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O Livro da Lei, Liber AL vel Legis

por Aiwass em O Livro da Lei, ΘΕΛΗΜΑ

O Livro da Lei, Liber AL vel Legis

O Livro da Lei, Liber AL vel Legis

Sigillum Sanctum Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴
Publicação em Classe A.

O Livro da Lei, Liber AL vel Legis

por Aiwass

Liber AL vel Legis
sub figurâ
CCXX
tal qual entregue por
XCIII
para
DCLXVI

 

Tradução de S. H. Frater Ever 8=3 A∴A∴

 

I

1. Had! A manifestação de Nuit.

2. O desvelar da companhia do céu.

3. Todo homem e toda mulher é uma estrela.

4. Todo número é infinito; não há diferença.

5. Ajude-me, ó guerreiro senhor de Tebas, em meu desvelar diante das Crianças dos homens!

6. Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração & minha língua!

7. Vê! é revelado por Aiwass o ministro de Hoor-paar-kraat.

8. O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.

9. Venerai então ao Khabs, e vede minha luz que irradia sobre vós!

10. Que meus servidores sejam poucos & secretos: eles regerão os muitos & os conhecidos.

11. Estes são tolos que os homens adoram; ambos seus Deuses & seus homens são tolos.

12. Aparecei, ó crianças, sob as estrelas, & saciem-se de amor!

13. Eu estou sobre vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Meu prazer é ver vosso prazer.

14. Acima, o gemado azul é
O despido esplendor de Nuit;
Ela se curva em êxtase para beijar
Os secretos ardores de Hadit.
O globo alado, o estrelado azul
São meus, Ó Ankh-af-na-khonsu!

15. Agora vós sabereis que o sacerdote & apóstolo eleito do infinito espaço é o sacerdote-príncipe a Besta; e em sua mulher chamada a Mulher Escarlate está todo o poder dado. Eles reunirão minhas crianças em seu cercado: eles trarão a glória das estrelas para os corações dos homens.

16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas para ele é a secreta chama alada, e para ela a descendente luz estrelar.

17. Mas vós não sois assim escolhidos.

18. Queimai sobre suas testas, ó serpente esplendorosa!

19. Ó mulher de pálpebras azuis, curva-te sobre eles!

20. A chave dos rituais está na palavra secreta que eu dei a ele.

21. Com o Deus & o Adorador eu nada sou: eles não me vêem. Eles são como sobre a terra; Eu sou Céu, e não há outro Deus além de mim, e meu senhor Hadit.

22. Agora, portanto, eu sou conhecida por vós pelo meu nome Nuit, e dele por um nome secreto que eu lhe darei quando enfim ele me conhecer. Uma vez que eu sou Infinito Espaço, e as Infinitas Estrelas dali, também fazei vós assim. Nada ateis! Que não haja diferença feita por vós entre uma coisa & qualquer outra coisa; pois daí vem sofrimento.

23. Mas aquele que se aproveitar disso, que ele seja o chefe de tudo!

24. Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinquenta.

25. Dividi, somai, multiplicai e compreendei.

26. Então diz o profeta e escravo da bela: Quem sou eu, e qual será o sinal? Então ela lhe respondeu, curvando-se, uma cintilante chama de azul, tudo tocante, tudo penetrante, suas amáveis mãos sobre a terra negra, & seu corpo flexível arqueado para o amor, e seus pés macios sem machucar as pequenas flores: Tu sabes! E o sinal será meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença de meu corpo.

27. Então o sacerdote respondeu & disse à Rainha do Espaço, beijando suas amáveis sobrancelhas, e o orvalho de sua luz banhando o corpo dele inteiro em um doce perfume de suor: Ó Nuit, contínua do Céu, que seja sempre assim; que os homens não falem de Ti como Uma mas como Nenhuma, e que eles não falem de ti de modo algum, uma vez que tu és contínua!

28. Nenhuma, respirou a luz, tênue & encantadora, das estrelas, e dois.

29. Pois eu estou dividida pela graça causa do amor, pela chance de união.

30. Esta é a criação do mundo, que a dor da divisão é como nada, e o prazer da dissolução tudo.

31. Por estes tolos dos homens e suas dores não te importes de modo algum! Eles pouco sentem; o que é, é equilibrado por débeis prazeres; mas vós sois meus escolhidos.

32. Obedecei meu profeta! persegui os ordálios do meu conhecimento! buscai-me apenas! Então os prazeres do meu amor vos redimirão de toda dor. Isto é assim: eu juro pela abóbada do meu corpo; pelo meu coração e língua sagrados; por tudo que eu posso dar, por tudo que eu desejo de vós todos.

33. Então o sacerdote caiu num profundo transe ou desmaio, & disse a Rainha do Céu; Escreve para nós os ordálios; escreve para nós os rituais; escreva para nós a lei!

34. Mas ela disse: os ordálios eu não escrevo: os rituais serão metade conhecidos e metade escondidos: a Lei é para todos.

35. Isto que tu escreves é o triplo livro da Lei.

36. Meu escriba Ankh-af-na-khonsu, o sacerdote dos príncipes, não mudará em uma letra este livro; mas para que não haja tolice, ele comentará em seguida pela sabedoria de Ra-Hoor-Khuit.

37. Também os mantras e os encantamentos; o obeah e o wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada; estes ele aprenderá e ensinará.

38. Ele deve ensinar; mas ele pode fazer severas os ordálios.

39. A palavra da Lei é θελημα.

40. Quem nos chama Thelemitas não errará, se ele olhar bem perto na palavra. Pois nela há Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

41. A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! não recuses tua esposa, se ela quer! Ó amante, se tu queres, parte! Não há laço que possa unir os divididos a não ser o amor: todo o resto é blasfêmia. Maldito! Maldito seja para os æons! Inferno!

42. Deixe estar aquele estado de multiplicipade atado e repugnante. Assim com tudo teu; tu não tens direito a não ser fazer tua vontade.

43. Faze isto, e nenhum outro dirá não.

44. Pois vontade pura, desembaraçada de propósito, livre do desejo de resultado, é toda a via perfeita.

45. O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!

46. Nada é uma chave secreta dessa lei. Sessenta e um os Judeus a chamam; eu a chamo oito, oitenta, quatrocentos & dezoito.

47. Mas eles têm a metade: una por tua arte para que tudo desapareça.

48. Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi, e nenhum pelo Livro?

49. Ab-rogados estão todos os rituais, todas os ordálios, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento ao Leste no Equinócio dos Deuses; e que Asar fique com Isa, que também são um. Mas eles não são de mim. Que Asar seja o adorador, Isa o sofredor, Hoor em seu nome secreto e esplendor é o Senhor iniciado.

50. Há uma palavra a dizer sobre a tarefa Hierofântica. Veja! há três ordálios em um, e pode ser dado de três modos. O bruto deve passar por fogo; que o fino seja testado no intelecto, e os altivos escolhidos no mais alto. Desta forma vós tendes estrela & estrela, sistema & sistema; que um não conheça bem o outro!

51. Há quatro portões para um palácio; o chão do palácio é de prata e ouro; lapis lazuli & jaspe estão lá; e todas as essências raras; jasmim & rosa, e os emblemas da morte. Que ele entre sucessiva ou simultaneamente pelos quatro portões; que ele fique de pé sobre o chão do palácio. Não irá ele cair? Amn. Ei! guerreiro, se teu servo cair? Mas há meios e meios. Sejai vistosos portanto:vesti vós todos em fino vestuário; comei comidas caras e bebei doces vinhos e vinhos que espumam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como vós quiserdes, quando, onde e com quem vós quiserdes! Mas sempre a me.

52. Se isto não estiver corretamente; se vós confundirdes as demarcações, dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre a me:então aguardai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!

53. Isto regenerará o mundo, o mundinho minha irmã, meu coração & minha língua, a quem eu mando este beijo. Também, ó escriba e profeta, embora tu sejas dos príncipes, isto não lhe satisfaz nem te absolve. Mas êxtase seja teu e a alegria da terra: sempre A me! A me!

54. Não mudes sequer o estilo de uma letra; pois vêde! tu, ó profeta, não contemplarás todos estes mistérios aqui escondidos.

55. A criança de tuas entranhas, ele os contemplará.

56. Não o espere do Leste, nem do Oeste; pois de nenhuma casa esperada vem esta criança . Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles entendem um pouco; resolvem a primeira metade da equação, deixam a segunda intocada. Mas tu tens tudo na luz clara, e alguns, embora não todos, no escuro.

57. nvoque-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Que nem os tolos confundam o amor; pois há amor e amor. Há a pomba, e há a serpente. Escolhei vós bem! Ele, meu profeta escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.

Todas essas velhas letras do meu Livro estão corretas; mas Tzaddi não é a Estrela. Isto também é secreto: meu profeta o revelará aos sábios.

58. Eu dou alegrias inimagináveis na terra: certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indizível, descanso, êxtase; nem eu exijo nada em sacrifício.

59. Meu incenso é de madeiras resinosas & gomas; e não há sangue lá: por causa de meu cabelo as árvores da Eternidade.

60. Meu número é 11, como todos os números deles que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho. Minha cor é preta para o cego, mas azul & ouro são vistos pelos videntes. Também eu tenho uma glória secreta para aqueles que me amam.

61. Mas amar-me é melhor que todas as coisas: se sob as estrelas noturnas no deserto tu presentemente queimas meu incenso diante mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da Serpente ali dentro, tu virás um pouco recostar-te em meu seio. Por um beijo tu quererais então dar tudo; mas aquele que der uma partícula de pó tudo perderá naquela hora. Vós reunireis bens e quantidades de mulheres e especiarias; vós usareis ricas joias; vós excedereis as nações da terra em esplendor & orgulho; mas sempre no meu amor, e então vós vireis à minha alegria. Eu vos exorto seriamente a que venhas diante de mim em um único robe, e coberto com uma rica tiara. Eu te amo! Eu te desejo! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, eu que sou todo prazer e púrpura, e embriaguez do sentido mais íntimo, te desejo. Ponha as asas, e desperte o esplendor serpentinado dentro de vós: vinde a mim!

62. Em todos os meus encontros convosco a sacerdotisa dirá – e seus olhos queimarão de desejo enquanto ela permanece nua e regozijando em meu templo secreto – A me! A me! expandindo a chama dos corações de todos em seu cântico de amor.

63. Cante a arrebatadora canção de amor a me! Queime perfumes a me! Use jóias a me! Beba a me, porque eu te amo! Eu te amo!

64. Eu sou a filha de pálpebras azuis do Crepúsculo; Eu sou o brilho nu do voluptuoso céu noturno.

65. A me! A me!

66. A Manifestação de Nuit está no fim.

II

1. Nu! o esconder de Hadit.

2. Vinde! todos vós, e aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido, e Khabs é o nome de minha Casa.

3. Na esfera eu em toda parte sou o centro, uma vez que ela, a circunferência, é em lugar algum encontrada.

4. No entanto ela deverá ser conhecida & eu nunca.

5. Vide! os rituais da velha era são negros. Que os maus sejam rejeitados; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá de forma correta.

6. Eu sou a chama que queima em todo coração do homem, e no âmago de toda estrela. Eu sou Vida, e o doador de Vida, também, portanto, o conhecimento de me é o conhecimento da morte.

7. Eu sou o Magista e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda, e o cubo no círculo. “Vinde a mim” é uma palavra tola: pois sou Eu quem vou.

8. Quem adorou Heru-pa-kraath adorou-me; errado, porque eu sou o adorante.

9. Lembrai todos vós que a existência é pura alegria; que todas as tristezas não passam de sombras; elas passam & se vão; mas há aquilo que permanece.

10. Ó profeta! tu tens má vontade em aprender este escrito.

11. Eu vejo-te odiar a mão & a caneta; mas Eu sou mais forte.

12. Por causa de mim em Ti que você não conhecestes.

13. por quê? Porque tu fostes o conhecedor, e eu.

14. Agora que haja um velar deste santuário: agora que a luz devore os homens e os engula totalmente com cegueira!

15. Pois eu sou perfeito, sendo Não; e meu número é nove pelos tolos; mas com o justo eu sou oito, e um em oito: O que é vital, pois eu sou nada em verdade. A Imperatriz e o Rei não são de mim; pois há um segredo ulterior.

16. Eu sou A Imperatriz & o Hierofante. Logo onze, como minha noiva é onze.

17. Ouçam-me, vós que suspirais!
As tristezas de dor e arrependimento
São deixadas para os mortos e os moribundos,
A gente que não me conhece ainda.

18. Estes são mortos, estes sujeitos; eles não sentem. Nós não somos para os pobres e tristes: os senhores da terra são nossos parentes.

19. Um Deus há de viver em um cão? Não! porém os mais elevados são dos nossos. Eles se regozijarão, nossos escolhidos: quem se lamenta não é dos nossos.

20. Beleza e vigor, riso exaltado e delicioso langor, força e fogo, são dos nossos.

21. Nós não temos nada com o proscrito e o incapaz: deixái-os morrer em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é vício de reis: pisa o infeliz & o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não penses, ó rei, sobre aquela mentira: Que Tu Deves Morrer: em verdade, tu não morrerás, mas viverás. Agora, que seja compreendido: Se o corpo do Rei dissolver, ele permanecerá em puro êxtase eternamente. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força & Visão, Luz; estes são para os servos da Estrela & da Cobra.

22. Eu sou a Cobra que dá Conhecimento & Deleite e glória brilhante, e incito os corações dos homens com embriaguez. Para adorar-me tomai vinho e estranhas drogas a respeito das quais Eu direi a meu profeta, & embriagai deles! De forma alguma eles vos causarão mal. É uma mentira, esta insensatez contra si. A exposição da inocência é uma mentira. Seja forte, ó homem! luxúria, aproveite todas as coisas do sentido e arrebatamento: não temais que algum Deus o negará por isso.

23. Eu sou só: não há nenhum Deus onde Eu sou.

24. Olhai! estes são graves mistérios; pois também há dos meus amigos que são eremitas. Agora não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas púrpuras, acariciados por magníficas mulheres bestiais com grandes membros, e fogo e luz em seus olhos, e cabelos volumosos e flamejantes em torno delas; lá vós os encontrareis. Vós os vereis no comando, em exércitos vitoriosos, em todo a alegria; e haverá neles uma alegria um milhão de vezes maior do que essa. Cuidado para que um não force o outro, Rei contra Rei! Amem-se uns aos outros com corações ardentes; nos homens inferiores pisai na feroz ganância de seu orgulho, no dia de sua fúria.

25. Vós sois contra o povo, Ó meus escolhidos!

26. Eu sou a secreta Serpente enroscada a ponto de saltar: em meu enroscar há alegria. Se eu ergo minha cabeça, eu e minha Nuit somos um. Se eu pendo minha cabeça, e ejaculo veneno, então é arrebatamento da terra, e eu e a terra somos um.

27. Há um grande perigo em mim; pois quem não entende estas runas cometerá um grande erro. Ele cairá no abismo chamado Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.

28. Agora uma maldição sobre Porque e sua família!

29. Possa Porque ser amaldiçoado para sempre!

30. Se a Vontade para e clama Por quê, invocando Porque, então a Vontade para & nada faz.

31. Se o Poder pergunta por quê, então o Poder é fraqueza.

32. Também a razão é uma mentira; pois há um fator infinito & desconhecido; & todas as suas palavras são meandros.

33. Basta de Porque! Seja ele danado como um cão!

34. Mas vós, ó meu povo, levantai & despertai!

35. Que os rituais sejam corretamente executados com alegria & beleza!

36. Há rituais dos elementos e festas das eras.

37. Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!

38. Uma festa pelos três dias de escritura do Livro da Lei.

39. Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta – secreto, Ó Profeta!

40. Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses.

41. Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa maior para a morte!

42. Uma festa todo dia em seus corações na alegria de meu arrebatamento!

43. Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do deleite extremo!

44. Sim! festa! regozijai! não há pavor no além. Há a dissolução, e êxtase eterno nos beijos de Nu.

45. Há morte para os cães.

46. Tu fracassas? Te lamentas? Há medo em teu coração?

47. Onde Eu estou estes não estão.

48. Não te apiedes dos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: Eu odeio o consolado & o consolador.

49. Eu sou único & conquistador. Eu não sou dos escravos que perecem. Sejam eles danados & mortos! Amém. (Isto é dos 4: há um quinto que é invisível, & nisto eu estou como um bebê num ovo.)

50. Azul sou Eu e ouro na luz de minha noiva: mas o brilho vermelho está em meus olhos; & minhas escamas são púrpura & verde.

51. Púrpura além do púrpura: é a luz acima da visão.

52. Há um véu: este véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu da tristeza, & a mortalha da morte: nada disto é de mim. Arrancai aquele espectro mentiroso dos séculos: não veleis vossos vícios com palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; fazei vós bem, & eu vos recompensarei aqui e no além.

53. Não tema, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, tu não deverás te lamentar. Tu és enfaticamente meu escolhido; e abençoados são os olhos que tu contemplares com alegria. Mas eu te esconderei em uma máscara de tristeza: eles que te virem recearão que tu estás caído: mas Eu te ergo.

54. Nem irão eles que bradam suas tolices de o que tu dizes de nada serve; tu o revelarás: tu vales: eles são os escravos de porque: Eles não são de mim. Os pontos como tu quiseres; as letras? não as mude em estilo ou valor!

55. Tu obterás a ordem & o valor do Alfabeto Inglês; tu encontrarás novos símbolos para atribuir a ele.

56. Fora! vós zombadores; embora vós rides em minha honra vós não rireis por muito tempo: então quando vós estiverdes tristes sabei que Eu vos abandonei.

57. Aquele que for virtuoso será virtuoso ainda; aquele que for imundo será imundo ainda.

58. Sim! não considereis mudança: vós sereis como vós sois, & não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Não há ninguém que será rebaixado ou exaltado: tudo é como sempre foi. Entretanto há os meus servos disfarçados: pode ser que aquele mendigo adiante seja um Rei. Um Rei pode escolher sua vestimenta como ele quiser: não há teste seguro: mas um mendigo não pode esconder sua pobreza.

59. Cuidado portanto! Ama a todos, talvez haja um Rei escondido! Dizes assim? Tolo! Se ele for um Rei, tu não podes machucá-lo.

60. Portanto golpeie forte & baixo, e para o inferno com eles, mestre!

61. Há uma luz ante teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável.

62. Eu estou erguido em teu coração; e os beijos das estrelas chovem forte sobre teu corpo.

63. Tu estás exausto na voluptuosa plenitude da inspiração; a expiração é mais doce do que a morte, mais rápida e risonha do que uma carícia do próprio verme do Inferno.

64. Ó! tu estás derrotado: nós estamos sobre ti; nosso deleite é todo sobre ti: salve! salve: profeta de Nu! profeta de Had! profeta de Ra-Hoor-Khu! Agora regozije! agora venha em nosso esplendor & arrebatamento! Venha em nossa paz ardente, & escreva doces palavras para os Reis!

65. Eu sou o Mestre: tu és O Santo Escolhido.

66. Escreve, & encontra êxtase na escrita! Trabalha, & seja nossa cama no trabalho! Vibra com a alegria da vida & morte! Ah! tua morte será amável: quem a vir ficará satisfeito. Tua morte será o selo da promessa do nosso duradouro amor. Venha! erga teu coração & regozije! Nós somos um; nós somos nenhum.

67. Aguenta! Aguenta! Suporta em teu arrebatamento; não caias no desmaio dos beijos excelentes!

68. Mais firme! Aguenta a ti mesmo! Levanta tua cabeça! não respires tão fundo – morre!

69. Ah! Ah! O que sinto eu? Está a palavra exausta?

70. Há ajuda & esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais prazer. Não sejas animal; refina teu êxtase! Se tu bebes, beba pelas oito e noventa regras de arte: se tu amas, excede pela delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa prazierosa, que haja fineza nisto!

71. Mas exceda! exceda!

72. Luta sempre por mais! e se tu és verdadeiramente meu – e não duvides disso, e se tu és sempre alegre! – morte é a coroa de tudo.

73. Ah! Ah! Morte! Morte! tu ansiarás pela morte. Morte é proibida, ó homem, para ti.

74. A duração do teu ardor será a força da sua glória. Aquele que vive longamente & deseja muito a morte é sempre o Rei entre os Reis.

75. Sim! ouça os números & as palavras:

76. 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. O que isto significa, ó profeta? Tu não sabes; nem tu jamais saberás. Lá vem um para te suceder: ele irá esclarecê-lo. Mas lembra, ó escolhido, de ser-me; de seguir o amor de Nu no céu estrelado; de olhar adiante sobre os homens, de dizer a eles a feliz palavra.

77. Ó sejas tu orgulhoso e poderoso entre os homens!

78. Ergue-te! pois não há nenhum como ti entre os homens ou entre os Deuses! Ergue-te, ó meu profeta, tua estatura ultrapassará as estrelas. Elas adorarão teu nome, quadrangular, místico, maravilhoso, o número do homem; e o nome da tua casa 418.

79. O fim do esconder de Hadit; e benção & adoração ao profeta da amável Estrela!

III

1. Abrahadabra; a recompensa de Ra Hoor Khut.

2. Há divisão aqui rumo à terra natal; há uma palavra não conhecida. Soletrar está defunto; tudo não é qualquer coisa. Cuidado! Espere! Erija a magia de Ra-Hoor-Khuit!

3. Agora que seja primeiro compreendido que eu sou um deus de Guerra e de Vingança. Eu lidarei duramente com eles.

4. Escolhei vós uma ilha!

5. Fortificai-a!

6. Adubai-a com maquinaria de guerra!

7. Eu vos darei uma máquina de guerra.

8. Com ela vós derrotareis os povos; e nenhum ficará diante de vós.

9. Espreitai! Retirai-vos! Sobre eles! esta é a Lei da Batalha da Conquista: então minha adoração será pela minha casa secreta.

10. Pegai a própria estela da revelação; colocai-a em teu templo secreto – e este templo já está corretamente disposto – & será vosso Kiblah para sempre. Não irá desbotar, mas cor milagrosa voltará a ela dia após dia. Fechai-a em uma redoma de vidro como uma prova para o mundo.

11. Esta será tua única prova. Eu proibo argumento. Conquiste! Isto é suficiente. Eu facilitarei para ti a abstrução da casa mal-ordenada na Cidade Vitoriosa. Tu mesmo a conduzirás em adoração, ó profeta, embora tu não gostes. Tu terás perigo & problema. Ra-Hoor-Khu está contigo. Adora-me com fogo & sangue; adora-me com espadas & com lanças. Que a mullher seja cingida com uma espada diante de mim: que o sangue flua em meu nome. Pisa no Pagão; sê sobre eles, ó guerreiro, eu te darei de suas carnes para comer!

12. Sacrifique gado, pequeno e grande: depois uma criança.

13. Mas não agora.

14. Vós vereis aquela hora, ó Besta abençoada, e tu a Concubina Escarlate do desejo dele!

15. Vós vos entristecereis daí.

16. Não considereis avidamente demais em conquistar as promessas; não temais se submeter às maldições. Vós, mesmo vós, não conheceis este significado todo.

17. De todo não temais; não temais nem homens nem Sinas, nem deuses, nem nada. Dinheiro não temais, nem escárnio da tolice popular, nem qualquer outro poder no céu ou sobre a terra. Nu é teu refúgio assim como Hadit tua luz; e Eu sou a potência, força, vigor, de seus braços.

18. Que a piedade esteja fora: malditos aqueles que se apiedam! Matai e torturai; não vos modereis; sede sobre eles!

19. Aquela estela eles chamarão de Abominação da Desolação; conte bem seu nome, & será para ti como 718.

20. Por quê? Por causa da queda de Porque, que ele não está lá novamente.

21. Eriji minha imagem no Leste: tu comprarás para ti uma imagem que Eu te mostrarei, especial, não semelhante a que tu conheces. E será subitamente fácil para ti fazê-lo.

22. As outras imagens amontoai em meu redor para me sustentar: que todas sejam adoradas, pois elas se agruparão para me exaltar. Eu sou o objeto visível de adoração; os outros são secretos; para a Besta & sua Noiva são eles: e para os vencedores do Ordálio x . O que é isso? Tu saberás.

23. Para perfume misture farinha de trigo & mel & grossas borras de vinho vermelho: então óleo de Abramelim e óleo de oliva, e depois amoleça & amacie com rico sangue fresco.

24. O melhor sangue é o da lua, mensal: então o sangue fresco de uma criança, ou pingando da hóstia do céu: então de inimigos; então de um sacerdote ou dos adoradores: por fim de alguma besta, não importa qual.

25. Isto queimai: disto fazei bolos & comei para me. Isto possui também um outro uso: que seja colocado diante de mim, e engrossado com perfumes da tua prece: encher-se-á de besouros como se fosse e coisas rastejantes sagradas a me.

26. Estes assassine, nomeando teus inimigos; & eles cairão na tua frente.

27. Também estes gerarão ardor & poder de ardor em ti no comer deles.

28. Também vós sereis fortes na guerra.

29. Além disso, sejam eles longamente mantidos, é melhor; por eles expandi com minha força. Tudo diante de me.

30. Meu altar é de aberto trabalho de bronze: queimai sobre ele em prata ou ouro!

31. Virá um rico homem do Oeste que despejará ouro sobre ti.

32. De ouro forja aço!

33. Esteja pronto para voar ou para ferir.

34. Mas teu local sagrado será intocado através dos séculos: embora com fogo e espada seja incendiado & despedaçado, ainda assim uma casa invisível lá permanece de pé, e permanecerá até a queda do Grande Equinócio, quando Hrumachis surgir e o de dupla-baqueta assumir meu trono e lugar. Um outro profeta se levantará, e trará nova febre dos céus; uma outra mulher despertará a luxúria e adoração da Cobra; uma outra alma de Deus e besta se mesclarão no sacerdote globado; um outro sacrifício maculará o túmulo; um outro rei reinará; e benção não mais será derramada Ao místico Senhor de cabeça de Falcão!

35. A metade da palavra de Heru-ra-ha, chamado Hoor-pa-Kraat e Ra-Hoor-Khut.

36. Então disse o profeta a Deus:

37. Eu te adoro na canção

Eu sou o Senhor de Tebas, e eu
O vate inspirado de Mentu;
Para mim desvela o velado céu,
O sacrificado Ankh-af-na-khonsu
Cujas palavras são verdade. Eu invoco, eu saúdo
Tua presença, Ó Ra-Hoor-Khuit!

Ultimal Unidade demonstrada!
Eu adoro o poder do Teu alento,
Supremo e terrível Deus,
Que fazes com que os deuses e a morte
Tremam diante de Ti: -
Eu, Eu adoro a ti!

Aparece no trono de Ra!
Abre os caminhos do Khu!
Ilumina os caminhos do Ka!
Os caminhos do Khabs percorra,
Para me mover ou me parar!
Aum! que me preencha!

38. De forma que tua luz está em mim; & sua flama rubra é como uma espada em minha mão para impulsionar tua ordem. Existe uma porta secreta que Eu farei para estabelecer tua rota em todos os quadrantes (estas são as adorações, como tu escreveste), como é dito:

É minha a luz; seus raios me consomem:-
fiz uma porta secreta
No Lar de Ra e Tum,
De Khephra e de Ahathoor.
Eu sou teu Tebano, Ó Mentu,
O profeta Ankh-af-na-khonsu!

Por Bes-na-Maut bato no peito;
E por Ta-Nech lanço meu feitiço.
Mostra teu esplendor estelar, Ó Nuit!
Abre-me tua Casa para morar,
Ó alada cobra de luz, Hadit!
Fique comigo, Ra-Hoor-Kuit!

39. Tudo isto e um livro para dizer como tu chegaste aqui e uma reprodução desta tinta e papel para sempre – pois nisto está a palavra secreta & não apenas no Inglês – e teu comento sobre este o Livro da Lei será impresso belamente em tinta vermelha e negra sobre belo papel feito à mão; e para cada homem e mulher que tu encontras, seja apenas para jantar ou beber a eles, esta é a Lei a dar. Então talvez eles decidam permanecer nesta felicidade ou não; não tem importância. Faze isto rápido!

40. Mas o trabalho do comento? Isso é fácil; e Hadit ardendo em teu coração fará célere e segura tua pena.

41. Estabelece em tua Kaaba um escritório: tudo deve ser bem feito e com jeito de negócios.

42. Os ordálios tu fiscalizarás tu mesmo, salvo apenas os cegos. Não recuses ninguém, mas tu conhecerás & destruirás os traidores. Eu sou Ra-Hoor-Khuit; e Eu sou poderoso para proteger meu servo. Sucesso é tua prova: não discutas; não convertas; não fales demais! Aqueles que buscam armar-te uma cilada, derrubar-te, esses ataca sem dó nem trégua; & destrói-os por completo. Célere como uma serpente pisada e vira-te e dá o bote! Sê tu mais mortífero ainda que ele! Puxa para baixo suas almas para tormento horrível: ri do medo deles: cospe em cima eles!

43. Que a Mulher Escarlate se acautele! Se piedade e compaixão e ternura visitarem o coração dela; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então minha vingança será conhecida. Eu me matarei a criança dela: Eu alienarei o coração dela: Eu a expelirei dos homens: como uma encolhida e desprezada rameira ela rastejará por ruas molhadas e escuras, e morrerá fria e faminta.

44. Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela obre a obra de maldade! Que ela mate o próprio coração! Que ela seja espalhafatosa e adúltera! Que ela esteja coberta de jóias, e ricas roupas, e que ela seja sem vergonha diante de todos os homens!

45. Então Eu a levantarei aos pináculos de poder: então Eu engendrarei dela uma criança mais pujante que todos os reis da terra. Eu a encherei de alegria: com minha força ela verá & golpeará na adoração de Nu: ela alcançará Hadit.

46. Eu sou o guerreiro Senhor dos Quarentas: os Oitentas se acovardam diante de me, & são afundados. Eu vos trarei a vitória & alegria: Eu estarei em vossos braços na batalha & vós deleitareis em matar. Sucesso é vossa prova; coragem é vossa armadura; avante, avante em minha força; & vós não retrocedereis de qualquer!

47. Este livro será traduzido em todas as línguas: mas sempre com o original pela mão da Besta; pois na forma ao acaso das letras e sua posição umas com as outras: nestas há mistérios que nenhuma Besta adivinhará. Que ele não procure tentar: mas um vem após ele, de onde Eu não digo, que descobrirá a Chave disso tudo. Então esta linha traçada é uma chave; então este círculo esquadrado em seu fracasso é uma chave também. E Abrahadabra. Será sua criança & isso estranhamente. Que ele não busque após isto; pois dessa forma apenas ele pode cair.

48. Agora este mistério das letras está acabado, e Eu quero prosseguir para o lugar mais santo.

49. Eu estou em uma secreta palavra quádrupla, a blasfêmia contra todos os deuses dos homens.

50. Maldito sejam! Maldito sejam! Maldito sejam!

51. Com minha cabeça de Falcão Eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.

52. Eu ruflo minhas asas na face de Mohammed & cego-o.

53. Com minhas garras Eu dilacero e puxo fora a carne do Hindu e do Budista, Mongol e Din.

54. Bahlasti! Ompehda! Eu cuspo nos vossos credos crapulosos.

55. Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!

56. Também por causa da beleza e do amor!

57. Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai!

58. Mas os afiados e os altivos, os régios e os elevados; vós sois irmãos!

59. Como irmãos lutai!

60. Não existe lei além de Faze o que tu queres.

61. Há um fim da palavra do Deus entronado no assento de Ra, aliviando os pilares d’alma.

62. A Me reverenciai! a me vinde através de tribulação de ordálio, que é deleite.

63. O tolo lê este Livro da Lei, e seu comento; & ele não o compreende.

64. Que ele passe pelo primeiro ordálio, & será para ele como prata.

65. Pelo segundo, ouro.

66. Pelo terceiro, pedras de água preciosa.

67. Pelo quarto, ultimais fagulhas do fogo íntimo.

68. No entanto a todos ele parecerá belo. Seus inimigos que não dizem assim, são meros mentirosos.

69. Existe sucesso.

70. Eu sou o Senhor de Cabeça de Falcão do Silêncio & da Força; minha nêmis cobre o céu azul-noturno.

71. Salve! vós guerreiros gêmeos em volta dos pilares do mundo! pois vossa hora está próxima.

72. Eu sou o Senhor da Dupla Baqueta de Poder; a baqueta da Força de Coph Nia – mas minha mão esquerda está vazia, pois Eu esmaguei um Universo; & nada resta.

73. Colai as folhas da direita para a esquerda e do topo ao pé: então contemplai!

74. Existe um esplendor em meu nome oculto e glorioso, como o sol da meia-noite é sempre o filho.

75. O fim das palavras é a Palavra Abrahadabra.

 

O Livro da Lei está Escrito
e Oculto.
Aum. Ha.

O Comento

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O estudo deste livro é proibido.

É prudente destruir esta cópia após a primeira leitura.

Aquele que se interessar o faz por sua própria conta e risco. Estes são terrivelmente medonhos.

Aqueles que discutem os conteúdos deverão ser evitados por todos como focos de pestilência.

Todas as questões da Lei devem ser decididas apenas com apoio em meus escritos, cada qual por si.

Não há lei além de Faze o que tu queres.

Amor é a lei, amor sob vontade.

O sacerdote dos príncipes,

Ankh-f-n-khonsu

Notas
por Frater Keron-ε

- Em 1913 Liber Legis foi registrado “Como entregue por LXXVIII (78) para DCLXVI (666)“, em 1936 foi alterado “XCIII (93) para DCLXVI (666)“. 78 equivale a ‘Aiwass’ em hebraico (AIVAS); após receber uma carta de um tipógrafo chamado Samuel A. Jacobs, cujo nome em hebraico era SHMUEL Bar AIWAZ bei YACKOU de SHERABAD, Crowley notou a grafia ‘AIWAZ’, e passando para o hebraico, ‘OIVZ’, resultava em 93. Mas como foi escrito em Liber Legis ‘Aiwass’ e não ‘Aiuas’ transpôs o nome para grego e resultou em 418. Outras diferenças ficaram por conta do Imprimatur, que constava três hieróglifos neterus, ; o mote de Crowley V.V.V.V.V., N. Fra. A∴A∴ (V.V.V.V.V., Nemo Frater da A∴A∴); os oficiais da Ordem: OM, D.D.S., O.S.V. e I.M. e o texto “Dado em nosso Colégio S.S. na Montanha de Abiegnus, Sol em Libra Ano. IX“. Ver Divindades Thelêmicas.

I:26 - A parte “a onipresença de meu corpo” foi inserida posteriormente por Rose Kelly. Frater Ever , O Equinócio dos Deuses.

I.40 - “Do what thou wilt shall be the whole of the Law.” – Existem duas traduções dessa passagem que prevalecem no Brasil (as restantes sacrificam o português e/ou as 11 palavras) que geram algumas discussões sobre qual seria a melhor :

- ‘Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei‘- a tradução mais fiel palavra por palavra. O sentido é: o que a pessoa fizer deverá estar em função Lei, da sua totalidade. E o que é a Lei? A sua palavra é Θελημα (Thelema = Vontade) ou seja, a Lei está relacionada com a Vontade de cada um. Então o sentido geral é: o que o indivíduo fizer deverá estar em função de toda a Vontade dele .

- ‘Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei‘ – a tradução usada por nós neste ramo da Santa Ordem[1] é a proposta por Frater Ever que segue um critério ignorado pela anterior: o esforço em utilizar o máximo de monossílabos para manter o rítmo, observando um comentário de 666 no Equinócio dos Deuses (“ou explode numa torrente de monossílabos ‘Do what thou wilt shall be the whole of the Law.’”); esta versão mantém a velocidade depois do ‘queres‘ por causa do ‘há’ e ‘de‘, já o ‘de-ve-rá‘ causa uma demora maior afastando do ritmo em inglês (stress-timed). O sentido é: de que tudo o que a pessoa fizer deverá ser da Lei, ou seja, estar em função dela – o que implica, indiretamente, totalidade da mesma. E o que é a Lei? A sua palavra é Θελημα (Thelema = Vontade) ou seja, a Lei está relacionada com a Vontade de cada um. Então o sentido geral é: tudo o que o indivíduo fizer deverá estar em função da Vontade dele.

O sentido de ambas é o mesmo. Outra diferença fica por conta da gematria onde a primeira resulta em 5 e a segunda em 45 é a carta do Hierofante, o Sagrado Anjo Guardião; 4 é o Imperador, associado com Ra-Hoor-Khuit, a Crianca de Liber AL e também um símbolo do Sagrado Anjo Guardião, só que mais relacionado com a simbologia de Liber Legis. E ambas diferem da original, 3, a Imperatriz, que é o resultado final da soma de 93 (9+3 = 12=1+2=3), sendo a carta relacionado ao Amor.

Portanto se for existir uma mais fiel é a primeira devido a tradução palavra a palavra mas a segunda não é equivocada pois implica no mesmo sentido além de respeitar o ritmo da fala. No final fica ao critério de gosto pessoal, pois todos os parâmetros mínimos foram atendidos: sentido, português adequado e número de letras.

Obs: Não é dito o que é a Lei de verdade em Liber AL, ela não é definida, apenas a sua palavra. Isso é genial pois cada um tem a sua Lei, a sua Vontade, não existe um padrão a ser declarado! - Keron-ε.

I:60 - Rose Kelly inseriu: “A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho.” - Frater Ever, O Equinócio dos Deuses.

I:65 - “A me!” [‘To me] deve ser entendido primariamente em seu senso de Chamado de Nuit a nós, Suas estrelas. A transliteração “TO MH” pode ser admitida como a “assinatura” de Nuith, identificando-A como quem fala; porque estas Palavras em Grego significam “O Não”, que é o Nome Dela. A Gematria de TO MH pode ser admitida como mais uma confirmação, porque a soma das letras, 418, está manifestada em outras partes do Livro como número do Æon. Mas TO MH não deve ser interpretado como que negando os versos prévios, ou 418, como indicando a fórmulas de contato com Ela (se bem que de fato assim é, sendo a Rubrica da Grande Obra). Recuso-me a considerar que uma mera pertinência confira título de autoridade ; recuso-me a ler minhas próprias no Livro. Insisto que em toda interpretação deve ser incontestavelmente autêntica; nem menos nem mais.” To Mega Therion, O Equinócio dos Deuses.

III:37 - Existe um movimento recente para trocar a última parte do verso, no original, “fill me” (‘me preencha/encha’) para “kill me” (‘me mate’). O argumento se baseia em uma diferença entre esse trecho apresentado no Livro da Lei e a sua escrita original, feita como uma versificação do texto da Estela da Revelação, antes da recepção de Liber AL vel Legis.

Antes de receber O Livro da Lei, em 8 de abril de 1904, Crowley visitou o museu de Boulak com sua esposa Rose Kelly, no dia 18 de março, a fim de confirmar se o deus que estava contatando Kelly era Hórus. Ali se deu a identificação da Estela da Revelação. Entre os dias 23 de março e 8 de abril Crowley encomendou a tradução da Estela, segundo o ‘Equinócio dos Deuses’, e versificou o resultado. Durante a recepção do capítulo III do Livro da Lei, Aiwass indicou que Crowley adicionasse a tal versificação no verso 37, escrevendo ali no Manuscrito apenas o início e o fim da versificação com o apontamento “vellum book“, o caderno onde foi escrito o verso (vide imagem abaixo).

AL III:37

AL III:37

Acontece que na versificação, ou paráfrase, o final não era “fill me” como indicado no Manuscrito mas “kill me”. Ou seja, o conflito acontece pois o Manuscrito contém o começo e o fim da versificação mas o final dela, no Manuscrito, difere em uma palavra da versificação completa feita antes da recepção do Livro da Lei.

A argumentação pela alteração tem como base o seguinte:

1 - Provas para a publicação do ‘Collected Works of Aleister Crowley‘ de 1907 continham estrofes da versificação contendo, claro, ‘kill me’;

2 - Um exemplar de um Livro de Crowley identificado como ‘Thelema‘ (ou ‘Holy Books of Thelema‘), de 1909, continha Liber AL mas com uma nota à mão na margem indicando: “III:37 (‘Aum! let it fill me! ‘ – ‘Aum! let it kill me!’) “. Os lançadores da ideia recentemente obtiveram a posse desse exemplar e viram isso como um ‘sinal’ de que AL deveria ser mudado;

3 - O ‘The Equinox’ I:7 de 1912 Crowley publicou as imagens do Manuscrito e a paráfrase. Como esperado, a paráfrase continha “kill”;

4 - No Liber CXX – ‘A Passagem através do Tuat’, um ritual não publicado, escrito por volta de 1912, a versificação aparece com “kill”;

5 - Os autores da proposta de mudança ainda se valem de um argumento baseado em outras correções existentes em AL, induzindo ao raciocínio: ‘se Crowley errou uma vez, pode ter errado novamente. Por que não nesse caso?‘ . Além disso, um forte argumento deles é a teoria de que o Manuscrito não foi datilografado, no Cairo em 1904, por Crowley mas por outra pessoa. A tal pessoa perpetuou o ‘erro’ ignorando a última parte da versificação em prol do Manuscrito. Em cima dessa versão datilografada, todos as publicações de AL se basearam, e Crowley não deu atenção, promovendo, assim, o ‘equívoco’;

6 - O autor tenta justificar por que Ankh-f-n-khonsu invocaria a própria morte.

7 - O autor encerra a argumentação técnica e começa a citar um estudo da Estela da Revelação e práticas de Liber Resh realizadas por um grupo de thelemitas estadunidenses que envolvia adição do trecho III:37.

Com base nisso exponho os motivos da nossa não aceitação da mudança:

1 - Provas de preparação de livros não são os livros. E a mera existência de uma parte da versificação não significa nada. Liber AL não foi publicado no ‘Collected Works’ muito menos a versificação;

2 - Notas na margem de um livro não são alterações definitivas. Podem ou não vir a ser. Pode-se aferir apenas uma coisa: Crowley manifestou dúvida quanto a diferença entre o Manuscrito e a versificação deixando para resolver isso em outro momento. Além disso, o autor do artigo não colocou a imagem da tal anotação supostamente feita por Crowley, existem outras mas não a principal.

3 - É sabido que Crowley na publicação do ‘The Equinox’ I:7 de 1912, ainda não havia se debruçado em AL para estudo – “a descrição poderia ser mais detalhada, elucidar aparentes mudanças de quem fala e os lapsos ocasionais de grafia por parte do escriba“, O Equinócio dos Deuses, Cap.7, parte VI. Tanto que não o publicou datilografado como seria normal em um livro, mas apenas as imagens do Manuscrito. Quando Crowley publicou Liber AL datilografado mesmo, como deveria ser em um livro, o fez mantendo “fill” – no ‘The Equinox‘ I: 10 em 1913. Além disso, 666 publicou o Livro da Lei novamente em 1926, 1936, 1937, 1938 e em 1942, e não alterou essa parte – a de 1936 a 38 foi a mesma, chamada de ‘O Equinócio dos Deuses‘ onde ele detalhou a recepção de AL. 666 seguiu a indicação do próprio Livro da Lei (I:54) e não mudou o estilo de uma letra sequer priorizando o Manuscrito. E para fechar, no ‘The Equinox’ I:9 (março de 1913), na Evocação de Bartzabel (feita em 1910), 666 publicou o verso usando “fill”;

4 - Rituais são mais flexíveis obedecendo apenas ao gosto pessoal de Crowley, principalmente por serem ‘classe D‘, ou seja, não inspirados. Ali ele deu o sentido que, pessoalmente, gostaria de dar, ou seja, com o “kill”. Mas AL é inspirado e o aviso para não mudar o conteúdo é claro. Além disso, o ritual é de 1912, ou seja, antes das duas publicações de Liber AL e da Evocação de Bartzabel.

As publicações e referências utilizadas como ‘prova’ são todas anteriores a primeira publicação do Livro da Lei no The Equinox; para não falar da definitiva que foi no Equinócio dos Deuses vinte e três anos mais tarde – ainda mais por 666 ter publicado-o por três vezes contendo um comentário sobre a versificação citando a inclusão mas nada relativo à diferença;

5 - Não importa quantas alterações aconteceram nas publicações de AL, To Mega Therion tratou de fazê-las e ele é o único capaz disso. Ninguém possui a autorização, ou melhor, a CAPACIDADE, de alterar AL conforme deixou bem claro 666 no Equinócio dos Deuses, Cap.7- item 4 da conclusão:

Afirmo que sou a única autoridade competente para decidir pontos em disputa quanto ao Livro da Lei, desde que seu Autor, Aiwass, não é outro que o meu próprio Sagrado Anjo Guardião, a Cujo Conhecimento e Conversação eu atingi, de forma que tenho exclusivo acesso a Ele. Tenho devidamente referido toda dificuldade diretamente a Ele e tenho recebido Sua resposta; minha decisão é portanto, fina, absoluta e inapelável.

666 não perpetuou um ‘erro’ na datilografia; seria aceitável se fosse uma palavra, ou até mais de uma, em um texto enorme, mas uma inclusão de uma poesia baseada na tradução encomendada da Estela, em uma obra pequena como AL não faz sentido algum ser ignorada. Ele fez o que AL ordenou, não mudou o conteúdo do Livro em prol da versificação que nem inspirada foi. Simples assim.

6 - Buscar alguma lógica ou sentido é ignorar o princípio metafísico do Livro da Lei que trata-se de uma escrita inspirada. Ela não obedece aos nosso padrões. Tentar alterar por essa via é um erro tremendo pois seria rebaixar a mensagem ao nivel intelectual, coisa que o próprio 666 evituo, como percebe-se no Equinócio dos Deuses, cap. 7 parte VII: item 6 – Editando o Livro:

 ‘Não mudes sequer o estilo de uma letra’ no texto evitou que Crowley mudasse o livro e estragasse tudo.”

Ou seja, ele quis evitar que o Livro fosse alterado por ele mesmo, a sua parte intelectual. Imagine por terceiros?

Ou autor poderia se esforçar mais e encontrar uma justificativa racionalmente melhor, afinal ele se apresentou como editor das obras de 666, devendo, portanto, ter um conhecimento amplo dos escritos da Besta. Por exemplo, o trecho final de Liber 418, 9º Aethyr, que está em sintonia com o comentário de 666 sobre III:37 (no ‘Obs‘ logo ao final desta minha nota), onde é dito:

E esta será a tua prática: Mil e uma vezes tu afirmarás a unidade e mil e uma vezes tu te curvarás. E tu realizarás três vezes o chamado do Æthyr. E em todos os dias e em todas as noites, desperto ou acordado, teu coração deverá se virar para a luz como uma flor de lótus. E teu corpo será o templo da Rosa-CruzTu abrirás tua mente para o mais elevado e então será capaz de conquistar a exaustão e assim encontrar as palavras – para os que contemplarem a Sua face e sobreviver?

Cabem as duas interpretações, tanto preencher com a luz quanto morrer ao encarar uma face divina (apesar de estar em dúvida) ou ambas simultaneamente, afinal, pode-se preencher com a luz e depois ser morto pela contemplação da face. Mas logo depois a ideia é abolida pelas linhas:

Porém seja tu ardente e atento executando pontualmente a prática. Não está escrito ‘Não mude o estilo de uma letra sequer’?”

Com certo esforço retórico poderia até conseguir algo interessante nessa passagem – melhor do que a lógica do Ankh-f-n-Khonsu ser autosacrificado – mas Liber 418 é da classe A-B, ou seja, superado pelos de classe que são puramente inspirados - fora os comentários do próprio 666 contra alteração de AL – e se fosse pelo menos o oitavo Aethyr que contou com a participação do próprio Aiwass, mas foi o nono. Enfim, argumentação ineficaz.

7 - A digressão não acrescenta nenhuma informação técnica relevante. O estudo da Estela da Revelação apresentado foi realizado por um “egiptólogo capacitado” que não tem as credenciais acadêmicas mostradas ou trabalhos na área referenciados, sendo um conhecido membro do grupo do qual faz parte o autor. O tal estudo nada mais foi do que uma correlação da versificação de Crowley com o texto da Estela e apenas pela via fonética, o tal egiptólogo deveria associar a versificação com os hieróglifos da Estela e não com transliteração fonética pois assim poderíamos verificar com mais facilidade o que foi afirmado; egiptólogos bem sabem que não existe padrão quanto a pronuncia dessa língua morta, por isso qualquer transliteração deve ser contextualizada, a apresenta aqui foi jogada sem qualquer comentário – e que no final não acrescenta em nada na argumentação “fill-kill”. Em seguida o comentário sobre a utilização do III:37 no Liber Resh não é útil para o tema proposto pois refere-se a informações sobre a utilização da parafrase no ritual de adoração ao sol na Abadia de Thelema (consultando um livro de um membro desse grupo, ‘The Magick of Thelema, a Handbook of the Rituals of Aleister Crowley‘- Samuel Wiser, Inc. pag. 193, isso é dito mas com a paráfrase contendo “fill”). No final serve apenas como curiosidade histórica desses grupos de thelemitas que eram unidos no passado e hoje não mais. Essas abordagens serviram apenas para evidenciar a superficialidade da argumentação utilizada no texto.

Como se diz na área jurídica: “O ordinário se presume e o extraordinário se prova“, ou seja, fatos comuns, simples não necessitam de provação, basta bom senso ou raciocínio mediano, mas o extraordinário pede provas e estas devem ser contundentes. O extraordinário aqui seria 666 ter errado por todos esses anos sobre um fato tão destacado em AL, o livro mais importante da sua vida. O raciocínio fornecido pelos autores não basta para validar a alteração no Livro da Lei indo pelo caminho: ‘mera possibilidade = alta probabilidade‘; argumentando que, por ser de alguma forma possível, implica que é altamente provável, praticamente certeza.

O homem tem o direito de escreve o que quiser“, que façam mudanças nas suas publicações, nas deste ramo da Santa Ordem permanecerá “fill“, até que surja um comentário contundente de 666 provando o contrário.

Obs: por que este longo texto sobre a mudança de apenas uma palavra? Tirando o fato do “Não mudes sequer o estilo de uma letra” o verso em si é relevante pois 666 nos seus comentários escreveu que:

“A interpretação deve ser que Ankh-f-n-Khonsu registrou para o meu benefício os detalhes da fórmula mágica de Ra Hoor Khuit.”

“A terceira estrofe sugere a Benção Rosa-cruz:

Possa tua mente estar aberta ao Mais Elevado!

Possa teu coração ser o centro da Luz!

Possa teu corpo ser o Templo da Rosa-Cruz!”

Keron-ε
An IVxxi Sol in 23º 53′ 24” Taurus, Luna in 13º 18′ 21” Cancer
14/05/2013 09:57 e.v.

III:72 - Rose Kelly inseriu depois “Força de Coph Nia“. Frater Ever, O Equinócio dos Deuses

Notas de Rodapé    (↵ voltar)
  1. O presente foi publicado originalmente no site do ramo da A∴A∴ ao qual Frater Keron-ε faz referência; o site pode ser acessado em www.astrumargentum.org. ↵ voltar




O Livro da Lei, Liber AL vel Legis

Título Técnico: Liber AL vel Legis sub figvrâ CCXX como entregue por XCIII = 418 para DCLXVI
Tradução: S. H. Frater Ever (Marcelo Ramos Motta)
Revisão: Frater Keron-ε

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Aiwass

Aiwass é o nome do ser não humano que ditou O Livro da Lei, no Cairo, entre o meio dia e 13 horas ao longo de três dias sucessivos, 8, 9 e 10 de Abril no ano de 1904 e.v.. Ele declarou ser “o ministro de Hoor-Paar-Kraat”; ou seja, um mensageiro das forças que atualmente governam esta terra.

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