Orobas, um Blog sobre a História da O.T.O. por Carlos Raposo

O Sistema de graus da O.T.O. de Reuss e suas aproximações Maçônicas

por Carlos Raposo em História, Ordo Templi Orientis

Orobas, um Blog sobre a História da O.T.O. por Carlos Raposo
História

O Sistema de graus da O.T.O. de Reuss e suas aproximações Maçônicas

por Carlos Raposo

A Glória é como um círculo na água,
que nunca cessa de se aumentar,
até que, de tanto se expandir,
no nada vai se dispersar.
(William Shakespeare, em Henrique VI)

Dentre os diversos temas relacionados às Ordens iniciáticas, o respectivo Sistema de Graus pertinente a cada uma delas sempre estará entre os tópicos que mais despertarão a atenção da pesquisa. Isso porque um Sistema de Graus tem muito a mostrar a respeito não somente de como a Ordem é iniciaticamente planejada, mas também desvelará bastante a respeito dos fitos e sentimentos daqueles que a conceberam.

No caso específico da Ordo Templi Orientis, desde sua fundação alguns foram os modelos propostos à sua estrutura iniciática de graus. Como os esquemas de graduação imaginados por Merlin Peregrinus (Theodor Reuss) não foram efetivamente postos em prática (pois muitos membros da sua O.T.O. foram diretamente admitidos aos graus superiores da Ordem), isso favoreceu constantes reajustes no diagrama inicial. Portanto, não existe um consenso que estabeleça uma estrutura definitiva e, por isso mesmo, facilmente poderão ser encontradas outras referências levemente distintas daquela estrutura que será delineada no presente artigo.

Entretanto, longe de meramente querer expor de modo preciso a estrutura de graus da Ordem, meus objetivos aqui são os seguintes: primeiro, apresentar uma proposição referencial conforme inicialmente idealizada por Reuss, para que o arcabouço iniciático da Ordem comece a ser percebido como uma seqüência lógica de graus. Deste modo, posteriormente, sua evolução poderá ser perfeitamente entendida, até se chegar aos modelos finalmente elaborados por Aleister Crowley e seus seguidores.[1] Depois, também pretendo mostrar a curiosa manobra de Reuss no sentido de tentar “aproximar” a estrutura da O.T.O. da estrutura de graus pertinente a alguns dos mais conhecidos Ritos Maçônicos do mundo. Concomitantemente a esse segundo objetivo, explicarei o porquê dessa tentativa de “aproximação”, por parte de Reuss, entre O.T.O. e Maçonaria. Por último, responderei a questão a respeito de como, de modo geral, a Maçonaria reagiu às manobras de Reuss.

Logo após a fundação da O.T.O., fato evidenciado por seu documento inaugural, qual seja, a Primeira Constituição da Ordem, datada de 22 de janeiro de 1906 (Reuss, 1999:69), Reuss ainda não havia definido muito bem qual seria a sua estrutura de graus que a comporia. Conforme Breeze (1995:10), foi somente alguns anos mais tarde, em 1912, na edição comemorativa do Jubileu do periódico The Oriflamme, que uma estrutura iniciática bem rudimentar calcada em dez graus lineares começou a ser esboçada. Na ocasião, o Sistema de graus da O.T.O. seguia conforme a seguinte tabela:

Grau – Título
Iº – Probacionista
IIº – Minerval
IIIº – Maçom – Loja de São João
IVº – Maçom Escocês
Vº – Maçom Rosacruz
VIº – Rosacruz Templário
VIIº – Místico Templário
VIIIº – Templário Oriental
IXº – Perfeito Iluminado
Xº – Rei Supremo ou O.H.O.

Seja acrescentado que, ainda segundo essa mesma fonte, alguns graus da estrutura acima possuíam duas subdivisões. Destarte, o grau VI era subdividido em dois estágios, chamados de Magus e Teoretikus; o grau VII em Praktikus e Adeptus; enquanto que o VIIIº se subdividia em Princeps e Illuminat.[2]

Apesar de aparentemente bem definida, considera-se essa estrutura rudimentar, pois nada mais consta a respeito da mesma. Assim, se por um lado temos tanto o esquema quanto a titulação dada para cada grau, por outro, nada mais existe a respeito dos graus propriamente ditos. Deste modo, questões hipotéticas do tipo, como esses graus eram constituídos, quais eram suas respectivas instruções, o que se fazia em cada um deles, etc., simplesmente não podem ser respondidas de forma apropriada. Até mesmo a existência de Rituais que os definissem adequadamente parece duvidosa. Em suma, a completa ausência de praticamente tudo a respeito desses graus leva fortemente a crer que nos primeiros anos da O.T.O. de Reuss, ela sequer funcionaria como uma Ordem bem definida e devidamente constituída. Conforme apregoa o jargão, era no máximo uma “Ordem de papel”.

Há de se dizer ainda que, despontando como previsível exceção dentro da pouca robusteza característica deste primeiro sistema de graus, praticamente só há notícias (e muitas) sobre a função daquele que ocuparia o Grau máximo da Ordem, o Xº O.T.O. (no caso, função exercida ad vitam pelo próprio Reuss). Apenas como ilustração, na mencionada Carta Constitutiva de 1906, entre várias outras atribuições, encontra-se no Artigo V, Seção II, que o “Frater Superior e Chefe Externo da Ordem (C.E.O. – do inglês Outer Head of the Order, O.H.O.) terá o Poder Único de preencher todos os cargos gerais, apontando pessoas para ocuparem os mesmos, e terá o poder de remover qualquer pessoa de um cargo geral de acordo com sua vontade” (Reuss, 1999:67). Ademais, não é exagero afirmar que grande parte da primeira Constituição da O.T.O. não passa de um adagiário que busca tão somente reforçar o O.H.O. como líder absoluto e total da Ordem.

Todavia, mais tarde o quadro dos graus da O.T.O. mudaria substancialmente. Na ocasião, enquanto as atrocidades e os horrores da Primeira Grande Guerra assolavam boa parte da Europa, Merlin Peregrinus tinha preocupações muito mais urgentes e importantes, como reformular o sistema de graus de sua Ordo Templi Orientis, por exemplo.

Na nova Constituição da O.T.O. publicada em 1917, Reuss alterou as subdivisões anteriormente propostas e, muito curiosamente, arriscou um estranho esquema comparativo e equiparativo entre os graus de sua Ordem e os 33 graus da Maçonaria, mais especificamente num modelo livremente inspirado nos graus do regular Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.), mas que também carregava traços do obscuro Rito de Memphis e Misraim (M.M.). Seguindo conforme sua proposta, o quadro pode ser resumido da seguinte forma:

Graus da O.T.O. e equivalência aos Graus Maçônicos (R.E.A.A. e M.M.)

Iº e II º
Círculo Externo:
Candidatos ainda em fase de
correspondência e preparação

IIIº
Maçons: 1º – Aprendiz
2º – Companheiro
3º – Mestre

IVº
4º ao 6º – Maçom Escocês
11º e 12º – Cavaleiro de Santo André
14º e 15º – Maçom do Real Arco


16º ao 18º – Cavaleiro Rosacruz

VIº
20º ao 30º – Cavaleiro Kadosh
31º ao 33º – Grande Inspetor Geral

VIIº
a) Teoreticus
b) Magus da Luz
c) Grande Mestre da Luz ou Grande Mestre de todas Lojas Maçônicas

VIIIº
a) Praticus
b) Adeptus
c) Princeps
d) Illuminatus

IXº
Alto Sacerdote do Sanctuarium Sanctum Sanctorum


Chefe Externo da Ordem (O.H.O.)

De imediato, duas peculiaridades são observados no quadro comparativo imaginado pelo O.H.O.: primeiro, uma nomenclatura bem atípica para os graus do R.E.A.A., não muito condizente com os títulos que normalmente lhes são creditados; depois, a incompreensível omissão dos graus 7, 8, 9, 10, 13 e 19. Não há qualquer explicação sensata que possa esclarecer tanto a atipicidade da nomenclatura usada quanto o sumiço dos graus, senão terem sido apenas equívocos cometidos por Merlin Peregrinus.

Algo que também salta aos olhos é que ao elaborar esse esquema, Theodor Reuss faz absoluta questão de lembrar o quão completo é o sistema iniciático que ali estava exposto. Para isso, na tabela original ele escreve a seguinte observação ao VIº O.T.O: “N.B.! O 33º é o último grau da Francomaçonaria” (Koenig 1994:22).[3] Assim, de acordo com o paralelismo iniciático arquitetado por Reuss, os seis primeiros graus da O.T.O. compreenderiam nada menos do que todos os 33 graus da Maçonaria regular (basicamente, conforme o R.E.A.A.). Os demais graus, do VIIº ao Xº O.T.O., estariam obviamente dispostos para além da via iniciática proposta pelos 33 graus maçônicos, conquanto que, de uma forma não suficientemente clara, resumiriam o restante de graus pertinentes ao Rito de Memphis e Misraim. Com isso, Merlin Peregrinus claramente pretendia dizer ao mundo que não somente a sua Ordem absorvera todo conhecimento maçônico existente, mas afirmava também que o conhecimento da sua O.T.O. compreenderia paragens muito superiores àquelas vislumbradas pela Maçonaria.[4]

Mesmo ao se levar em conta toda rebuscada onda comparativa entre a O.T.O. e a Maçonaria, também não é exagero algum afirmar que tal paralelismo jamais funcionou na prática, tendo existido apenas na fecunda e pomposa mentalidade de Reuss. Ademais, aqui fica patente mais uma tentativa pueril de Merlin Peregrinus de ser identificado como líder máximo de uma extraordinária estrutura maçônica, devidamente reconhecida como tal.

Todavia, levando em consideração ora o comportamento ora as ambições iniciáticas de Reuss,[5] pode-se facilmente concluir que seu plano, basicamente, consistia em propagar a O.T.O. como um organismo inteiramente de acordo, equiparado e em perfeita harmonia com a Maçonaria e seus ideais. Isso porque quando se pensa no Theodor Reuss dessa época não se pode deixar de lado a sua fixação em exaltar a glória de sua Ordem, expandindo-a a qualquer custo. Desta feita, ao “aproximar” idealisticamente a sua O.T.O. da Maçonaria, fica patente que o O.H.O. tencionava atrair maçons regulares à sua Ordem. Ao mesmo tempo, ao “equiparar” o VIº da O.T.O. ao grau 33 da Maçonaria, ele garantiria aos membros desta o livre acesso ao primeiro grau subseqüente de sua Ordem. Em palavras mais claras, maçons do grau 33 poderiam ser livremente e imediatamente admitidos na O.T.O., diretamente no VIIº. Concomitantemente, ao garantir entrada de maçons altamente ranqueados em sua Ordem, fica igualmente claro que Reuss nutria a vã esperança de que, com o tempo, tratados de amizade e de mútuo reconhecimento pudessem ser viabilizados até que, finalmente, o movimento inverso pudesse obviamente ser possível. Deste modo, uma vez aceita como uma Ordem maçônica constituída e inteiramente regular, a O.T.O. finalmente teria seus graus fraternalmente acolhidos e também equiparados pela Maçonaria, permitindo agora aos membros daquela a livre entrada nesta. Então, seguindo o mesmo exemplo, agora teríamos os membros a partir do VIº O.T.O. sendo diretamente aceitos como 33º da Maçonaria.[6]

Dentro desse contexto, à guisa de exemplos, alguns casos emblemáticos poderão ser citados. Primeiro, frequentemente é dito que, em 1910, o notavelmente afamado Aleister Crowley haveria entrado na O.T.O. diretamente em seu VIIº,[7] justamente por ele alegar ser maçom do grau 33 (Scriven, 2001a:10 e 2001a:219). Depois, em 1921, encontramos a mesma situação relacionada à figura extremamente conhecida do “Dr.” Harvey Spencer Lewis (1883-1939), o qual, uma vez reconhecido como maçom altamente graduado por Theodor Reuss, foi imediatamente admitido como membro honorário Soberano Santuário da O.T.O., entrando também diretamente em seu VIIº (Lewis, 1980:38).

Sobre os dois casos “maçônicos” acima relacionados, valerá ser observada, mesmo que brevemente, a seguinte questão: na verdade, quais eram as credencias maçônicas tanto de Crowley quanto de Lewis? Responder essa questão é importante, pois demonstrará como funcionava o processo de reconhecimento de autoridades Maçônicas por parte de Theodor Reuss. Inicialmente, quanto a Spencer Lewis, sabe-se que o Imperator da AMORC fora grau 2 da Maçonaria, ou seja, Companheiro Maçom.[8] Por sua vez, ressalta-se que Crowley – apesar de todas as suas alegações – simplesmente jamais possui o status de maçom regular.[9] Deste modo, conclui-se que Reuss não somente franqueou os graus superiores de sua O.T.O. para maçons devidamente investidos, mas também os deixou francamente abertos para qualquer pessoa que simplesmente se dissesse maçom de alto grau, mesmo que sem apresentar qualquer Garantia a respeito. Novamente, o que dirigia Reuss era, custe o que custar, expandir a sua Ordem, tanto em tamanho quanto em glória.

Todavia, a revelia dos esforços e da intenção de Reuss em expandir a O.T.O., registre-se que jamais qualquer autoridade associada à Maçonaria regular a aceitou como uma Ordem maçônica devidamente reconhecida. Por essa razão, acertadamente, afirma-se que os graus da O.T.O. não são considerados válidos como graus maçônicos (Breeze, 1995:3). Portanto, efetivamente, embora na época de Theodor Reuss Maçons graduados tenham sido diretamente admitidos aos graus superiores da Ordo Templi Orientis, jamais um membro da O.T.O. entrou para a Maçonaria regular com um grau superior ao de Aprendiz Maçom. Quanto ao próprio Theodor Reuss, a Maçonaria regular simplesmente o ignora.

Finalizando, Reuss faleceu em 1923, sem os reconhecimentos almejados e sem nomear qualquer herdeiro como líber absoluto de sua Ordem. Na ocasião, Merlin Peregrinus praticamente só despertava desconfiança. Na mesma época, tão anódina era a O.T.O. que toda sua pretensa glória e pompa pareciam condenadas a se dispersarem no nada…

Bibliografia

BREEZE, William (i.e. Hymenaeus Beta, Ed.). 1995: The Magickal Link- Vol. 9 nº I. Asheville: O.T.O.

CROWLEY, Aleister. 1979: The Confessions of Aleister Crowley. Edited by John Symonds and Kenneth Grant. Londres: Arkana.

KOENIG, P. R., 1994: Materialien zum OTO. Muenchen: AWR.

LEWIS, Ralph M. (ed). 1980: Documentos Rosacruzes. Suprema Grande Loja da AMORC.

NAYLOR, Anton R. (Ed.). 1999: O.T.O. Rituals and Sex Magick. Thame: I-H-O Books.

REBISSE, Christian. 2005. Rosicrucian History and Mysteries. San Jose: AMORC.

REUSS, Theodor. 1999: “INRI – Constitution of the Ancient Order of Oriental Templars – OTO”. In: NAYLOR, Anton R. (Ed.). O.T.O. Rituals and Sex Magick. Thame: I-H-O Books, pp 65-69.

SCRIVEN, David (i.e. Tau Apiryon). 2001a: “History of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). Red Flame – A Thelemic Research Journal, nº 2. Berkely: Red Flame Productions, pp 3-15.

SUTIN, Lawrence. 2000: Do What Thou Wilt – A Life of Aleister Crowley. New York: St. Martin’s Press.

Notas de Rodapé    (↵ voltar)
  1. Paralelamente aos modelos de graus estruturados por Reuss, outros também foram propostos por Crowley. No entanto, enquanto Reuss permaneceu como O.H.O., todas as proposições de Crowley foram rejeitadas. Apenas quando este tomou para si a liderança da O.T.O. é que, efetivamente, suas proposições passaram a valer. O esquema de graus da O.T.O., segundo idealização de Crowley, será apresentado num próximo artigo, aqui mesmo em Orobas. ↵ voltar
  2. Mantenho aqui a grafia utilizada por Reuss. ↵ voltar
  3. Em seu site, Peter Koenig reproduz (a qualidade da imagem não é boa) a tabela da sinopse dos graus da O.T.O. de Reuss, onde essa “observação” pode ser lida. O link para a página é http://www.parareligion.ch/synopsis.htm/synopsis.htm ↵ voltar
  4. Observe-se que Reuss de fato possuía uma elevadíssima autoestima. Por exemplo, Merlin Peregrinus costumava se apresentar como “Soberano Grão Mestre Geral ad vitam das Ordens Maçônicas Unidas da Escócia, de Memphis e Misraim, e de todo Reich Alemão, Soberano Grande Comendador, Grande Absoluto Soberano, Pontífice Soberano, Soberano Grão Mestre dos maçons da O.T.O., Supremo Magus Soc. Frat. R.C., SI, 33º, Termaximus Regens I.O. (i.e., Illuminatorum Ordo), etc”. Ver meu artigo Origens Maçônicas da Ordo Templi Orientis. ↵ voltar
  5. Para se conhecer um pouco sobre o perfil comportamental de Theodor Reuss, recomendo a leitura de meu artigo biográfico “Theodor Reuss (1855-1923)”. ↵ voltar
  6. Mesmo desconsiderando a pouca engenhosidade de Reuss, previsivelmente, jamais existiu, por parte da Maçonaria regular, a mínima predisposição de aceitar a O.T.O. como um organismo maçônico devidamente constituído. ↵ voltar
  7. A respeito da pitoresca entrada de Crowley na O.T.O, ver aqui mesmo em Orobas o meu artigo “Aleister Crowley: entra a Grande Besta”. ↵ voltar
  8. Apesar de supostas alegações a seu respeito, conforme apurado e de acordo com uma publicação autorizada pela própria AMORC, Spencer Lewis, seu Imperator e fundador, fora tão somente Companheiro Maçom (Rebisse, 2005:179). ↵ voltar
  9. Na ocasião, Crowley alegava ter sido elevado ao 33º por um ancião mexicano chamado Dom Jesus Medina, um dos “mais altos chefes do Rito Escocês” da Maçonaria do México (Crowley, 1979:202). Biografias mais recentes de Crowley, entretanto, apontam Medina como um curioso “personagem apócrifo”, ou seja, alguém que jamais existiu (Sutin, 2000:83). Enfim, tudo não passou de pura invenção de Crowley, que jamais foi maçom regular. ↵ voltar

© 2017 e.v. - Carlos Raposo





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Carlos Raposo

O autor, Carlos Raposo, é historiador. Também é Maçom, M∴I∴ e grau 33 do R∴E∴A∴A∴. Pode ser contatado através do blog http://carlosraposo.wordpress.com/.

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