendo que nenhum Ponto de Vista não é o mesmo que qualquer outro: e entre Reis – líderes e regentes dos homens – tal erro é um vício. Pois este conduz diretamente à Regra mais tola já estabelecida, “Fazei aos outros aquilo que desejais que estes façam a ti”. Homens de verdade conhecem suas próprias necessidades e encontram meios para supri-las. Julgar o doente baseado no saudável está pleno de erro. Os miseráveis e os fracos simplesmente não são seres reais; eles não podem ser ajudados ou corrigidos. Eles devem ser expurgados como falsidades suscetíveis de infectar a verdade. Esta á a lei da Natureza, e esta é a Lei dos Senhores do Æon. Colocada em vigor, ela preencherá o mundo com alegria. A raiz de todo este erro é a crença dos Reis de que eles são mortais. Isto confunde sua essência com aquela base de certa classe de eventos que se refere ao tipo de vida que inclui a morte. Aiwass insiste que se o corpo se dissolver o seu Rei permanece em êxtase infinito. Pois estes eventos cessaram; e ele permanece em um único estado de prazer estando unificado com Nuit. Caso ele deseje um conhecimento maior sobre si mesmo, ele deverá escolher algum outro meio através do qual possa mensurá-lo, através do qual por em movimento uma nova série de eventos.

Tão intensa era a alegria do Anjo em proclamar estas boas novas que ele irrompeu em um grito de arrebatamento convocando os Senhores dos três capítulos deste livro. Então ele prosseguiu, e exclamou que o sol, fonte de toda luz e vida sobre a terra, força para fazer e visão para perceber, também como luz, a mais simples forma de atuação entre as forças gêmeas, é a recompensa daqueles que conhecem a si mesmo tal como são. Ele chama Hadit de a Estrela e a Serpente. A estrela foi explicada acima. Porém a serpente significa a essência daquilo que é nobre em movimento vibrante constante, ainda assim capaz de se aperfeiçoar na forma de um anel. Ela é um símbolo de sabedoria, o poder de matar e também de mudar sua pele e renovar a sua beleza primitiva na sua estação. Ela é também o curador e aquele que prossegue.

22. Eu sou a Cobra que concede Conhecimento e Deleite e glória brilhante, e agito os corações dos homens com embriaguez. Para me adorar tomai vinho e drogas estranhas sobre as quais direi ao meu profeta e com estas embriagai-vos! Elas não vos causarão dano de forma alguma. É uma mentira, esta tolice contra o ser. A exposição da inocência é uma mentira. Sê forte, ó homem! desejai, desfrutai de todas as coisas de sentido e êxtase: não temais que qualquer Deus te negue por isto.
Hadit é agora descrito como a serpente cuja virtude é conceder o conhecimento, pois todo conhecimento consiste na arte de perceber cada um dos eventos como um novo matrimônio com uma nova parte de Nuit que toma lugar. Ele concede deleite que é uma função de tal conhecimento. Ele também concede glória brilhante, isso é, ele faz com que os homens emitam raios de luz. O homem é de fato, por assim dizer, um prisma. Na sua máquina dual a luz sem forma é dividida em muitas cores que se misturam deste ou daquele jeito tal como a natureza de cada evento o exija. Hadit é a chama em cada coração de homem, e quanto ele se move aquele coração é agitado. Nós chamamos isso de estar inspirado, ou, no seu sentido mais sagrado, estar embriagado. Aiwass agora lança o seu terceiro grande desafio ao mundo. Ele nega terminantemente a verdade de todo o ensinamento do passado. Ele nos diz que para adorar Hadit, isto é, fazê-lo se mover, nós deveríamos nos embriagar pelo uso do vinho e de certas drogas estranhas. Tudo isso é de conhecimento comum. Porém ele acrescenta a surpreendente declaração “Elas não vos farão mal algum”. Nada se pode fazer além de suspirar; discutir em prol de sua afirmação estaria além do poder de qualquer homem. A prova deverá surgir com o tempo. A fim de que não haja tolice, deixe-me dizer que esta passagem não autoriza os excessos irresponsáveis. O uso de drogas e bebida deve ser estritamente um ato de Magia. Compare com o que é dito no Primeiro Capítulo com relação ao uso das funções do sexo.

Impetuosamente, após um desafio, Aiwass arremessa o próximo. Ele nem ao menos separa as suas frases com o uso de parágrafos. Ele toma tudo em passos largos. O que para nós é uma doutrina imensa e terrível, para ele é uma simples e bem conhecida verdade. Ele agora nos diz que “esta tolice contra o ser” “é uma mentira”. Desse modo ele quer dizer que nós não devemos nos envergonhar do nosso próprio ponto de vista, de fingir que deveríamos respeitar e sermos delicados com relação aos outros. Todo ponto verdadeiro é muito capaz de cuidar de si mesmo; se apenas for deixado por conta própria tal como deveria ser. Toda vez que nós tentamos nos colocar no lugar de outra pessoa nós trocamos a verdade pela fantasia. Nós não vemos, e jamais conseguimos ver o mundo, exceto por meio dos nossos próprios olhos. O mundo de outra pessoa não é exatamente como o mesmo mundo desta – mesmo se pudéssemos assumir o seu ponto de vista. É uma ofensa mortal praticar esta forma de falsidade; e aclamá-la como uma virtude ao modo Cristão, tanto um crime quanto um engano. Outra mentira é a “exposição de inocência”. Na maioria, as pessoas fingem serem inofensivas com sinceridade. Isto não apenas blasfema a Divindade do ser, mas tenta criar falsidade. Fraude é sempre perigosa. O mais gentil, assim como o mais nobre comportamento é o de pregar as cores da pessoa no mastro, de modo que os outros possam buscar abrigo sob ele ou evitar o conflito, tal como seu julgamento os aconselhem. O código social e moral de frivolidade enganosa é a tática do pirata.

Um novo desafio está soando agora. Aiwass insiste que nós devemos usar todas as nossas funções tão plenamente quanto possamos. Nós devemos usufruir todas as coisas, fazê-las servir à nossa Vontade e nos excitarem em arrebatamento. Devemos nos livrar do espantalho daqueles que desejam tratar a humanidade como crianças sem espírito ou perspicácia, para nos intimidar ao serviço escravo de códigos de conduta adequados à sua própria natureza servil, abrandar os seus medos, ou procurar presas fáceis para sua ganância por meio da ameaça de algum Deus que criará problemas para aqueles que ousarem serem eles mesmos e realizar as suas próprias Vontades Verdadeiras.

23. Eu estou só: não há Deus onde Eu estou.
Aiwass agora tira a corneta dos seus lábios e retorna por um momento à natureza de Hadit. Parece que a palavra Deus trouxe de volta à sua mente um ponto que ainda não havia sido mostrado. É dito que Hadit está só; não há Deus onde ele está. Isto naturalmente está em conformidade com a natureza de Hadit tal como acima explicado. Ele próprio é o centro do Cosmos. Não pode haver outro ser a quem ele deva se curvar.

24. Vede! estes são graves mistérios; pois também existem meus amigos que são eremitas. Agora não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas mulheres selvagens com grandes membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelo flamejante ao seu redor; lá vós os encontrareis. Vós os vereis no comando, em exércitos vitoriosos, em todo o prazer; e deverá haver neles um prazer um milhão de vezes maior que este. Cuidai para que nenhum force ao outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros com corações ardentes; nos homens baixos pisai na ânsia feroz do vosso orgulho, no dia da vossa ira.
Aiwass volta à carga. Ele descreve os Ermitões de Thelema. Nós devemos definir um ermitão como alguém que segue sozinho. Observe a palavra “sozinho” com relação à Hadit, logo acima. Porém estes Ermitões deverão ser encontrados usufruindo seu prazer com mulheres e de muitas outras maneiras, agindo como os Mestres de Roma nos dias do Império e da Renascença. Grandes reis e rainhas de Tebas e Babilônia. Devemos aprender com isso a desfrutar de todas as coisas sem perder o controle de nós mesmos ou cessar de sermos suficientes a nós mesmos ou nos tornarmos os escravos de nosso próprio desejo ou perder nosso senso de individualidade. Aiwass então nos adverte a respeitar a igual realeza dos outros. Nós devemos amar os nossos irmãos reis com ardente paixão e cooperar para pisotear os “homens inferiores”, no sentido explicado no segundo desafio.

25. Vós sois contra o povo, Ó meus escolhidos.
Aiwass repete este pensamento em palavras ainda mais simples, mais fortes e mais claras. Nós somos contra “o povo”. Qualquer unidade, qualquer estrela verdadeira, é nobre, mas o povo enquanto multidão – muito embora cada unidade seja nobre – não são elas próprias, eles são uma massa confusa de átomos casuais. Não deve ser permitido a eles agir como se possuíssem um ponto de vista. Eles não são estrelas, eles não tem caminho próprio. Eles são arrastados sem amparo na esteira de qualquer força que por acaso venha a atraí-los. Permitir a eles que controlem todos os eventos é abrir mão de todo projeto, toda Vontade, toda visão clara.

26. Eu sou a Serpente secreta enroscada prestes a saltar: em meu enroscar existe prazer. Se Eu ergo a minha cabeça, Eu e minha Nuit somos um. Se Eu abaixo a minha cabeça, e lanço veneno, então há êxtase da terra, e Eu e a terra somos um.
Mais uma vez, nós retornamos a Hadit. Ele é o salto Secreto da Magia (Compare com a Kundalini Hindu). Ele experimenta prazer quando traz para dentro de si mesmo aquilo que ele faz de modo a preparar um novo Evento. Estes Eventos são de dois tipos. Um é o ato de adoração a Nuit, o outro é estender o seu espírito na matéria. Podemos chamar a um de Caminho Místico e ao outro de Caminho Mágico.

27. Há grande perigo em mim; pois quem não compreende estas runas cometerá um grande erro. Ele cairá dentro da cova chamada Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.

28. Agora uma maldição sobre Porque e sua parentela!

29. Seja Porque amaldiçoado para sempre!

30. Se Vontade para e clama Por quê? invocando Porque, então Vontade para e nada faz.

31. Se Poder pergunta por quê?, então Poder é fraqueza.
Agora nós chegamos a um desafio que é sob alguns aspectos ainda mais ousados do que qualquer outro já realizado. Antes, o senso moral dos homens foi indignado. Ele agora volta a atacar a própria Razão. Ele considera a razão como sendo uma máquina sem alma. Sua função adequada é expressar a Vontade em termos de pensamento consciente, sendo que a vontade é a necessidade do ser mais íntimo de se expressar ao provocar algum Evento. Esta vontade (como tal) não é consciente. Nós podemos apenas nos conscientizar dela, e assim desfrutar e aprender com o Evento, ao criar uma Imagem dela. Razão é a máquina cuja função é fazer isto. Quando a razão usurpa as funções superiores da mente, quando ela ousa decretar para a Vontade quais deveriam ser os seus desejos, ela destrói toda a estrutura da estrela. O Ser deveria por a Vontade em movimento, ou seja, a Vontade somente deveria receber as suas ordens de dentro e do alto. Ela não deveria estar de forma alguma consciente. Porém algo ainda pior pode acontecer a ela. Uma vez estando consciente, ela se torna capaz de duvidar; e, não possuindo meios para se livrar disso recorrendo ao Ser, ela busca uma razão para a sua ação. A razão, nada conhecendo sobre o assunto, responde prontamente, baseando o seu julgamento, não sobre as necessidades do ser, mas sobre fatos externos e alheios à estrela. Ela é, de fato, guiada por estranhos cuja verdadeira linguagem ela pouco conhece e na maior parte erroneamente. Tendo a Vontade se fixado na dúvida, segue novamente em erro. A Vontade nunca deve perguntar o por quê. Ela deve estar tão segura de si mesma quanto a Lei da Gravidade.

32. Também razão é uma mentira; pois existe um fator infinito e desconhecido; e todas as suas palavras são artifícios.
Aiwass agora salta para o golpe supremo. A própria Razão é uma mentira. Ele explica que este deve ser o caso com relação à natureza das coisas. A Razão pode estar em perfeita ordem e nunca cometer um erro, isto é, dentro dos limites dos seus poderes. Porém ela nunca pode estar segura de estar certa a menos que o seu conhecimento seja completo, o que naturalmente pode nunca acontecer. De fato, sendo limitada pelas suas próprias leis, ela não possui meios para descobrir se em qualquer caso possa não existir algum fator vital para o problema, cuja verdadeira natureza ela não possui nenhum conhecimento. Seus próprios axiomas meramente expõem os seus limites. É como se um bispo em um jogo de xadrez afirmasse que ele jamais poderia se mover exceto por uma linha reta oblíqua, o que é verdadeiro apenas com relação às regras do jogo, e não levasse em conta as leis do movimento como tais. Aiwass afirma que algum fator desse tipo sempre se esconde em todo problema que possa ser apresentado à razão. Ele chama isso de “um fator infinito e desconhecido” – desconhecido uma vez que nenhuma mente jamais pode conter a totalidade dos fatos da natureza que possam se aplicar. Portanto ela deve ficar satisfeita em trabalhar dentro de limites estreitos e declarar seus resultados sob a reserva de que eles estão corretos apenas se nós admitirmos que seus dados são suficientes. O fator é também infinito da mesma forma que um átomo no mundo dos corpos sólidos é maior do que a maior superfície. Mais ainda, o plano não é totalmente real com relação ao sólido; ele nada mais é do que um modo que o ser real escolheu para expressar um item do seu conhecimento sobre a natureza. A razão do homem jamais deveria se permitir esquecer de que ela é real apenas no caso dificilmente provável de o mundo terminar consigo mesmo. É mais sábio ter em mente que todos os Eventos, por mais verdadeiros e reais que possam parecer (e são, tal como medido pelas regras do jogo) são por fim sinais de um código que Hadit projetou de modo a expressar a sua natureza em termos de seus atos de amor sob vontade com uma ou outra parte de Nuit.

O Anjo conclui dizendo que as declarações da razão são “distorcidas.” O fato de que a razão emprega um conjunto de símbolos para trabalhar com os mesmos distorce todo o trabalho. É como quando um pintor obtém o efeito de forma sólida sobre uma superfície plana através do uso inteligente das leis da óptica. Não importa, então, o quão verdadeiramente a razão a razão trabalhe, e o quão bem ela retorne à mente os eventos que ela descreve, os seus pensamentos nunca são os mesmos que as coisas pensadas. Disto segue que deveríamos ser tolos se confiássemos na razão para nos guiar a fim de responder a Porque.

33. Chega de Porque! Seja ele condenado a um cão!
O ataque termina com a maldição zombeteira “Chega de Porque! Seja ele danado por um cão!” Neste livro, mesmo o estilo de uma letra é completamente importante. A palavra “cão” ocorreu antes disso. Primeiramente, o cão é usado como um símbolo de uma forma que restringiria um Deus que a habitasse. Novamente “Há morte para os cães”, isto é, restringir a ação livre resulta em paralisá-la de uma vez por todas. Mais adiante “os cães da Razão.” O pensamento da mente originado e alimentado pelos sentidos tende a restringir o ser, a impor a vontade do mundo sobre ele, uma vez que a finalidade do mundo é prove-la com objetos de amor através dos quais ela possa se realizar e se conhecer. Tornar-se passivo com relação aos pensamentos e os sentidos é aceitar os grilhões de escravo. Então agora o Porque é chamado de cão, ou seja, um pensamento que tende a restringir e obstruir a Vontade. A Verdadeira Vontade não é causada, sendo simplesmente a medida do movimento do ser em relação a qualquer objeto dado. É um abuso do termo ‘causa’ aplicá-lo nesse caso. Os homens tem dito que a vontade nunca é livre, porque ela é o efeito de duas causas interligadas entre a natureza do Ser e aquela do momento. Isto é colocar a carroça na frente do cavalo. O símbolo Cão foi bem escolhido. Ele é Deus soletrado de trás para frente ou negado. A natureza do cão é servil; os cães não podem depender de si mesmos, eles nunca olham o mundo através dos seus próprios olhos, eles devem aceitar algum código imposto sobre eles que venha de cima. Além disso, os Magos de antigamente usavam o Cão como um símbolo daqueles desejos e temores baixos que caçam, saltam para cima e puxam para baixo a alma de tais homens que não sabem como dominá-los.

34. Porém vós, ó meu povo, erguei-vos e despertai!

35. Que os rituais sejam corretamente conduzidos com prazer e beleza!

36. Há rituais dos elementos e festas das estações.

37. Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!

38. Uma festa para os três dias da escrita do Livro da Lei.

39. Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta – secreta, Ó Profeta!

40. Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses.

41. Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa ainda maior para a morte!

42. Uma festa todo dia em vossos corações no prazer do meu êxtase!

43. Uma festa toda noite para Nu, e o prazer de extremo deleite!

44. Sim! festejai! alegrai-vos! não há pavor no porvir. Existe a dissolução, e o eterno êxtase nos beijos de Nu.
Com um vigor abrupto o assunto passa para o triunfo dos Mestres. Aiwass ordena que nos ergamos e despertemos. Ele prescreve meios de adoração. Nós devemos invocar com alegria e beleza. Ele começa fazendo uma lista de rituais e festas; e no curso disto ele provoca em si mesmo um estado de arrebatamento de modo que estes ritos anteriormente definidos em ordem, reúnem forças, onda após onda, cada vez mais rápido, até que finalmente ele proclama todas as ocasiões e locais como adequados para festas. Por fim ele exclama mais uma vez que todos estes prazeres estão livres de qualquer traço de veneno oculto. Nós devemos tornar o presente perfeito, sem o mínimo temor de que estejamos criando problemas para nós mesmos no futuro. De fato, nossos corpos são dissolvidos; porém isto nos traz a um pleno êxtase atemporal. Nós desfrutamos de tudo o que possa existir, de um modo que não conseguiríamos nem mesmo na melhor das hipóteses enquanto estávamos forçados a medir a nossa Magia em termos de corpo e mente. Pode ser que os eventos cessem de ocorrer, que eles se tornem um único evento, um estado constante de alegria.

45. Há morte para os cães.
Nós não devemos confundir tal passagem para além da vida terrena com a morte; morte é para os cães. Eles se restringem a si mesmos mais e mais; temores, ganância, falsidades se reúnem como abutres para banquetear sobre a sua carne; até que finalmente eles não encontram meios de se dirigir para o que não está obstruído por um ou outro dos seus pecados, suas barreiras auto criadas para a ação livre. Eles não podem mais provocar qualquer evento além da estreita rotina à qual eles foram forçados pelos seus fracassos, abraçar a Natureza, amar, cortejar e controlar a beleza de Nuit. Pouco a pouco a máquina falha em seguir adiante. Sua prudência, mais do que qualquer outra coisa, ajudou a destruir o seu poder de conhecer fatos novos. As menores surpresas podem perturbá-la; e, mais cedo ou mais tarde, ou ela encontram algum problema que a quebra em pedaços, ou a desgasta e a paralisa. Ela está morta.

46. Tu falhaste? Tu lamentas? Existe medo no teu coração?

47. Onde Eu estou estes não estão.
O Anjo continua a me desafiar à queima-roupa com relação à minha própria alma. Fracasso, tristeza e temor simplesmente não podem existir na presença de Hadit. Sua natureza é ter sucesso, regozijar e ousar provocar evento após evento, confiante em si mesmo em qualquer e cada um dos casos.

48. Não lamenteis pelos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: Eu odeio o consolado e o consolador.
Nós agora voltamos para aqueles que não são Hadit. Nós não devemos lamentar pelos caídos. A primeira verdade a respeito de um ‘ponto-de-vista’ é que ele mantém seu lugar. De fato ele segue, mas nunca pode cair. Cair é ceder a uma pressão fora de si mesmo; e isto é cessar de manter o “ponto-de-vista” que é da essência de Hadit. Hadit jamais conheceu os caídos. Um ponto-de-vista real não pode ser abalado. Nós devemos consolar tais miseráveis? É inútil. Isso não é melhor do que uma mentira a mais; e quem conta aquela mentida é falso em relação à sua própria Divindade.

49. Eu sou único e conquistador. Eu não sou dos escravos que perecem. Sejam eles condenados e mortos! Amen. (Isto é dos 4: existe um quinto que é invisível, e ali Eu sou como um bebê em um ovo.)
Hadit é “único”. Todo ponto que existe é Hadit. Cada um é sem limite e, portanto todos são por fim semelhantes em todos os aspectos. Ao mesmo tempo não existem dois que sejam semelhantes de qualquer modo, se comparados em qualquer ponto-momento dado. Esta é uma das declarações deste livro que envolve uma nova visão da natureza – uma visão muito além de qualquer outra apresentada e uma visão com a virtude de resolver todo problema que o cosmos apresente às nossas mentes. Ele pode explicar a matéria de modo simples desta forma. Não existem dois pontos em uma linha que sejam o mesmo. A distância entre eles e todos os outros pontos difere. Cada linha, AB, AC, etc., é única e, muito embora AB=A’B’, eles se diferenciam em relação a C’. AC’ não pode ser igual a A’C’. Linhas traçadas em duas direções a partir de um ponto são iguais apenas no comprimento; cada ponto em cada uma se difere apenas em relação a qualquer outro ponto. Ao mesmo tempo, sendo a linha suposta como infinita, a soma daquilo que pode ser dito sobre todos os pontos é a mesma. Nenhum ponto pode afirmar que é uma distância exclusiva de qualquer outro ponto.

Hadit é “conquistador”. É sua função tornar-se mestre de tudo o que possa existir e todo evento que ele provoca é uma vitória. Ele nega o parentesco com “os escravos que perecem”. Estes são totalmente estranhos à sua natureza. Á menos que se esteja ativo, se é condenado e morto: e esta é a maldição sobre todos os escravos, sobre todos aqueles que se submetem àquilo que conhecem, que eles são condenados a sofrer a restrição das suas Vontades. O mundo se torna uma prisão para o ser ao invés de um parque de diversões; e em breve os portões da prisão se tornam o lacre da tumba.

É preciso ter em mente que todos estes seres não são reais em qualquer sentido adequado do termo. Eles não são estrelas de modo algum. Á medida em que eles pensam em si mesmos como “eu” pode-se dizer que eles possuem um ponto-de-vista, porém, a menos que este seja forte o suficiente para persistir através de todos os Eventos, este não é verdadeiramente um ser, mas um fantasma do Ser projetado sobre uma tela pela luz dos eventos ao seu redor. As almas escravas são de fato detalhes do nosso dispositivo para observar a natureza. Elas nos ajudam a observar como um dado conjunto de eventos afeta esta ou aquela mente consciente. Elas poupam o nosso tempo nos contando o que elas sentem e pensam. Podemos aprender com elas como guiar o nosso próprio curso.

Esta grande maldição é selada com um solene Amém; porém o uso da palavra recorda a Aiwass que este livro deve provar mais e mais vezes a sabedoria e a habilidade, o conhecimento e o poder do seu autor como sendo de um grau além de qualquer um já possuído por qualquer homem. Portanto ele propõe um enigma sobre a palavra Amém. Ele sugere um modo secreto de grafá-lo que, quando descoberto, concederá nova vida e vida de uma qualidade superior à Alma da palavra. Eu apresento este enigma em outra parte.

50. Azul Eu sou e ouro na luz da minha noiva: mas o brilho vermelho está nos meus olhos; e meus adornos são púrpura e verde.

51. Púrpura além de púrpura: esta é a luz mais alta que a visão.
Nós devemos notar o modo estranho pelo qual Aiwass se dirige para frente e para trás desde as doutrinas chocantes sobre ética e outros problemas mentais e morais até tentar declarar a Natureza de Hadit em diversos símbolos. Ele agora deixa a questão de “escravos” para nos contar sobre a natureza da luz apropriada a Hadit. Ele é “Azul… e ouro na luz de” Nuit; quer dizer, o céu coberto de estrelas que é a imagem dela o revela. É claro que ele, não tendo forma, exceto pela virtude dela, não pode ser conhecido ou visto. Buscá-lo é meramente buscar por uma das coisas que possam existir; ou seja, naturalmente, como a própria Nuit. Sua natureza aparece apenas por meio do “cintilar vermelho” nos seus olhos. Sua luz ardente que deseja se unir com ela em todas as suas formas pode ser vista naqueles órgãos pelos quais ele percebe a si mesmo. Pois assim que nós pensamos nos olhos de Hadit, que expressam a sua Vontade e a sua inteligência, nós mesmos começamos a participar do nosso parentesco com ele, e nós imediatamente pensamos no desejo ardente do espírito em consumir todas as coisas.

Na imagem dele como uma serpente, nós pensamos na sua forma externa como “cintilações”. Onde quer que ele entre em contato com qualquer coisa à qual ele possa reagir, há um esplendor de luz e esta luz púrpura e verde. Aiwass explica que o púrpura significa a luz além do violeta do espectro, e talvez também aquilo que está além do vermelho. Pois a palavra tenciona claramente expressar os extremos ativos daquela ordem de duplo movimento que nós chamamos de vida, na qual o verde é o centro da porção que estamos capacitados para perceber. Verde é a mais passiva das cores. Nós a relacionamos com a natureza de Vênus. Ela sugere amor, paz e o crescimento das plantas e árvores; ao passo que a luz que nós relacionamos com Júpiter é violeta e nos faz pensar sobre a mais alta divindade que se projeta além da nossa visão ao puro movimento do espírito. Vermelho é a cor de Marte – da forma mais baixa de energia, tendendo mais ao calor do que à luz, e se projetando além da luz para alguma forma da ação do espírito que parece tender em direção à morte da própria energia. O púrpura de Hadit combina estes extremos. Ele transforma uma na outra à vontade. Nele elas são uma só.

Este é o segredo final da Física. Guiado pelo Livro da Lei, homens de ciência logo descobrirão que a mais absoluta profundidade está unificada com a mais absoluta altura. A energia se degrada até que ela encontra um ponto onde ela se torna novamente a raiz da forma mais elevada. Eu mostrei em alguma parte o modo desta mudança. O ponto principal é (neste lugar) salientar que o Livro da Lei afirma que a energia nem começa nem termina, mas se move através de um ciclo de mudança. Nós casualmente percebemos apenas aquele arco da curva no qual todo evento é seguido, após um aparente descarte da substância de energia pelo nascimento de calor e luz; e toda energia parece se exaurir nos seus atos de “amor sob vontade”, perdendo o seu propósito mais alto e escorregando cada vez mais baixo na escala. Se esta visão parcial fosse a verdade, não haveria resposta para a pergunta “o que originou aquela forma superior de energia?” O Livro da Lei declara claramente a verdade, de modo que, quando os homens conseguirem descobrir a verdade, eles possam conhecer algo sobre a natureza de Aiwass, e admitir seu direito de estabelecer uma lei para a humanidade. Quando o problema estiver resolvido, se não antes, os detalhes sobre a verdade serão encontrados expressados de forma cifrada no texto do Livro.

52. Existe um véu: esse véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu de tristeza e a mortalha da morte: isto não é de mim. Rasgai aquele falso espectro dos séculos: não veleis os vossos vícios em palavras virtuosas: esses vícios são meu serviço; faze-os bem, e Eu vos recompensarei agora e no futuro.
Da luz vamos agora para a ausência de luz. Ainda assim isto não é real. Isto é um véu. Este véu não está na ordem da natureza. Ele foi feito de vergonha e medo, tentando trancar tudo o que é verdadeiro e real da alma. Resistir à mudança e desafiar a natureza, esta é a chave da Magia do mal da Fraternidade Negra, cujo ídolo é a mulher modesta. Seu véu é de tristeza e morte. Nós de Thelema adoramos Nuit: “tudo o que pode ser” adorado por “tudo o que é.” Suas formas são inumeráveis; e em cada uma ela se entrega livremente para todas e cada alma que A deseje. Então a Sua sacerdotisa na terra é a Mulher Escarlate, a Meretriz da Besta que concede tudo o que ela pode a todos que desejam. Cada um dos seus atos invoca mudança que é vida. Por outro lado, a “mulher modesta” se oculta e se nega. Ela está com medo e envergonhada de si mesma – com medo e envergonhada de todos os homens. Ela sonha que algo pode acontecer a ela, e assim permanece rígida e inflexível em morte mesmo no auge da sua juventude. Este verso do Livro da Lei é o desafio final ao passado. O Anjo golpeia sua lança de ponta afiada sobre o temeroso escudo do covarde e escravo que espreita por trás da mascara de um Mestre, de um fantasma, um espantalho, erguido por ele para espantar os cancioneiros alados da liberdade dos campos férteis que são seus por direito. Até este verso, talvez pudesse ter estado em poder de algum sofista sutil a explicação dos versos deste livro. Aqui Aiwass não deixa sombra de dúvida. Ele diz com o máximo de clareza “Rasgai aquele falso espectro dos séculos: não veleis os vossos vícios em palavras virtuosas: esses vícios são meu serviço; faze-os bem, e Eu vos recompensarei agora e no futuro.”.

O Anjo nem ao menos se digna a mostrar que aquilo que as pessoas piedosas chamam de vícios são de fato virtudes: ou seja, símbolos de masculinidade; ou que vícios significam “imperfeições”. Ele usa estas duas palavras no seu sentido vulgar. Desafiar o mundo para um duelo até a morte. Ele não tenta a humanidade meramente para aquilo que os cristãos chamam de mal, ele diz que estes vícios são do sacerdotado de Hadit, meios de invocá-Lo, meios de chegar à verdade, escadarias para galgar até a Divindade. Nós não seremos punidos por fazer o que é errado, como eles o chamam. Tanto aqui como doravante a nossa recompensa é garantida.

Mais ainda. O véu é odioso. Nós não podemos, como a classe dominante dos homens fazem agora, nos divertirmos de todas as formas, e fingir com o máximo de cautela que não fazemos nada disso. Nós devemos ter orgulho do nosso prazer. Nós devemos ser desavergonhados e francos. Já que tudo o que existe, é Deus, o único erro é impedir que Deus seja ele mesmo ou que faça a sua vontade, ou que descubra a sua verdade.

53. Não temais, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, tu não te arrependerás. Tu és enfaticamente meu escolhido; e abençoados são os olhos sobre os quais tu contemplares com alegria. Mas Eu te ocultarei em uma máscara de tristeza: aqueles que te virem temerão que estejas caído: mas Eu te levanto.
Não seria de se admirar que eu tivesse tremido enquanto escrevia estas palavras. Aiwass se apressa em me aliviar. Ele me diz que ao final da jornada se encontra a Hospedaria do Prazer. Eu fui suficientemente tolo nestes dias para sempre recusar aquilo que parecia estranho ou detestável antes que se completasse na minha mente, e eu vim a perceber o significado mais íntimo. Meu Anjo foi além deste simples não-temei. Ele insiste que eu sou ‘escolhido’ e me concede o maior desejo do meu coração, me garante que minha vontade será satisfeita, que aqueles a quem eu olhar com alegria receberão todas as bênçãos; eles contemplarão todas as coisas em sabedoria, prazer e beleza. Que eu poderia ter este poder de libertar a humanidade, de curar as suas feridas, de abrir os seus olhos para a beleza e seus ouvidos para a música, eu tinha renunciado à minha própria carreira, me entregado sem reservas à Grande Obra, investi vida e razão muitas vezes ousando cometer todos aqueles feitos que até mesmo o mais intrépido dos homens não ousaria – e recuei.

Ainda assim, para o secreto propósito dos Deuses, pode ser que eu não deva entrar em meu reino de uma vez à vista de todos os homens. Seu desígnio exigia que eu deveria ser ocultado em uma máscara de tristeza. Observe que a palavra é “máscara” e não “véu.” Não há falsidade nesse caso, apenas uma comédia que deve ser encenada. Portanto isso foi preparado de tal forma que aqueles que me conhecessem poderiam pensar que eu falhei. De fato, tão autêntica era a mascara que eu mesmo, me olhando no espelho, poderia ser tentado a temer que eu tivesse fracassado. Ele, ciente da minha fraqueza, imediatamente me garantiu: “mas eu te levantarei.”.

54. Nem para aqueles que alardeiam sua insensatez de que tu não tens valor algum; tu revelarás isto: tu tens valor: eles são os escravos de porque: Eles não são de mim. As pontuações como tu quiseres; as letras? Não as modifique em estilo ou valor!
Meu espírito também estava pesado, devido àqueles que zombaram do meu discurso, e afirmaram que ele não tinha sentido. Aiwass me garantiu que a tolice deles de nada serviria, que eu deveria ter êxito na minha Obra de mostrar a verdade, que eu teria valor. Meus críticos estão enfeitiçados pela razão; eles não são eles mesmos. Eles são os escravos das suas máquinas mentais. Esta questão do meu motivo se refere antes de tudo a este Livro; pois Aiwass segue estritamente repetindo sua advertência em não alterar as letras do texto. Foi-me permitido inserir pontuações conforme minha escolha.

55. Tu obterás a ordem e o valor do Alfabeto Inglês; tu obterás novos símbolos para atribuir a eles.
Depois, ele me preparou uma nova tarefa. Eu deveria atribuir valores às letras em inglês de modo a obtê-las em hebraico. Eu trato completamente deste assunto em outra parte.

56. Ide! vós escarnecedores; embora escarnecei em minha honra vós não rireis por longo tempo: então quando estiverdes tristes sabereis que Eu vos abandonei.
Outra mudança súbita. Ele lança desprezo sobre aqueles que zombam desta obra.

57. Aquele que é correto permanecerá correto; aquele que é sujo permanecerá sujo.

58. Sim! não acrediteis em mudanças; vós sereis como sois e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Não existe ninguém que deverá ser rebaixado ou elevado: tudo é sempre como foi. Ainda assim há mascarados que são meus servidores: pode ser que aquele mendigo ali seja um Rei. Um Rei pode escolher as suas vestes como quiser: não há teste exato: mas um mendigo não consegue esconder a sua pobreza.
“Pessoas que mudam o seu ponto de vista”, o Anjo repete, “não são verdadeiramente elas mesmas”. Embora cada evento seja mudança, estas mudanças formam uma curva fechada de modo que a sua soma é zero. Eu lidei com este assunto por complete em outros escritos. A essência da doutrina é que as coisas são estáveis apelas em virtude da sua mudança constante, que é a vida. Parar de mudar é morrer, que é a única mudança real que pode ocorrer. Quando ela ocorre, isto prova que a vida verdadeira jamais esteve ali.

Esta doutrina é imediatamente aplicada à questão dos Reis e dos escravos. O Anjo explica que existem dois tipos de homens – o escravo nunca pode se elevar, o rei nunca pode cair. Caso tais coisas pareçam ocorrer, isto um sinal de algum engano; a essência do homem, se ele for realmente um homem, é sempre a mesma. Isto é um ponto de vista que nunca se altera realmente, embora cada fato novo traga este mais completamente para a luz. Fui alertado sobre casos em que não devo me iludir. Eu não devo assumir que um homem que pareça um pedinte seja um. Ele pode ser um Rei cujo prazer é se disfarçar. Ele pode, naturalmente, retomar sua coroa e cetro quando ele se cansar desta diversão, enquanto que um pedinte não possui meios para fingir ser um rei. A ideia principal nisto é que eu posso achar necessário julgar as alegações de tais homens assim que possa conhecê-los; e Aiwass me garante aqui que eu terei facilidade em detectar falsos reis; porém me adverte para não desprezar aqueles que não ostentam sua virtude.

59. Cuidado, portanto! Amai a todos, pois talvez haja um Rei escondido! Tu dizes assim? Tolo! Se ele é um Rei, tu não podes feri-lo.

60. Portanto golpeia duro e baixo, e ao inferno com eles, mestre!
Devo eu então ser cuidadoso em como golpear, para evitar que, pensando estar matando um inescrupuloso, eu mate um dos meus pares? Não há perigo disso. Um dos testes de realeza é que ele deveria ser capaz de se defender contra o mundo. Portanto eu sou obrigado a golpear duro com toda minha força, e golpear para matar.

61. Existe uma luz diante dos teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável.

62. Eu estou erguido no teu coração; e os beijos das estrelas se derramam vigorosamente sobre teu corpo.

63. Tu estás exausto na voluptuosa plenitude da inspiração; a expiração é mais doce do que a morte, mais rápida e risonha que uma carícia do próprio verme do Inferno.

64. Ó! tu estás dominado: nós estamos sobre ti; nosso deleite está todo sobre ti: salve! salve! profeta de Nu! profeta de Had! profeta de Ra-Hoor-Khu! Agora regozija! agora vem em nosso esplendor e êxtase! Vem em nossa paz apaixonada, e escreve doces palavras aos Reis!

65. Eu sou o Mestre: tu és O Santo Escolhido.

66. Escreve, e encontra êxtase na escrita! Trabalha, e sê nosso leito no trabalho! Vibrai com o prazer de vida e da morte! Ah! tua morte será adorável: todo aquele que a vir ficará alegre. Tua morte será o selo da promessa do nosso antigo amor. Vem! eleva o teu coração e regozija! Nós somos um; nós somos nenhum.

67. Espera! Espera! Suporte-se em teu êxtase; não caias no desmaio dos excelentes beijos!

68. Mais forte! Mantenha-te! Levanta tua cabeça! não respires tão profundamente – morra!
O cheiro de batalha nas minhas narinas serve pelo menos para despertar a minha masculinidade, para elevar a minha Divindade dentro de mim. Ao longo deste capítulo eu me rebelei muitas vezes contra o meu Mestre; mas agora a escuridão se dissipou e foi embora. O meu Ser Verdadeiro flamejou dentro de mim. Eu me tornei um com Hadit; eu entrei em transe de uma vez. Uma luz repentina brilhou em meus olhos. Hadit se ergueu dentro do meu coração; e naquele instante eu estava emocionado com o amor de Nuit. Ela veio para mim mais rápido do que a própria luz. Meu corpo foi golpeado pelos beijos das estrelas. Quando eu recuperei o fôlego, minha carne se separou de mim como trapos estragados. Eu expirei e senti um beijo mais veloz, mais risonho do que a própria morte. Alívio absoluto de todos os enganos pelos quais o meu cérebro esteve cego.Eu não preciso entrar em detalhes sobre este transe. O texto descreve os fatos sob todos os aspectos melhor do que poderia ser feito de qualquer outra maneira.

69. Ah!Ah! O que Eu sinto? A palavra está esgotada?

70. Há ajuda e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu poderás suportar mais prazer. Não sejas animal; refina o teu êxtase! Se beberes, bebe pelas oito e noventa regras da arte: se tu amas, excede por delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa prazerosa, que haja sutileza ali!
Após um tempo a minha parte mortal falhou em suportar o estresse do arrebatamento. Eu voltei a mim mesmo, ou melhor, me perdi de mim mesmo, querendo saber quem eu era, e o que tinha acontecido, e se a palavra estava por um fim. Aiwass então me ensinou sobre como me preparar para tais eventos extremos. Eu devo mencionar que este transe cumpriu a promessa que eu tinha pedido aos Chefes Secretos quando eu concordei em aceitar a tarefa a qual eles desejavam me encarregar. “Se eu devo cumprir o meu ofício como tem de ser, eu deveria primeiramente alcançar aquela visão clara da verdade, sem a qual qualquer ato meu seja com certeza um erro”. Eu trabalhei duro por um longo tempo para alcançar um transe desse tipo e jamais tinha chegado próximo do sucesso. Ainda mais agora, sem uma palavra de aviso eu fui capturado nele. O segredo era este: a ruptura da minha falsa Vontade por meio daquelas palavras terríveis do meu Anjo libertaram o meu Ser Verdadeiro de todas as suas restrições, de modo que eu pudesse desfrutar imediatamente o êxtase de saber que eu sou quem sou. Para se preparar para tal obra é preciso se fortalecer de todas as formas, a fim de ser capaz de “suportar mais prazer”. Isso não implica em força bruta. A natureza do arrebatamento é tal que quanto mais refinado for, mais forte será. Assim, ao se embriagar para adorar Hadit, se deve observar as “oito e noventa regras da arte” (eu explico o significado desta cifra em outra parte). De modo semelhante, no amor, o excesso não deve ser obtido através de violenta luxúria. O artista é o modelo. Deve-se aprender a desfrutar de cada mínimo detalhe; ainda assim mesclá-los todos em um único conceito sublime. A mesma tática se aplica a todas as ações prazerosas. A chave para o sucesso é o refinamento.

71. Mas excede! excede!
Aiwass se apressa em me advertir que eu não devo interpretar estas palavras no sentido de que devamos diluir nossos prazeres. Nós não devemos ser gentis e delicados. Nunca se esqueça de que os truques da arte são piores do que inúteis, a menos que eles surjam da força e paixão. A essência do sucesso é o intenso desejo de bater o seu próprio recorde as tanto quanto a nível mundial em todas as coisas que se faça. O erro mais fatal é se cansar da tarefa, embora tendo escolhido aquela na qual possa se tornar perfeito, e ansiar por mais mundos para conquistar.

72. Esforça-te cada vez mais! e se tu és verdadeiramente meu – e não duvides disto, e se tu és sempre jubiloso! – morte é a coroa de tudo.
Está implícito que o curso da própria vida deve ser transformado em uma obra de Arte, que se deve ansiar pela morte como o único clímax adequado. Se deve morrer realizando a sua própria tarefa.

73. Ah! Ah! Morte! Morte! Tu ansiarás pela morte. Morte é proibida a ti, ó homem.

74. A extensão da tua ânsia deverá ser a força de tua glória. Aquele que vive muito tempo e deseja muito a morte é sempre o Rei entre os Reis.
Um desafio final soa agudo. Existe uma doutrina a respeito da morte, talvez mais estranha do que todas as outras. É uma marca de sucesso na Magia realizar completamente a sua própria obra em sua plenitude, de modo que a vida não tenha mais nada a oferecer, e se começa a desejar muito pela grande jornada para dentro do desconhecido – o Chamado da Velha Trilha Longa. Não é permitido acelerar na partida. A medida do esplendor da morte é a força e a coragem necessárias enquanto se aguarda por ela. Por quanto mais tempo se viver e quanto mais se desejar morrer, mais régia será a sua natureza.

75. Sim! ouve os números e as palavras:

76. 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. O que significa isto, ó profeta? Tu não o sabes; nem tu saberás sempre. Chegará àquele que te sucederá: ele o exporá. Mas lembra-te, ó escolhido, de ser Eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de olhar pelos homens, de dizer a eles esta palavra feliz.
Com isso o Anjo muda o Seu tema mais uma vez com brusca rapidez, e propor um enigma final. O objetivo deste código é fornecer prova de que o homem destinado a me suceder é meu herdeiro legítimo. O teste é que ele seja capaz de esclarecer o significado destes “os números e as palavras”.Esta breve passagem para do jeito que começou – subitamente, e Aiwass prossegue de imediato para me dar uma última ordem. Eu devo ter em mente constantemente que eu sou Hadit, que eu devo sempre aspirar a me unificar com todas as coisas que possam existir, e ainda assim também velar pela humanidade, pelo bem da qual eu primeiramente iniciei o caminho da Magia. Minha missão é “anunciar a eles esta mensagem feliz”.

77. Ó sejas tu orgulhoso e poderoso entre os homens!

78. Ergue-te! pois não há ninguém como tu entre os homens ou entre os Deuses! Ergue-te, ó meu profeta, tua estatura ultrapassará as estrelas. Elas adorarão o teu nome, quádruplo, místico, maravilhoso, o número do homem; e o nome de tua casa 418.
Sabendo muito bem como os homens sempre agem com relação a qualquer profeta da Verdade, meu Anjo me obriga a ser “orgulhoso e poderoso entre os homens” – não ser humilhado pelo escárnio ou enfraquecido pelos golpes dos meus companheiros. Na metade da Carta foi dito “Eu te ergo”. Agora não há mais necessidade disso. Ele clama “Ergue-te!”. Ele me recorda sobre a minha posição exclusiva nas categorias de homens e Deuses. “Ergue-te”, ele repete; e me diz “tua estatura ultrapassará as estrelas”. Meu nome será considerado digno de adoração, e também aquela da minha casa. Novamente há um significado secreto para este verso: ele será explicado em outra parte.

79. O fim do esconder de Hadit; e bênção e adoração ao profeta da adorável Estrela!
Agora não há mais “esconder de Hadit”. Ele avançou em uma luz ofuscante. Resta apenas uma coisa a dizer, “bênção e adoração ao profeta da adorável Estrela” que por meio de “amor sob vontade” do seu Santo Anjo Guardião conseguiu destruir o seu falso ser e se livrou deste; assim se tornando a Voz pela qual a Luz da verdade possa brilhar sobre a noite dos Escravos-deuses, e anunciar o alvorecer do Æon da Criança Coroada e Conquistadora.

Capítulo III

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Os dois primeiros capítulos deste Livro descrevem Ideias sem limite; o terceiro se refere a um Evento fixo devido a uma união deles, a saber a vinda de

HERU-RA-HA.

O conteúdo do capítulo são instruções para aqueles que governarão Seu Æon em Seu Nome; e estes governantes apelarão a mim A Besta 666 para um comento sobre o texto quando houver necessidade.

Aum Ha.

© 2016 e.v. - O.T.O. - Ordo Templi Orientis





O Comentário de Djeridensis

Título Técnico: O Comentário de Djeridensis
Tradução: Arnaldo Lucchesi Cardoso
Revisão: Jonatas Lacerda
Edição: Jonatas Lacerda
Versão: 1.1 - 01/06/2013 e.v.
Nota:

“O Comentário de Djeridensis” foi escrito em 1923 e.v. por Aleister Crowley e a presente versão é baseada no documento datilografado por Leah Hirsig (as notas internas também são de Leah). A palavra “Djeridensis” significa essencialmente “pertencente a Djerid”, onde ensis significa “pertencente a” (geralmente um lugar) e Djérid (“palma”) – localizada em Nefta, Tunísia (no litoral de Chott de Djérid) – era o nome do hotel no qual o documento foi escrito. Nefta é considerada como o lar espiritual do Sufismo, e é o centro religioso da “Bled el Djerid” (“Terra de Palmas”).


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Aleister Crowley

Aleister Crowley, nascido Edward Alexander Crowley (12/10/1875, Royal Leamington Spa, Warwickshire, Inglaterra - 01/12/1947, Hastings, East Sussex, Inglaterra), ocultista britânico e Profeta do Novo Æon de Hórus.

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