O Sistema da O.T.O.
Este artigo é um capítulo de Magia Sem Lágrimas
Um esboço da estrutura dos graus.
Capítulo XIII:
O Sistema da O.T.O. ¶
Cara Soror,
Faz o que tu queres será o todo da Lei.
Você me informa que um Sincero Interessado de sua esfera tem lhe pedido para explicar a diferença entre a A∴A∴ e a O.T.O.; e que, embora sua própria mente esteja perfeitamente clara a respeito disso, você considera impossível induzir uma lucidez semelhante nele. Você acrescenta que ele não é (como se poderia supor à primeira vista) um imbecil. E que, por favor, eu faça o que estiver ao meu alcance para ajudá-lo?
Bem, aqui está a diferença essencial ab ovō usque ad māla1; a A∴A∴ diz respeito ao indivíduo, ao seu desenvolvimento, à sua iniciação, à sua passagem de “Estudante” até “Ipsissimus”; ele não tem contato de qualquer tipo com qualquer outra pessoa, exceto o Neófito que o recebe, e qualquer Estudante ou Estudantes que ele possa, depois de se tornar um Neófito, receber.
Os detalhes do Progresso deste Peregrino2 estão muito bem descritos em “Uma Estrela à Vista”; e eu seria realmente estúpido e presunçoso se tentasse fazer melhor do que aquilo. Mas é verdade que, no que diz respeito à O.T.O., não existe um manual de instruções semelhante. No Manifesto e em outros Pronunciamentos Oficiais, há, é verdade, o que deveriam ser dados adequados; mas compreendo perfeitamente que não estão tão ordenados e classificados como se desejaria; certamente há espaço para um relato simples e elementar das origens da Ordem, de seus princípios, de seus métodos, de seu propósito, da Virtude de seus sucessivos Graus. É isso que tentarei fornecer agora, ao menos em um breve esboço.
Comecemos pelo princípio. O que é um Ritual Dramático? É uma celebração das Aventuras do Deus que se pretende invocar. (As Bacantes de Eurípides são um exemplo perfeito disso). Ora, na O.T.O., sendo o objetivo das cerimônias a Iniciação do Candidato, é o Caminho dele na Eternidade que se exibe de forma dramática.
Qual é o Caminho?
- O Ego é atraído pelo Sistema Solar.
- A Criança vivencia o Nascimento.
- O Homem vivencia a Vida.
- Ele vivencia a Morte.
- Ele vivencia o Mundo além da Morte.
- Todo esse ciclo de Eventos-Ponto3 é recolhido na Aniquilação.
Na O.T.O., esses estágios sucessivos são representados da seguinte forma: –
- 0° (Minerval)
- I° (Iniciação)
- II° (Consagração)
- III° (Devoção)
- IV° (Perfeição ou Exaltação)
- P.I. (Iniciado Perfeito)
Destes Eventos ou Estações no Caminho, todos, exceto o 3 (II°), são experiências únicas e críticas. No entanto, estamos preocupados principalmente com as variadas experiências da Vida.
Portanto, todos os Graus subsequentes da O.T.O. são elaborações do II°, visto que em uma única cerimônia é praticamente impossível esboçar, mesmo que brevemente, os Ensinamentos dos Iniciados a respeito da Vida. Os Rituais de V° a IX° são, então, instruções para o Candidato sobre como ele deve se comportar; e conferem a ele, gradualmente, os Segredos Mágicos que o tornam Mestre da Vida.
É impróprio revelar a natureza dessas cerimônias; primeiro, porque seus Iniciados são obrigados por votos estritos a não o fazer; segundo, porque a surpresa é um elemento essencial para sua eficácia; e terceiro, porque as Fórmulas Mágicas nelas contidas, explícita ou implicitamente, são, do ponto de vista prático, poderosas e perigosas. Existem salvaguardas automáticas, é verdade; mas um Magista Negro de habilidade excepcional poderia encontrar uma maneira de superar esses obstáculos e causar grande dano a outros antes que o inevitável recuo de sua artilharia o destrua.
Já vi casos assim. Permita-me relatar brevemente um desastre bastante notório. O jovem era um gênio – e isso foi a sua ruína. Ele conseguiu um talismã de enorme poder, que por acaso era exatamente o que ele queria para realizar o desejo mais profundo do seu coração. Ele também sabia a maneira correta de fazê-lo funcionar; mas esse método lhe parecia longo e difícil demais. Então, ele buscou um atalho. Usando violência contra o talismã, ele viu como poderia forçá-lo a cumprir seu propósito; usou uma fórmula totalmente alheia ao espírito da operação; era como extrair informações de um prisioneiro por meio de tortura, quando a cortesia paciente teria sido o método adequado. Então, ele arrombou o portão e conseguiu o que queria. Mas o néctar se transformou em veneno assim que ele esvaziou a taça, e sua angústia anterior se transformou em desespero absoluto. Então veio o retorno da corrente, e eles o trouxeram “enquanto mentalmente incapaz”4. Um diagnóstico muito preciso!
Peço-lhe encarecidamente que observe bem, querida irmã, que uma verdadeira Operação Mágica nunca é “contra a Natureza”. Ela deve transcorrer de forma suave e serena, de acordo com as Suas leis. Pode-se introduzir energias alheias e provocar uma reação endotérmica; mas – se “Ou vai ou racha?”5 A resposta será sempre RACHA!
Voltando por um momento à questão do Segredo: não há nenhuma regra que te impeça de citar contra mim algumas das minhas observações mais espirituosas, como “Mistério é o inimigo da verdade”; mas, para começar, eu sou, e sempre fui, o líder da Extrema Esquerda na Câmara do Conselho da Cidade das Pirâmides, de modo que, se aquiesço ao sistema da O.T.O. no que diz respeito ao “segredo dos segredos” do IX°, é realmente por uma questão de honra pessoal. Meu juramento foi feito ao falecido Frater Superior e O.H.O.6, Dr. Theodor Reuss. Apesar disso, neste caso específico, é indiscutivelmente uma questão de prudência comum, tanto porque o abuso do Segredo é, pelo menos na aparência, tão fácil e tentador, quanto porque, se se tornasse de conhecimento geral, a própria Ordem poderia correr o risco de calúnia e perseguição; pois o segredo é ainda mais fácil de ser mal interpretado do que profanado.
Lēge! Jūdicā! Tacē7!
Amor é a lei, amor sob vontade.
Fraternalmente,
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«Expressão latina atribuída a Horácio traduzida como “do ovo às maçãs”, significando algo “completo”, do início ao fim.» ↩︎
«Referência ao livro O Peregrino de John Bunyan, que narra como Cristão partiu da “Cidade da Destruição” rumo à “Cidade Celestial”.» ↩︎
«Para uma definição de “evento-ponto”, consulte o Capítulo III.» ↩︎
«Essa expressão era empregada em laudos de médicos-legistas em situações de suicídio, porque cometer este ato era um crime , desta forma, atribuía-se o ato a um estado de insanidade para evitar complicações legais e financeiras.» ↩︎
«No original a expressão era “Pike’s Peak or bust!”, um slogan da corrida do ouro de 1859, que era pintado nas caravanas americanas que iam para o oeste. A ideia é que chegariam à montanha Pico Pikes ou morreriam tentando.» ↩︎
«Outer Head of the Order, o Chefe Externo da Ordem.» ↩︎
«Latim para “Lê! Julga! Cala-te!”.» ↩︎
Traduzido por Alan Willms em outubro de 2026. As notas entre «aspas angulares» são do tradutor.
