A Escola Escólex

Este artigo é um capítulo de Magia Sem Lágrimas

Como distinguir instrução genuína de charlatanismo esotérico.

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Capítulo X:
A Escola Escólex1

Cara Soror,

Faz o que tu queres será o todo da Lei.

Você quer mesmo saber como distinguir o ouro da pirita de ferro – “ouro de tolo”, como chamavam na Califórnia de 1849 – não! Eu não estava lá – ou distinguir álcool “absoluto” e uísque licoroso de “alki” (álcool comercial – veja a magnífica história do The Princess de Jack London – não perca!) e uísque aguado da época da guerra, como era vendido na maioria dos pubs britânicos em 1944, era vulgari.

Uma boa estratégia é pegar uma obra-prima, escolher uma página aleatoriamente, traduzi-la para francês, alemão ou qualquer outro idioma de sua preferência, dar três voltas ao redor da sua cadeira (para esquecer o português) e depois traduzi-la de volta.

Você terá uma noção útil do valor daquela obra-prima ao observar o tipo de dificuldade que surge no trabalho de tradução; mais ainda, ao observar o efeito que a leitura do resultado lhe causa; e, finalmente, ao avaliar a retradução: o efeito do original foi aprimorado pelo trabalho realizado? Tornou-se mais lúcido? De fato, transmitiu a informação que se propunha a transmitir?

(Estou lhe dando crédito por uma habilidade muito incomum; este teste não é fácil de fazer; e, obviamente, você pode ter comprometido toda a composição, especialmente onde seu valor depende da forma e não do conteúdo. Mas não estamos considerando poesia, ou prosa poética; tudo o que queremos é um significado inteligível.)

O fato de você não compreender uma passagem não implica que ela seja absurda; ela pode simplesmente ser muito difícil para você. Quando Bertrand Russell escreve: “Dizemos que uma função R é ‘em última análise Q-convergente α’ se existe um membro y do domínio inverso de R e do corpo de Q tal que o valor da função para o argumento y e para qualquer argumento ao qual y tenha a relação Q é um membro de α”. Dizemos mesmo?

Mas você não duvida que, se aprendesse o significado de todos esses termos desconhecidos, seria capaz de acompanhar o raciocínio dele.

Agora, tome um parágrafo de um “professor de ocultismo”.

Além disso, vou te dar trigo, não joio; parece assustadoramente fácil que uma instrução sólida se degenere em uma “ladainha”. Aí vai!

“Vestir o humilde manto de Nirmāṇakāya é renunciar à bem-aventurança eterna em prol do self, para auxiliar na salvação da humanidade. Alcançar a bem-aventurança do Nirvāṇa, mas renunciá-la, é o passo supremo, final – o mais elevado no Caminho da Renúncia”.

Segue-se um comentário sensato de Frater O.M.

“Tudo isso sobre Buda Gautama ter renunciado ao Nirvāṇa aparentemente é pura invenção de Madame Blavatsky e não tem autoridade no cânone budista. O Buda é mencionado repetidamente como tendo ‘falecido por aquele tipo de falecimento que não deixa absolutamente nada para trás’. O relato disso é dado no Mahāparinibbāna Sutta; e os teosofistas argumentavam que essa ‘grande e sublime história do Nirvāṇa’ era algo peculiar a Buda Gautama. Eles começaram a falar sobre Parinibbana, super-Nibbana, como se houvesse alguma maneira de subtrair um de um que deixasse um tipo maior, superior, de nada, ou como se houvesse alguma maneira de apagar uma vela que deixasse Moisés em uma escuridão muito mais egípcia do que jamais imaginamos quando éramos crianças.

Isto não é ciência. Isto não é negócio. Isto é jornalismo dominical americano. O hindu e o americano são muito parecidos nesta inocência, nesta ingenuidade que exige contos de fadas com gigantes cada vez maiores. Eles não suportam a ideia de que algo esteja completo e acabado. Então, estão sempre falando em superlativos e se veem em apuros quando os fatos os alcançam, tendo que inventar novos superlativos. Em vez de dizer que existem tijolos de vários tamanhos e especificar esses tamanhos, eles têm um tijolo e um supertijolo, e ‘um’ tijolo, e ‘algum’ tijolo; e quando chegam ao fim, vasculham o dicionário em busca de algum outro epíteto para tijolo, que desperte a sensação de admiração pelo magnífico progresso e superprogresso – apresento esta palavra ao público americano– que supostamente foi feito. Provavelmente, tudo não passa de um blefe sem um único fato que o sustente. Quase toda a psicologia hindu é um exemplo desse tipo de jornalismo. Eles não se contentam com o Deus supremo. O outro homem deseja exibir-se por ter um Deus mais supremo do que aquele, e quando um terceiro homem aparece e os encontra discutindo, cabe a ele inventar um mais supremo super-Deus.

É simplesmente ridículo tentar acrescentar algo à definição de Nibbana com essa invenção do Parinirvana, e apenas falastrões se ocupam com essas especulações fantásticas. O estudante sério cuida da sua própria vida, que é o trabalho em questão. O presidente de uma corporação não paga seu escriturário contábil para elaborar um demonstrativo dos incontáveis bilhões de lucro a serem obtidos em algum ano futuro. Não é preciso grande habilidade para somar zeros após um número significativo até a tinta acabar. O que se quer é o saldo real da semana.

O leitor é fortemente aconselhado a não se deixar levar por devaneios fantasiosos, que são o veneno da mente, pois representam uma tentativa de fugir da realidade, uma dispersão de energia e uma corrupção da força moral. Sua tarefa é, em primeiro lugar, conhecer a si mesmo; em segundo lugar, ordenar-se e controlar-se; em terceiro lugar, desenvolver-se gradualmente, de forma orgânica e consistente. O resto são coisas de menor importância.

Existe, porém, um sentido em que o serviço à humanidade é necessário para a plenitude do Adepto. Ele não deve se afastar demais.

Algumas observações sobre este curso são apresentadas na nota do próximo verso.

Recomenda-se também ao estudante que tome nota das condições de adesão à A∴A∴”.

(The Equinox III (1), Suplemento pp. 57-59).

Chega de árvores verdes; agora vamos falar das secas2! Chegamos ao típico “professor” popular, um mero charlatão. Leia isto:

“Um dia, muito em breve, um tipo de eletricidade completamente diferente será descoberto, trazendo tantas mudanças profundas para a vida humana quanto o primeiro tipo trouxe. Essa nova eletricidade se moverá em um éter mais sutil do que o nosso tipo familiar e, portanto, estará mais próxima em vibração da quinta dimensão, da fonte mais íntima das coisas, aquele reino do ‘interior’ onde tudo é mantido em equilíbrio por uma força colossal, a mesma força que está contida dentro do átomo. A eletricidade número dois será inimaginavelmente mais poderosa do que a nossa atual eletricidade número um”.

(V. S. Alder, A Quinta Dimensão, p. 132)

Estou exausto; preciso descansar.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

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  1. «Escólex é o nome dado à “cabeça” de alguns vermes parasitas, como as tênias.» ↩︎

  2. «“Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?” – Lucas 23:31.» ↩︎


Traduzido por Alan Willms em junho de 2026. As notas entre «aspas angulares» são do tradutor.

Próximo capítulo em breve!
Pomposidades Vagas do “Professor” Piedoso »