Orobas, um Blog sobre a História da O.T.O. por Carlos Raposo
História

Orobas!? Mas que diabo é isso, e por quê?

por Carlos Raposo

Orobas magnus Princeps: procedit equo conformis:
hominis autem indutus idoltum, de virtute divina loquitur:
vera dat responsa de præteritis, præsentibus, futuris,
de divinitate & creatione: neminem decipit, nec tentari sinit:
confert prælaturas & dignitates, amicorum item & hostium favorem.
Præsidet legionibus viginti.
(Johann Weyer, c. 1583)

Neste primeiro post, parece-me obviamente apropriado explicar dois pontos básicos: o propósito do blog e o porquê de seu nome.

Sem me estender em demasia quanto ao propósito, aqui viso expor pontos relacionados à História da O.T.O., a Ordo Templi Orientis, ordem religiosa que ganhou notoriedade por ter sido liderada por Aleister Crowley (1875-1947), um mago que se auto-denominava “A Grande Besta Selvagem”. Caso você queira me perguntar algo sobre esse tema, utilize a opção “comentários” ou escreva diretamente para meu e-mail (disponibilizado na opção perfil). Na medida do possível, vou publicando aqui as respostas. Sugestões também serão muito bem-vindas. Obrigado!

A respeito do título do blog, originalmente, Orobas foi apresentado na obscura obra Pseudomonarchia Daemonum, de onde vem a citação latina usada mais acima. Ela foi escrita por Johann Weyer (1515-1588), um médico que além de acreditar piamente nos espíritos e em magia, teve a sina de estar sob instrução de ninguém menos do que o talentoso e muito famoso Heinrich Cornelius Agrippa (1486–1535). Bem posteriormente, na primeira metade do século XIX, Orobas novamente aparece num curioso tomo sobre demonologia, o Dictionnaire Infernal, de autoria do ocultista francês Jacques Collin de Plancy (1793-1887). Porém, foram os pitorescos Samuel Liddell “MacGregor” Mathers (1854–1918) e o já citado Aleister Crowley, os ocultistas que deram a Orobas a notoriedade que hoje este “príncipe infernal” possui. A fama de Orobas veio com a tradução de Mathers (que depois foi inteiramente editada, verificada, introduzida e comentada por Crowley) do Clavicula Salomonis, um grimório anônimo provavelmente datado do século XVII, que se encontrava esquecido nos arquivos da biblioteca do Arsenal, em Paris. Em sua primeira parte, chamada de Ars Goetia, encontra-se apresentado todo o escrete goético, composto de 72 demônios que supostamente estiveram a serviço de Salomão. Orobas é um destes endiabrados serviçais.

OrobasResumidamente, Orobas é tido pela Ars Goetia como um grande Príncipe, cuja imagem bestial às vezes lembra a de um cavalo com corpo, membros superiores e mãos humanas. O mais interessante, no entanto, é que uma das principais virtudes que lhes são imputadas é a capacidade ímpar de dar respostas verdadeiras e precisas sobre o passado, o presente e até mesmo sobre o futuro. Exatamente por isso, ele é um dos demônios prediletos daqueles ocultistas que, inadvertidamente, como o honrado doutor Weyer do século XVI, creem nas maravilhosas artes mágicas e divinatórias.

Ao pensar na criação desse blog, cogitei batizá-lo “tudo o que você queria saber sobre a O.T.O. e que seu iniciador não teve a franqueza, coragem ou competência de lhe dizer”. Contudo, achei a nominata um tanto que quilométrica, inadequada e portanto, sem graça. Abandonei a ideia. Depois, ao preferir algo mais sucinto, simplesmente decidi que era melhor prestar uma pequena homenagem aos que buscam a verdade e adotar para este espaço o mote de nosso infernal amigo. Embora eu, por uma ditosa falta de fé, não seja alguém disposto a fazer qualquer uso de goetias, achei interessante a idéia dessa capacidade atribuída a Orobas – de dar respostas corretas – pois ela exprime muito bem a mais pura vontade de todos que, da mesma forma como eu, abraçam a história por profissão. Assim, é com essa perspectiva que busco inspiração para construir as linhas que aqui estarão. Daí o nome do blog.

Agradeço a sua visita e espero que você se beneficie das informações que disponibilizarei neste espaço.

Um grande abraço.

Carlos Raposo
http://carlosraposo.wordpress.com/





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Carlos Raposo

O autor, Carlos Raposo, é historiador. Também é Maçom, M∴I∴ e grau 33 do R∴E∴A∴A∴. Pode ser contatado através do blog http://carlosraposo.wordpress.com/.

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